Meditações Diárias – Meditação Matinal – Abril 2014 – Amin Rodor – Encontros com Deus – Ligado na Videira

O Poder da PalavraMeditações Diárias 2014 – 1º de abril
Assim será a palavra que sair da Minha boca: [...] fará o que Me apraz e prosperará naquilo para que a designei. Isaías 55:11
Minha proximidade inicial com a Igreja Adventista era apenas geográfica. Nossa casa, numa pequena cidade no interior norte do Espírito Santo, ficava exatamente ao lado do prédio da igreja. Inicialmente os membros, na maioria de origem alemã, reuniam-se em uma casa nos fundos do terreno. Tenho a vaga lembrança de ter assistido a uma reunião naquele local e de assentar-me em um banco sem encosto. O prédio atual foi construído depois por um grupo que veio de Baixo Guandu.
Lembro-me de, naquele período, ter estudado em três escolas. Não sei exatamente em que ordem, mas imagino que primeiro foi no Grupo Escolar. Depois, por alguma razão, na Escola Adventista, vizinha de minha casa. Então fui para a Escola Paroquial, próximo à Igreja Matriz, no alto de um morro. Por algumas influências na escola católica, fui feito coroinha, um daqueles meninos que ajudam o padre a rezar a missa, repetindo frases em latim e balançando o incensário.
Meu primeiro contato com as Escrituras, contudo, aconteceu na Escola Adventista de forma curiosa. O certificado escolar tinha a gravura de uma árvore. Sob suas copas, estava desenhado um pequeno riacho. Logo abaixo,
havia um texto bíblico: “O justo será como árvore plantada junto a ribeiros de água” (Sl 1:3). As palavras poéticas do salmista e o próprio quadro enchiam minha imaginação. Creio que o Espírito Santo, o grande intérprete do evangelho, já estava me impressionando.
Mais tarde, quando cursava o antigo ginásio, um de meus irmãos começou a namorar uma moça que viera do colégio adventista de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Era filha da família Krüger, líderes da igreja adventista local. Na casa dela, ele aprendia as doutrinas bíblicas.
Em nossa casa, as repetia. “O sábado bíblico”, “o estado dos mortos”, tudo isso me impressionava muito. Depois vieram os estudos bíblicos formais e a influência de uma família adventista vizinha. A irmã Selma Dan nos ensinava falando com sotaque pesado. Estudando sobre o anticristo e o misterioso número 666, como a família Dan entendia, tomei minha decisão. Com a mudança para Taguatinga, em Brasília, alguns meses depois de meu batismo, o contato com outros cristãos adventistas e as oportunidades de participar na igreja confirmaram meu chamado espiritual. E tudo começou com um texto bíblico no boletim escolar! (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
O Novo Homem em CristoMeditações Diárias 2014 – 2 de abril
E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. Efésios 4:24
Karl Marx referia-se ao “novo homem” que deveria emergir do triunfo da ideologia comunista. Isso aconteceria depois do triunfo histórico dos oprimidos sobre os opressores. A criação do novo homem, para Marx, era vista puramente em termos materialistas. O “novo homem e a nova sociedade” seriam possíveis apenas pela derrota do capitalismo. Os meios de produção como fábricas e terras, por exemplo, não deveriam ser propriedade de uma pessoa, mas de toda a sociedade. No marxismo, para se chegar ao “novo homem”, é imperativo que se transformem primeiro as condições externas dos oprimidos.
A história, contudo, não está do lado da visão marxista do homem. Em cada lugar em que sua revolução foi vitoriosa, quer na Rússia, na China ou em Cuba, o que se verificou não foi o surgimento do “novo homem”, mas o surgimento do “novo opressor”.
Qual o problema do marxismo? Ele é vítima de uma visão superficial do homem, não levando em conta a doutrina bíblica do pecado. O conceito cristão do “novo homem” repousa na compreensão paulina do homem, como escravizado pelo pecado e feito livre por meio da obra redentora de Cristo. A autoemancipação do marxismo falha porque espera, ao mesmo tempo, muito e muito pouco: muito do homem, que consistentemente transforma sua capacidade criativa em fins destrutivos; e muito pouco ou nada de Deus, o qual vem de além da esfera do homem para oferecer nova direção e possibilidades.
Desde seu início, o cristianismo opera uma revolução isenta de utopias, que começa no interior e alcança o exterior. O Novo Testamento faz referências a escravos, sem encorajar demandas de classe e revolução. Dos senhores, não é exigido que libertassem seus servos. Contudo, encontramos um denominador comum extraordinário: “Porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e, da mesma maneira, também o que é chamado, sendo livre, servo é de Cristo” (1Co 7:22, ARC). O sentido essencial desta verdade teve profundo efeito prático na vida dos cristãos.
Na conversão, recebemos uma nova identidade que se coloca acima de todas as outras. Assim, antes de sermos brancos ou negros, ricos ou pobres, educados ou sem estudo, somos novas criaturas em Jesus Cristo, e isso passa a ser a nossa orientação primária, mais importante que todas as outras identificações, e nos consideramos irmãos. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Açucarando o EvangelhoMeditações Diárias 2014 – 3 de abril
Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, pois o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 2 Coríntios 11:13, 14
Faz alguns anos, o U.S. News & World Report publicou, como artigo de capa, o tópico sobre a espiritualidade no mundo atual, informando que a religião, em muitas partes do mundo, tomou um manto de psicologia popular. Muitas congregações crescem oferecendo uma teologia açucarada, com uma dieta light de sermões preocupados com temas como “realização pessoal”, como ser “melhor parceiro”, “melhor empregado”, “melhor chefe” e “amigo” e até como “perder peso”. Mesmo admitindo que alguns desses tópicos possam ser uma preocupação da igreja, eles não podem ser o foco central da pregação.
Muitos pregadores modernos têm enfatizado unilateralmente os atributos da misericórdia, perdão e amor de Deus, mas negligenciado igual ênfase em Sua justiça, santidade e inimizade contra o pecado. Poderia ser que, na tentativa de agradar as pessoas e nos tornarmos simpáticos aos que queremos alcançar, estejamos comprometendo os ensinos das Escrituras? É evidente que, como o contexto em que pregamos muda, devemos fazer ajustes em nossa forma de apresentar o evangelho, mas isso não muda sua essência. Enquanto métodos de comunicação podem variar, o fundamento da verdade bíblica deve permanecer inalterável.
Em nossa pregação, não mudamos Deus nem Sua verdade. Devemos manter em equilíbrio dois polos da proclamação cristã; de um lado, manter a identidade, o caráter bíblico do conteúdo proclamado; de outro, manter a relevância, que é o relacionamento da revelação com o contexto humano atual. Muitos querem ser relevantes sem ter identidade bíblica. Outros querem reter a identidade, mas no processo deixam de ser relevantes. Os dois perigos são reais. A preocupação com a relevância tende a levar à “contextualização pragmática” do evangelho, conduzindo à utilização de recursos estranhos à Palavra de Deus. O outro perigo é a tentativa de ser “bíblico” e cair na bibliolatria, respondendo a perguntas que ninguém está fazendo. Ou tentar responder, no século 21, a questões do século 19. De qualquer maneira, devemos entender que o único evangelho capaz de satisfazer às necessidades humanas é o evangelho real, ministrado em sua fórmula original, sem açucaramentos ou diluições. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Uma Ilha no Tempo  – Meditações Diárias 2014 – 4 de abril
Havendo Deus terminado no dia sétimo a Sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a Sua obra que tinha feito. E abençoou o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera. Gênesis 2:2, 3
O mundo moderno é uma extensão da Babilônia espiritual. Essa não é apenas uma invenção do gênio humano, mas de forças malignas sobrenaturais cujo objetivo é anuviar a mente e anestesiar a percepção das pessoas. Vivemos em meio ao caos generalizado, em que muitos não percebem até que ponto estão sendo afetados. Os seres humanos se tornaram quase como robôs. Dormindo pouco, lutando em meio ao tráfego, enfrentando pressões bizarras de todos os ângulos, não é de admirar que estatísticas indiquem que uma em cada cinco pessoas é hoje diagnosticada mentalmente enferma. Mais do que em qualquer outro tempo, necessitamos redescobrir o poder restaurador do sábado.
Diferentemente do batismo, santa ceia ou lava-pés, o sábado é um símbolo instituído por Deus no início da história humana. Ele vem da perfeição original e traz o hálito do Éden, anterior ao pecado. Foi dado como presente de Deus, no clímax da criação, para os primeiros seres humanos. Deveria estender-se a toda a humanidade. No esquema da criação, a obra de Deus se move do espaço para o tempo, e o tempo está dividido entre tempo comum e tempo especial. O tempo comum flui para o tempo especial. Nessa lógica, a criação não é um fim em si mesma: o ser humano não encontra realização plena nos dias do tempo comum, naquilo que possa fazer ou realizar. O alvo final da atividade semanal e da vida não é encontrado do primeiro ao sexto dia da semana. O clímax é o repouso do ser humano na presença do Criador.
O sábado é um perpétuo memorial de que ninguém alcança seu propósito no trabalho como se fosse um animal de carga. O alvo final da vida é a comunhão com Deus. Isso é indicado pelo fato de que o ser humano foi criado apenas no sexto dia. O sábado é o sétimo dia da semana, mas o primeiro dia de existência de Adão e Eva. Eles repousaram, então, não porque estivessem cansados. Repousaram para comungar com o Criador. Em Sua presença, iriam alinhar suas prioridades. Hoje não é diferente. Os olhos precisam ser abertos para que vejamos o que é fundamental. É o homem em rebelião que busca realização independentemente de Deus, como se a vida se esgotasse nos dias do tempo comum. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Barnabé, Filho de ExortaçãoMeditações Diárias 2014 – 5 de abril
José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer filho de exortação, levita, natural de Chipre, como tivesse um campo, vendendo-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos. Atos 4:36, 37
Dos inúmeros e anônimos pregadores das boas-novas na igreja primitiva, apenas alguns poucos emergem claramente das páginas do Novo Testamento. Barnabé é um dos poucos missionários que antecederam Paulo acerca de quem sabemos algo. Mas o pouco que conhecemos dele sugere sua importância. Judeu da diáspora, viveu em Chipre, mas tornou-se um dos mais primitivos discípulos em Jerusalém.
Seu nome era José, mas passou a ser chamado de Barnabé pelos apóstolos. O termo “Barnabé” é interpretado por Lucas como “filho de exortação”. Ele é descrito como “cheio do Espírito” (At 11:24). Curiosamente, Barnabé, em todas as cenas bíblicas em que aparece, é sempre uma figura de apoio, sempre a serviço de outros:
É ele quem introduz Paulo à igreja, depois da conversão deste (At 9:27). Provavelmente foi o primeiro a reconhecer o potencial do apóstolo.
É enviado pelos apóstolos para apoiar o trabalho em Antioquia, enquanto o cristianismo era pregado aos gentios em nova escala (At 11:22).
É enviado, com Paulo, de Antioquia a Jerusalém em uma missão de misericórdia (At 11:29, 30).
Ajudou Paulo na primeira viagem missionária, partindo de Chipre (At 13 e 14). De fato, Barnabé foi o líder original, embora Paulo tome o papel principal posteriormente.
No Concílio de Jerusalém, é ele quem defende as reivindicações dos cristãos gentios (At 15:1-32).
Ele acompanhou Paulo a Antioquia, em envolvimento missionário (At 15:35).
Na segunda viagem missionária, Barnabé aconselhou que levassem João Marcos, que havia desertado anteriormente. Como Paulo se recusasse a fazê-lo, Barnabé acompanhou o jovem Marcos em uma dupla missionária, impedindo que ele desistisse de seu chamado (At 15:36-40).
Barnabé continuou a serviço do evangelho, o que é indicado pelas referências que Paulo faz a ele como alguém conhecido dos gálatas (Gl 2:1, 9, 13), dos coríntios (1Co 9:6) e dos colossenses (Cl 4:10). Segundo a tradição, Barnabé foi martirizado no ano 61 a.C. Como vemos no texto de hoje, ele colocou suas posses à disposição da igreja. A fragrância de sua vida chega até nós. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Aprendei de MimMeditações Diárias 2014 – 6 de abril
Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve. Mateus 11:28-30
Nessa exclusiva referência a respeito de Si como “humilde de coração”, Jesus nos apresenta a chave para o descanso que Ele nos oferece. Vivemos na cultura da “autopromoção”, da “defesa dos próprios direitos”, da “preocupação em ser o primeiro”, de “ganhar por intimidação”, da incansável busca por “tronos” e uma dúzia de outras agendas a serviço do eu. O que não entendemos é que tal atitude é precisamente o que mais destrói nossa paz. Estamos tão ocupados em nos defender, promover-nos ou manipular outros em nosso favor que nos programamos para uma nova guerra a cada dia. Mas o egoísmo pode ser muita coisa, menos algo novo:
A Grécia dizia: “Seja sábio, conheça a si mesmo.”
Roma ordenava: “Seja forte e se discipline.”
O judaísmo insistia: “Seja bom e se ajuste à lei.”
O hedonismo seduzia: “Busque o prazer e se satisfaça.”
A educação orienta: “Seja hábil, expanda seu universo.”
A psicologia motiva: “Seja confiante e se autoafirme.”
O materialismo apregoa: “Seja possessivo, realize-se em possuir.”
O humanismo ensina: “Seja capaz, creia em si mesmo.”
O orgulho afirma: “Seja superior, promova os interesses pessoais.”
Jesus Cristo ensinou-nos algo diferente: “Seja altruísta, vença o egoísmo, subjugue a inclinação de explorar os outros e ‘tirar vantagem em tudo’. Seja generoso, porque, afinal, são os mansos que herdarão a terra.” Quando eu penso neste surpreendente Jesus e em Sua desafiadora atitude, tão em descompasso com nossa natureza, eu não posso deixar de balançar a cabeça e sorrir. Em nossa sociedade “ganhe-tudo-o-que-você-pode”, o conceito de vitória sobre o egoísmo e ser aquele que serve é considerado uma piada ou tolice.
Paulo, depois de exortar os filhos do reino a nada fazer por partidarismo, considerar os outros superiores a si mesmo, não ter em vista o que é próprio, senão também o que é dos outros (Fp 2:3, 4), desafia-os a nutrir o mesmo sentimento encontrado em Jesus: “Embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-Se; mas esvaziou-Se a Si mesmo, vindo a ser servo” (Fp 2:6, 7, NVI). (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Os que Nasceram Duas VezesMeditações Diárias 2014 – 7 de abril
Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã. Salmo 30:5
William James, em seu clássico The Varieties of Religious Experience (As Variedades da Experiência Religiosa), aplica a metáfora dos dois nascimentos para pessoas religiosas. Os que nascem “uma vez” são pessoas que atravessam a vida sem nunca experimentar complicações em sua fé. Eles podem ter dificuldades financeiras, desapontamentos, mas nunca atravessam tempos que realmente parecem contradizer sua experiência religiosa. A compreensão que eles têm de Deus, quando chegam à velhice, não é diferente do que aprenderam sobre Ele na infância.
Para James, os “nascidos duas vezes” são pessoas que atravessam enormes crises, chegando mesmo a perder a fé para então recuperá-la. E a nova fé é muito diferente daquela que foi perdida. Em vez de experimentarem apenas dias de céu azul, algumas vezes o Sol parece lutar para sair da tempestade, embora sempre consiga reaparecer. Deus, conforme eles apresentam, parece mais real. Ele não é simplesmente o “paizão” que sempre mantém os filhos “seguros e secos”. Ao contrário, Deus os capacita a prosseguir através da noite escura de um mundo perigoso. Esses são como um osso que quebra e depois de curado é mais forte no lugar em que se partiu. A fé manifestada por eles é mais forte do que antes, porque em algum momento aprenderam que podem depender de Deus e assim sobreviver às perdas e tragédias. Depois das desilusões, a fé é mais forte porque testemunhou que muito de sua antiga confiança eram apenas deuses falsos.
Imagino que os salmos foram escritos por pessoas que tiveram que lutar para descobrir onde Deus estava escondido na vida delas, e não por aqueles para quem Deus era muito óbvio. Presente, mas não óbvio. O salmo 30 é um exemplo disso. Atribuído a Davi, ele foi escrito por alguém recuperado de séria enfermidade, alguém liberto de um fosso de opressão, cercado de inimigos por todos os lados. Ele vai ao templo não como o adorador superficial, acostumado a repetir suas frases mecânicas. Ele, que se julgava inabalável (v. 6), descobriu que a caminhada com Deus não é um passeio no parque. Em tempos de grande tribulação, ele perdeu a fé simplória, substituindo-a por uma compreensão profunda de Deus, que aqui se revela em louvor e agradecimento. Ele aprendeu que o choro não dura para sempre. A alegria, cedo ou tarde, triunfa. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Vós Sois a Luz do MundoMeditações Diárias 2014 – 8 de abril
Vós sois a luz do mundo. [...] Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus. Mateus 5:14, 16
Percebemos o que Jesus está dizendo? “Para que vejam as vossas boas obras.” Não boas opiniões, boas ideias religiosas, teorias, discursos nem palavras que impressionem.
Sandra, uma moça atraente que se tornou adventista, resolveu que não mais teria namorados de fora da igreja. Em decepção, desabafou mais tarde que os rapazes da igreja, pelo menos aqueles com quem ela se relacionara, não eram diferentes dos “pagãos” que conhecera. Eles podiam até pretender ser diferentes, podiam defender ideias cristãs, mas para ela era impossível ver qualquer diferença.
Eu sou a “luz do mundo”, mas, se trapaceio em meus negócios, exploro os outros e tiro vantagens deles, se roubo, minto, dou informações falsas, não pago minhas dívidas, calunio e não controlo meu temperamento, então eu “desligo” a luz, crio um “apagão”. O argumento de Jesus é simples, mas extraordinário: o valor da luz está no seu contraste com as trevas. Quando a luz deixa de iluminar, ela não apenas perde o seu valor, mas deixa de existir como luz. Jesus falou de ações concretas, não de propaganda religiosa. É precisamente isso que o mundo está esperando dos cristãos.
O Adventist Kettering Medical Center, em Ohio, foi edificado sobre o poder do testemunho cristão. O milionário Eugene Kettering buscou uma instituição com quem se associar para construir um estabelecimento médico de alta qualidade. Escolheu os adventistas. A Igreja Adventista enviou então George Nelson para trabalhar com o Sr. Kettering no projeto. Esses dois homens, embora de origens diferentes, tinham algo em comum: devoção à honra e à excelência. Depois de alguns encontros, o Sr. Kettering foi ao escritório do irmão Nelson e, casualmente, deixou sobre sua mesa o primeiro cheque. Quando Nelson viu o cheque, mais tarde, ele estava em seu nome, no valor de 1,2 milhão de dólares.
Muitos anos depois, um pouco antes de Eugene Kettering morrer, George Nelson o visitou. Perguntou-lhe por que, em tão pouco tempo de relacionamento, havia confiado a ele tal soma de dinheiro. “George”, respondeu o Sr. Kettering, “eu confiava em você mais do que confiava em mim.” Que poderoso testemunho! Lembre-se: sem caráter cristão, não há testemunho cristão. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Quem Eu Seria Se Pudesse SerMeditações Diárias 2014 – 9 de abril
Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele. 1 João 3:2
Quem Eu Seria se Pudesse Ser é o curioso título de um livro que vi na vitrine de exposição na Fundação Síndrome de Down, em Campinas, onde levamos nosso filho Mike para algumas de suas terapias. O livro, que adquiri posteriormente, trata da “viagem imperfeita” e das fronteiras, muitas delas insuperáveis, de pessoas limitadas por alguma disfunção intelectual.
Desde o nascimento de nosso filho com a Síndrome de Down, observo seu desenvolvimento, às vezes muito lento. Muitas vezes, testemunho seu enorme desejo de aprender. Observamos seu incansável trabalho em encher cadernos e mais cadernos, copiando exercícios que ele não entende, ou simplesmente escrevendo seus pequenos arabescos, em sua formidável tentativa de acompanhar as outras crianças. Pergunto-me, em algumas ocasiões: Quem seria ele, não fosse sua enorme limitação? Em casa, temos sido abençoados pelo Mike. Seu jeito de anjo, sua inocência, sua bondade, seus comentários ingênuos e sua forma de ver as coisas nos surpreendem de diversas maneiras. Temos com ele uma regra muito clara: para um ser limitado, amor ilimitado.
Por outro lado, todos nós tornamo-nos disfuncionais em relação ao plano original de Deus. Ao nascer, Mike foi diagnosticado como portador da “trissomia vinte um”. Em linguagem simplificada, podemos dizer que isso afeta cada célula de seu corpo. Assim somos nós, completamente afetados em cada “célula” de nossa estrutura espiritual. Nosso desenvolvimento em viver a vontade de Deus é muitas vezes lento e reticente. Por vezes, quase desanimador. Mas Jesus é um grande otimista!
Lembre-se, Deus também tem uma regra imutável em relação às nossas debilidades: amor e paciência ilimitados. Se não desanimarmos e permitirmos que Deus atue, Ele aperfeiçoará a boa obra que iniciou em nós (ver Fp 1:6).
Sua graça finalmente triunfará suprema, e seremos afinal aquilo que Ele projetou. O texto de hoje sugere um contraste entre o que é conhecido e aquilo que vamos ser. Somos agora “filhos de Deus”, mas o pleno significado disso ainda está no futuro. Ainda aguardamos a revelação daquilo que seremos em nosso estado final: “Transformados, de glória em glória, na Sua própria imagem” (2Co 3:18). (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Quão Grande És Tu!Meditações Diárias 2014 – 10 de abril
Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a Terra é o Teu nome! Pois expuseste nos Céus a Tua majestade. Salmo 8:1
Uma dificuldade séria do homem moderno é que ele gasta muito tempo no ambiente das coisas “criadas” pelas próprias mãos: carros, trens, escolas, shopping centers, aviões e eletrônicos. E, como tem domínio dessas coisas, ele se julga muito grande. Assim, não é por acaso que a vida se torna enfadonha e pouco inspiradora. Alienamo-nos do contato com as coisas criadas por Deus, as quais impressionavam nossos ancestrais e os levavam a responder com reverência às belezas insuperáveis da ordem criada.
Pense no sentimento de fascínio ao contemplar um céu estrelado longe das luzes artificiais da cidade. Imagine a reverência, quase temor, suscitada pelos raios, relâmpagos e poderosos trovões. Coloque-se diante do espetáculo das incansáveis ondas do mar, que se quebram na praia em um entardecer. Essas coisas ajudam a ver, de uma perspectiva diferente, tanto nós próprios como o mundo. Há quase um século, o teólogo alemão Rudolf Otto escreveu o clássico The Idea of the Holy (A Ideia do Sagrado). Otto sugere que o ser humano tem fome do Sagrado. Existe nisso um elemento quase estarrecedor. Encontrar o Sagrado é encontrar-se com uma realidade tão grande que nos faz tomar consciência de nossa embaraçosa pequenez. Isso acontece, segundo Otto, não porque sejamos pequenos, mas porque o Sagrado é muito grande, numa escala desconhecida. Talvez por isso, Tomás de Aquino, quando perguntado por que depusera a pena e deixara de escrever, respondeu que ele tivera uma visão do Santo, e isso o fazia sentir que tudo o que escrevera não passava de palha.
Na próxima vez que você for ao zoológico, observe a relativa pouca atenção dada aos animais pequenos. Contudo, observe as filas dos que querem ver o leão, o tigre, o elefante e o gorila. Por quê? Talvez porque, mesmo sem entender, nós nos sintamos afirmados ao ver que há criaturas maiores e mais fortes do que nós. Seres que não criamos e que, naturalmente, escapam ao nosso domínio. A mensagem é tanto humilhante como confortadora: nós não somos o poder final. Isso nos ajuda a entender nosso lugar no Universo. Considere a suprema grandeza de Deus, em meio às suas dificuldades, e pense nisto: “Não diga a Deus que você tem grandes problemas. Diga aos seus problemas que você tem um grande Deus.” (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Você e o DinheiroMeditações Diárias 2014 – 11 de abril
Ao Senhor pertence a Terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. Salmo 24:1
Deus provê para cada pessoa dois elementos básicos: tempo e talentos. Esta é a estrutura da vida. O tempo é igual para todos. Os talentos são diferentes de pessoa para pessoa. O dinheiro, em grande medida, é o resultado da combinação do tempo e do talento. Tempo e talento não podem ser acumulados, mas juntos podem produzir algo que pode: o dinheiro. Assim, de maneira real, o dinheiro representa parte do tempo e do talento utilizados para adquiri-lo. O desperdício do dinheiro, além de ser desperdício do talento e do tempo, é o desperdício da própria vida.
O plano de Deus para nos libertar da atração fatal do dinheiro é ensinar-nos a não permitir que aquilo que possuímos venha a nos possuir. Quando falamos dos planos de Deus para a vida, devemos lembrar que eles não podem ser entendidos pelo homem natural (2Co 2:14). Tais planos não lhe parecem razoáveis porque (1) o homem é criatura finita e não pode entender plenamente os caminhos de Deus; e (2) Deus veste Seus planos em mistério e não os revela em todos os detalhes para que desenvolvamos um relacionamento de fé com Ele.
Nas Escrituras, aprendemos que os dízimos pertencem ao Senhor (Ml 3:8-10). Por meio da devolução sistemática e fiel daquilo que Ele separou como um símbolo, Ele nos ensina os princípios básicos de Seu reino:
Submissão: “Não só de pão viverá o homem” (Mt 4:4).
Dependência: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu reino” (Mt 6:33).
Obediência: “Dai [...] a Deus o que é de Deus” (Mt 22:21).
Prioridade: “Onde está o teu tesouro [...]” (Mt 6:21).
Lealdade: “Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6:24).
Confiança: “Não andeis ansiosos” (Mt 6:25).
Compromisso: “Fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28:19).
O dízimo é baseado em convicção teológica. Sem a doutrina da criação, ele não tem fundamento sólido. O dízimo pode parecer um absurdo lógico. Em última instância, ele representa a rejeição do egoísmo e a libertação da tirania das coisas. Porque pertence ao Senhor, Ele é santo, como o sábado. Porque Jesus só menciona o dízimo uma única vez (Mt 23:23), alguns sugerem que lhe falta base no Novo Testamento. Jesus mencionou a necessidade da conversão, também, apenas uma vez (Jo 3:3), e ninguém contestaria o imperativo dela com base na estatística. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Jesus, o Senhor da VidaMeditações Diárias 2014 – 12 de abril
Fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais [...]. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome. João 20:30, 31
Cada evangelho teve uma audiência primária específica. Em grande medida, isso determinou seu conteúdo. Mateus escreveu para judeus; Marcos, para romanos; Lucas, para grupos de gregos convertidos à fé cristã. João foi escrito, no fim do 1º século, para a igreja. Destinava-se a uma geração de cristãos que não haviam conhecido a Cristo. Cristãos que estavam se perguntando: Quem é Jesus Cristo? O texto de hoje indica o propósito desse evangelho. João está dividido em duas partes. Na primeira seção, capítulos 1 a 12, o evangelho trata dos atos de Jesus. João não usa a palavra “milagre”. O que Jesus realiza são “sinais”. Os sinais são como parábolas que apontam para uma realidade além de si mesmas. Os sinais em João suscitam a pergunta: Quem pode realizar obras assim? E sugere a resposta: Apenas Deus!
João registra sete sinais. Todos eles com características exclusivas desse evangelho. No primeiro, Jesus transforma água em vinho (2:1-12), o que trata da questão da qualidade. O segundo sinal é a cura do filho de um oficial do rei, que estava a uma distância acima de 32 quilômetros (4:43-54).
Distância não é problema para Ele. O terceiro é a cura do paralítico de Betesda (5:1-8), inválido por 38 anos. Tempo não está fora de Seu poder e controle. O quarto sinal (6:1-13) é a multiplicação de pães para uma grande multidão. Quantidade não é obstáculo para o Senhor. No quinto sinal, Jesus anda sobre o mar (6:16-21). Forças naturais Lhe obedecem. Depois Ele cura um cego de nascença (9:1-11). Este sinal tem que ver com o acaso.
Ele é superior às forças cegas e perplexidades da vida. Finalmente, é descrita a ressurreição de Lázaro (11:17-44). Jesus Cristo é maior que a morte. Leia o contexto desses casos. Observe que João intensifica a dimensão do problema para enaltecer Aquele que é a solução. Lázaro, por exemplo, não apenas estava morto; ele já estava em decomposição.
Tais sinais cobrem todas as áreas da vida. Você está buscando qualidade? Ele é a resposta. Seu problema tem que ver com distância, tempo, quantidade, forças naturais, acaso ou a própria morte? Jesus Cristo veio a nós e entrou em nossa história para dar sentido a nossa existência. Creia e tenha vida em Seu nome! (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Na Pessoa de Nosso SubstitutoMeditações Diárias 2014 – 13 de abril
Então, Pilatos O entregou para ser crucificado. João 19:16
A justiça divina foi satisfeita na pessoa de nosso substituto. Tal princípio provê a chave que abre a compreensão para o mistério que cerca aquelas passagens relacionadas à morte de Cristo. De fato, Sua paixão seria inexplicável sem essa chave explanatória. Sem esse princípio interpretativo, a morte de Jesus não seria apenas um absurdo, mas uma monstruosa injustiça.
Por que seria torturado e condenado o inocente Filho de Deus? No jardim do Getsêmani, Ele diz aos guardas: “Deixai ir estes” (Jo 18:8). Com isso, Jesus indica que é Ele que deve ser preso. Por quê? Da mesma forma, no julgamento perante o Sinédrio, quando a sentença condenatória é passada, acusado de blasfêmia, Ele guarda silêncio (ver Mt 26:63). Jesus não argumenta, nunca tenta Se defender. Veja-O perante Pilatos: Ele não responde às acusações. Cinco vezes, contudo, Pilatos, confuso, pronuncia que Jesus é “inocente”, “justo” ou “sem culpa”. Mas, ainda assim, Ele é condenado à morte. Como entender tal contradição? Nenhum tribunal com um mínimo senso de justiça validaria tal sentença.
Há apenas uma explicação: Jesus é ao mesmo tempo justo e culpado. Como Deus encarnado, Ele é absolutamente inocente das acusações que Lhe são atribuídas. Ao mesmo tempo, como substituto dos pecadores, Ele é aos olhos de Deus culpado de todas essas acusações. Em Si mesmo, Ele é inocente, mas culpado como nosso substituto. Jesus assume nosso lugar de modo consciente. Assim, nós estávamos lá em Suas cadeias. Perante o trono da justiça divina, nós merecíamos tal condenação. Nós, eu e você, éramos os verdadeiros culpados dos crimes atribuídos a Ele: rebelião, insurreição, blasfêmia, sedição. Mas, como nosso substituto, Ele diz: “Deixai ir estes.” Ele não diz: “Deixai-Me ir.” Você entende? Como nosso representante, tudo o que Lhe é atribuído é verdade. Então a sentença de morte contra Ele, afinal, não é injusta, porque aquela era nossa sentença.
Olhando para a cruz, ao vê-Lo despido, em vergonha e humilhado, podemos perguntar: “Quem é esse?” Você pode ser tentado a responder: “Esse é o Filho de Deus.” Errado. Esse é você e também sou eu na pessoa de nosso representante. Como nosso substituto, a Ele é imputada a culpa de todos os crimes, traições, de todos os desvios que você possa imaginar – de todos, em todos os tempos. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
TitanicMeditações Diárias 2014 – 14 de abril
Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição. 1 Tessalonicenses 5:3
Completa-se hoje 102 anos do naufrágio do Titanic, o colosso dos mares. Por muito tempo, creu-se que aquela noite era a mais improvável para o desastre. O mar “estava como um gramado” calmo, as estrelas mais brilhantes do que nunca. Investigações recentes, contudo, têm argumentado que aquelas aparências eram enganadoras. Vários fatores se combinaram para a tragédia. O frio e a clareza do céu refletido no espelho das águas criaram uma miragem que tornou quase impossível que se percebesse o perigo.
Aliada a esses fatores, encontramos a arrogância da autoconfiança. Essa é a única explicação do motivo pelo qual o Titanic, que recebeu diversas advertências pelo telégrafo quanto à presença de icebergs, não alterou sua rota. Informado do perigo, o capitão Smith optou por manter a mesma direção e velocidade, confiante de que o navio estava acima de qualquer ameaça.
Quando o grito “iceberg logo à frente” soou, uma manobra foi feita para desviar o Titanic, mas já era muito tarde. Aproximadamente às 23h45, aconteceu a colisão. O gelo abriu um rombo no casco do navio, e a água passou a jorrar para dentro dos compartimentos.
Foi apenas quando a água gelada começou a invadir as cabines e os salões de jogos que a irreversibilidade da situação ficou evidente. Engenheiros calculam que, uma hora após o choque, mais de 25 mil toneladas de água tenham inundado o Titanic. Por volta de 1h30 da madrugada, a proa estava totalmente submersa. A popa inclinou-se num ângulo de 45 graus, e o peso da estrutura fez a embarcação rachar-se entre a terceira e a quarta chaminés. Os passageiros nos barcos lançados ao mar testemunharam horrorizados o navio descer para o mergulho sem retorno, engolido pelas águas escuras e gélidas do Atlântico Norte. Às 2h20, o gelado Atlântico silenciou as vozes e gritos de 1.500 pessoas que tiveram, então, seu destino selado. O Titanic, a pérola da White Star Line, o gigante de 269 metros de comprimento e 46 mil toneladas, obra-prima de 7,5 milhões de dólares, um tributo à engenharia náutica, tido como insubmersível pelos especialistas, não concluiu sua primeira viagem. Tal tragédia lembra-nos do perigo de se confiar nas aparências. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
O Que Te Falta?Meditações Diárias 2014 – 15 de abril
Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta. Marcos 10:21
Essa é a narrativa do jovem que vai a Jesus e diz: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Mc 10:17). “Por que me chamas bom?” (v. 18). Essa é a resposta de Cristo, buscando desarmá-lo e forçá-lo a pensar. “Em que sentido Eu lhe pareço bom?” Então Ele leva o rapaz a extrair uma resposta dos próprios recursos. O jovem conhecia os mandamentos e os guardava desde a infância, mas isso não lhe dera nenhuma segurança espiritual, o que sugere um problema em sua religião.
Não há qualquer razão para pensar que ele fosse um hipócrita ou arrogante. Jesus aceita sua sinceridade e nada diz em contrário à sua afirmação. O moço tinha buscado viver pelas regras, contudo sentia-se vazio e, mais que isso, fora do círculo da vida eterna, alienado de Deus. Ser bom guardador da lei não fora suficiente. Ele sentia que havia algo mais a ser experimentado, mas não sabia precisamente o que era. Para muitos, a vida cristã é uma questão de alvos e a realização deles. Algo que deve ser vivido de acordo com algumas metas. Esse jovem havia alcançado seus alvos. “Que farei?” Ele pensa que conhece o método. Para ele, salvação é uma questão de “fazer”. Aí reside o problema.
O texto de hoje, diz que Jesus olhou para o jovem e “o amou”. Seu coração se enterneceu. Esse moço não era uma fraude. Era sincero, e Jesus buscou libertá-lo das algemas, dizendo: “Só uma coisa te falta.” Então, segue uma sequência de cinco imperativos: “Vai, vende [...], dá [...]; vem e segue-Me” (v. 21). O terceiro e quarto imperativos são separados por uma promessa: “E terás um tesouro no Céu.” Jesus intencionou que esse fosse o momento da grande libertação. “Vem e segue-Me”: aí está a ênfase e a resposta de sua busca. Jesus buscou satisfazer a necessidade mais profunda, libertá-lo da vida mesquinha e das garras do poder que o fazia viver numa concha. Havia, no centro da existência, um ídolo que necessitava ser desalojado. “Ele, contrariado com essa palavra, retirou-se triste” (v. 22).
O que ele queria? Um “remédio doce”? E você, querido irmão ou irmã, o que lhe parece difícil deixar para ser um verdadeiro discípulo de Cristo? Provavelmente, aí está seu ídolo. O chamado para romper com nossas idolatrias deve ser visto como um ato libertador. Lembre-se: por Jesus, realmente não deixamos nada que, afinal, não seja para nosso bem permanente. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
O Incomparável Jesus CristoMeditações Diárias 2014 – 16 de abril
E toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. Filipenses 2:11
O impacto de Jesus sobre a história e a vida de homens e mulheres é inigualável. Muitos governantes, líderes militares, políticos, gênios, artistas, filósofos e teólogos vieram e se foram. Alguns entraram para a história. Mas todos eles estão soterrados nas areias do tempo. Apenas Cristo permanece tão atual como o jornal que vai sair amanhã. Sua pessoa inspirou milhares de livros e músicas. Seu lugar entre todos os nomes é insuperável.
James Allan Francis escreveu uma belíssima página sobre Jesus Cristo, com o título “Uma Vida Solitária”:
“Ele nasceu numa vila obscura, filho de uma camponesa. Cresceu em outra vila, onde trabalhou numa carpintaria até os 30 anos. Então, por três anos, foi um pregador itinerante. Nunca escreveu um livro. Nunca assumiu qualquer posição. Nunca teve uma família ou possuiu uma casa. Ele não cursou uma faculdade. Nunca visitou uma cidade grande. Nunca viajou mais de 350 quilômetros além do lugar onde nascera. Não fez qualquer uma daquelas coisas que normalmente associamos com grandeza. Tinha apenas 33 anos quando a maré da opinião pública se ergueu contra Ele. Seus amigos O abandonaram. Foi entregue aos inimigos e suportou o escárnio de um julgamento injusto. Foi pregado numa cruz entre dois ladrões. Enquanto morria, Seus executores disputavam Seu manto, Sua única propriedade. Depois de morto, foi colocado em um túmulo emprestado pela piedade de um amigo.
“Dezenove séculos vieram e se foram. Hoje Ele permanece como o personagem central da humanidade, o líder de todo avanço humano. Todos os exércitos que já marcharam, todos os navios que já navegaram, todos os parlamentos que já se reuniram, todos os reis que já reinaram, colocados juntos, não tiveram sobre a vida dos homens neste planeta o impacto que teve essa única vida solitária.”
De muitas maneiras, Seus inimigos têm tentado transformá-Lo em um mito e descaracterizar Sua identidade exclusiva. Filmes e canções irreverentes, produtos da ficção humana, surgem de tempos em tempos. Nisso eles não ficam muito longe dos Seus inimigos clássicos: Anás, Caifás, o Sinédrio, Herodes, Pilatos, fariseus e saduceus. Mas Jesus permanece e tem a última palavra sobre a vida e a morte. Seja hoje uma testemunha dEle, onde você estiver. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
BarrabásMeditações Diárias 2014 – 17 de abril
Naquela ocasião, tinham eles um preso muito conhecido, chamado Barrabás. Mateus 27:16
Os quatro evangelhos fazem referência a Barrabás, uma figura misteriosa que surge em conexão com o julgamento de Cristo. A tradição a seu respeito é reticente. Prisioneiro, ele aguardava a execução. Desejando libertar Jesus, talvez influenciado pela mensagem de sua esposa, Pilatos sugere uma escolha entre os dois: Jesus ou Barrabás? Ele é colhido por uma estarrecedora surpresa: “Solte-nos Barrabás”, grita a multidão.
Qual é a razão para uma escolha como essa? Os líderes religiosos daquele tempo sabiam que poderiam prender Barrabás novamente, quando necessário. Mas como poderiam silenciar alguém como Jesus Cristo? Como parar um Homem que, sem qualquer arma, representava um perigo revolucionário capaz de subverter o judaísmo e todo o Império Romano? O que fariam com Alguém cujas armas eram Suas novas ideias sobre Deus e as pessoas, capazes de explodir as velhas categorias religiosas? Barrabás poderia explorar seus conterrâneos, mas ele não ameaçava governar a vida de ninguém. Por outro lado, Jesus apresentou um reino que governa de dentro para fora. Sem imposição, conduz a uma lealdade superior à vida e à morte.
Naquela tarde da Páscoa, três ladrões, talvez do mesmo grupo, deveriam ser crucificados: Dimas, Gestas e Barrabás. Barrabás é liberto no último instante, e Jesus é crucificado em seu lugar. Aqui nós temos a mais perfeita ilustração do princípio da substituição. A história de Barrabás é a história da salvação por meio da morte de Jesus Cristo. Seu nome, “Bar Abba”, significa “filho do pai”. Como ele, todos nós, filhos do pai Adão, somos culpados de rebelião e sedição contra Deus, ladrões de Sua glória, assassinos de nós próprios e de outros, prisioneiros do pecado. Barrabás, no corredor da morte, apenas aguardava a execução. Ele deve ter olhado para as palmas de suas mãos, imaginando como seria a dor dos cravos rasgando a carne, dilacerando a cartilagem e os ossos. Ouviu então o sinistro barulho da chave abrindo a pesada porta de ferro. Ouviu os passos dos guardas. “Chegou minha hora”, pensou. Sua cabeça estava pesada e confusa.
Parecia até ouvir seu nome gritado por enorme multidão. Ainda não sabia exatamente o que estava acontecendo. Abismado, ouviu que estava livre: “Pode ir para casa.”
Isso é substituição: Jesus tomou nosso lugar. Ele foi feito pecado para que sejamos feitos justiça de Deus. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Outro Tipo de Rei Meditações Diárias 2014 – 18 de abril
Tornou Pilatos a entrar no pretório, chamou Jesus e perguntou-Lhe: És Tu o rei dos judeus? João 18:33
Educado por Roma, Pilatos era um homem que pensava de modo prático. Tudo o que ele queria era uma resposta simples. Preto no branco, breve. Do estilo verdadeiro ou falso. Não posso deixar de pensar que Pilatos estava estarrecido. À sua frente, encontrava-se Jesus, enfraquecido pela noite anterior de abusos, lábios inchados, marcados por sangue ressecado. Desacompanhado, sem qualquer comitiva em Seu favor. Certamente não havia nada nEle que parecesse real. Ridicularizado, coroado com espinhos, com filetes de sangue vivo ainda a escorrer, uma jocosa capa vermelha, Sua posição não parecia adequada a um rei. Mas o Homem intrigava o procurador.
Os olhos de Pilatos haviam sido treinados pelo que já vira acerca de reis. Mas a experiência passada não o havia preparado para Jesus. Ele sabia apenas de reis mantidos pelo sangue e pela espada. Um rei sem aparente poder não fazia sentido para Pilatos. Sem dúvida, ele estava familiarizado com a saga de assassinatos e traições que caracterizava Herodes e seus sucessores. Ele deveria conhecer melhor ainda Tibério César, que não hesitara em mandar matar seus rivais. A história dos césares que haviam precedido Tibério deveria ser familiar a Pilatos. É nesse contexto que ele pergunta se Jesus é um rei.
Diante dessa realidade, não poderia haver resposta simples que não produzisse mal-entendido ainda maior acerca da verdade. Muito preconceito deveria ser antes removido da cabeça de Pilatos. Jesus testou o homem que o julgava: “Essa pergunta é tua, ou outros te falaram a Meu respeito?” (v. 34, NVI). Embaraçado, Pilatos mudou de estratégia. “Que fizeste?”, ele perguntou (v. 35). A resposta de Jesus o deixou ainda mais perplexo: “O Meu reino não é deste mundo. Se o Meu reino fosse deste mundo, os Meus ministros se empenhariam por Mim, para que não fosse Eu entregue aos judeus” (v. 36). “Meu reino não é deste mundo!” Não há nenhum domínio para ser protegido. Nenhuma fronteira para ser guardada. Nenhum exército a ser treinado. Nenhuma submissão a ser imposta. Um reino sem coerção. Este é o reino de Cristo. Este é o reino da graça!
Jesus desmente a ideia de que o poder começa no final do cano de uma arma, com a ponta de uma espada ou com imposições. Para Ele, o poder vem pela submissão a Deus. De fato, nos lábios de Cristo, o reino de Deus não é primariamente um lugar, mas um relacionamento com a pessoa do Rei. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Seu Lugar Junto à CruzMeditações Diárias 2014 – 19 de abril
E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-Lhe a cruz. Marcos 15:21
Os dias de Sua popularidade estavam no passado. Depois da ceia naquela quinta-feira, Jesus começa a sentir a intensidade e o peso do pecado, como substituto do homem culpado. No Getsêmani, Ele antecipa os horrores da segunda morte. Grossas gotas de sangue brotam dos poros, em resultado da extrema angústia. Sua convulsão é testemunhada apenas pelo silêncio das velhas oliveiras. Sua hora chegou! Preso, é submetido a cinco julgamentos irregulares, sob acusações ridículas. A essa altura, Jesus já deveria estar em estado crítico: sem alimento, água, em pé por muitas horas, esbofeteado, açoitado, coroado de espinhos. Finalmente, colocam sobre Ele a cruz (Jo 19:17), pelo menos a haste horizontal (patibulum), com um peso que podia variar de 15 a 30 quilos. Isso se prova muito para ele.
A caminho do Calvário, grandemente enfraquecido, a pele e os músculos dos ombros dilacerados, Jesus cai. A multidão O aperta.
Nenhuma fisionomia amiga. Os discípulos haviam fugido. Deus abandonado por Deus! Um homem que passa, talvez parando por curiosidade para ver a causa da comoção, é subjugado por mãos rudes e obrigado a tomar a cruz. Qual teria sido a reação inicial de Simão? Seu olhar se cruza com o olhar do Condenado. Simão observa melhor Seu semblante pálido, hematomas nos olhos, lábios inchados, fios de sangue ressecado marcando Sua face. No Homem, há algo que prende sua atenção. Ellen White sugere que Jesus nunca parecera tão belo, com a dignidade de um rei no trono.
Simão ligou-se ao drama do Universo no momento em que as portas do Céu se fecharam, impedindo que os anjos interviessem em missão de socorro. Quem era o homem ao lado de Cristo? Um judeu da diáspora, um prosélito que fora a Jerusalém para a Páscoa, como tantos outros (At 2:10)? Qual a impressão final do Calvário sobre ele, que inicialmente era apenas um curioso? Certamente o Espírito Santo lhe iluminou a alma. Seu testemunho alcançou depois a família. Por que haveria Marcos de mencionar seus filhos, Alexandre e Rufo, não fossem eles conhecidos na igreja de Roma, como indicado em Romanos 16:13? A história de Simão é representativa. Ela é um convite para nossa identificação com a cruz. Depois disso, nunca mais seremos os mesmos. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
O Poder de Sua Ressurreição – 1 – Meditações Diárias 2014 – 20 de abril
E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. 1 Coríntios 15:17
Na penumbra que conduzia à sepultura, as mulheres que iam visitá-Lo, no domingo cedo, provavelmente se apegavam a uma tênue esperança. Um perfume distante de lírio, mirra e aloés enchia o ar. Os lençóis que O haviam envolvido estavam marcados por manchas escuras de sangue. Do interior, contudo, vinha uma torrente de luz, como um sol que nasceu para nunca mais se pôr. “Ele não está aqui.” As palavras do anjo ecoaram como a voz de mil trombetas. Jesus voltara da morte. “Meu Senhor, que manhã!”, diz o hino negro spiritual.
A ressurreição de Jesus é a mais estupenda antecipação da fé. Não mais sofrimento nem derrota. Não mais separação. Nossas palavras são incapazes de capturar esse momento. John Masefield conta a história de uma mulher viúva que presenciou a execução de seu filho. Tudo o que lhe resta então é orar. E sua oração centraliza-se na esperança da vida eterna: “Preciso de repouso [...]. Repouso das coisas quebradas. Coisas tão partidas para serem consertadas.” Apenas o Deus da ressurreição é adequado para as coisas partidas que desafiam consertos. Abraçar a ressurreição de Jesus é crer na presença de uma realidade maior que a vida, capaz de iluminar o presente e o futuro.
A respeito da ressurreição, os cristãos creem em quatro verdades revolucionárias. Duas delas serão consideradas a seguir. As outras duas serão vistas no texto de amanhã. Primeiramente, ela é central, como afirma Paulo (1Co 15:16-19). Sem ela, tudo seria escuridão e morte. O desespero teria a palavra final, e nossa pregação seria loucura. Foi a ressurreição que projetou a igreja e levou o Novo Testamento a ser escrito. Ela confere credenciais à pregação. Confere poder para realizarmos obras de amor e compaixão
em nome de Cristo. Se não cremos nela, não somos Seus discípulos.
Em segundo lugar, a ressurreição é confortadora. Sem ela, na presença da morte, não veríamos significado em nada. O apóstolo Paulo afirma que Jesus é “as primícias dos que dormem” (1Co 15:20). Ele é o penhor da vida para todos os que adormeceram nEle. Esta é nossa confiança e nossa certeza, nossa fortaleza e refúgio. Ao depositar nossos queridos, amigos e parentes na sepultura, ainda podemos cantar. As palavras de Cristo ressoam em meio à dramática realidade: “Porque Eu vivo, vós também vivereis” (Jo 14:19). Porque Ele vive, a morte não é o ponto final. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
O Poder de Sua Ressurreição – 2 – Meditações Diárias 2014 – 21 de abril
Para O conhecer, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, conformando-me com Ele na Sua morte. Filipenses 3:10
Grandes homens podem nos ensinar a morrer com dignidade, mas apenas Jesus Cristo nos ensina a morrer com esperança. A morte morreu naquela sexta-feira quando Ele pendeu a cabeça. O atestado de óbito da morte foi emitido, no domingo, quando Ele partiu seus grilhões. Afinal, o coro de milhões de vozes entoará um cântico que encherá o Universo com uma nota de desafio: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Co 15:55). Tragada para sempre terá sido a morte pela vitória.
A ressurreição de Cristo, como vimos ontem, é central, o fundamento da esperança cristã. Mais ainda, ela é confortadora; os que dormem nEle não estão esquecidos pelo Senhor. Além disso, a ressurreição constitui um desafio. Ela nos deixa com a tarefa de “contar a história”. Essa foi a primeira missão das mulheres que ouviram da ressurreição. Esse magnífico evento deve criar em nós o desejo de partilhar com os outros o seu poder, que subverte os poderes da morte. Em nossos encontros, em geral, falamos de tudo: economia, esportes, clima, pratos prediletos, entre outras coisas. De alguma forma, contudo, permitimos que o mundo nos convença de que religião é algo de caráter “privado”, e deveríamos silenciar em relação a ela. Mas Deus colocou no DNA humano a busca de significado, o desejo de uma conexão com o transcendente. A certeza de que Cristo ressuscitou deve operar em nós uma ressurreição similar, trazendo nova esperança e novo poder.
Finalmente, as boas-novas da ressurreição significam poder. Tal poder levou a igreja primitiva a sair de seu esconderijo, abandonando o medo e a perplexidade. Como afirma o texto de hoje, Paulo passou a viver no poder da ressurreição. Jesus havia voltado da morte. Para nós, como para aqueles primeiros cristãos, há poder para viver com confiança. Existe algo no que esperar, em que nossa busca por permanência, afinal, é satisfeita plenamente, em meio ao caos da presente era. Assim como todos morremos no primeiro Adão, os que O recebem vivem no Segundo Adão. Aleluia, glória ao Cordeiro que foi morto e vive! Há poder para vivermos livres das dúvidas, do medo e das forças que nos oprimem. O poder da ressurreição representa libertação, certeza da vida eterna, triunfo sobre a solidão. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
O Poder da GraçaMeditações Diárias 2014 – 22 de abril
Mas ide, dizei a Seus discípulos e a Pedro, que Ele vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como Ele vos disse. Marcos 16:7
Pedro vira Jesus muitas outras vezes antes, em diferentes circunstâncias. Ele O tinha visto Se levantar e acalmar a tempestade com uma única palavra. Ele próprio fora resgatado quando afundava nas águas da noite tempestuosa. Pedro tinha visto Jesus estender as mãos e, com um toque, curar leprosos. Pedro testemunhara a cena em que Jesus tinha ressuscitado um morto, enterrado havia quatro dias. Estivera com Jesus no monte da transfiguração e vira Sua glória. Havia pessoalmente visto Jesus submetendo e expulsando demônios. Mas nada disso o havia convertido.
Agora, em imenso contraste, Aquele que repreendera os ventos, curara leprosos, ressuscitara mortos e fora glorificado no monte está ali, à sua frente, sozinho, sofrendo o abuso dos homens, acusado e desprezado. Na providência divina, o cantar de um galo chama a atenção de Pedro para Cristo, e os olhares se cruzam. Jesus tentara antes chamar a atenção de Pedro para conduzi-lo a uma compreensão realista de si, de sua autossuficiência e arrogância. Mas a tentativa não surtira qualquer efeito. Agora, é o olhar de Jesus que o toca e comove. Não há nenhuma repreensão ou acusação naquele olhar. Isso faz o que nada tivera poder de realizar. Esse é o poder inexplicável da graça. Mais bela e poderosa do qualquer outro recurso, a graça nos constrange, subjuga, persuade e transforma.
Certamente o olhar de Cristo alcançara Pedro, mas ele tinha que ser restaurado diante dos outros do grupo. Pedro ainda sente-se curvado sob um enorme fardo de vergonha e remorso. As mulheres vão ao sepulcro. “Ele não está aqui”, diz um anjo (Mc 16:6). No verso seguinte, Pedro é nominalmente mencionado. Jesus queria encontrar-Se com ele. Como você acha que Pedro teria se sentido ao ouvir isso? Jesus, o líder extraordinário, estava erguendo Seu discípulo. Em 1 Coríntios 15:4 e 5, Paulo sugere que, antes de Jesus aparecer a qualquer outro, Ele teve uma audiência a sós com Pedro. Na privacidade desse encontro, Pedro teve a oportunidade de dobrar-se perante Cristo e pedir perdão por todos os anos de cegueira. E lá, só eles dois, Jesus restaura Pedro completamente. “Pedro, Eu o perdoo. Eu havia orado por você. Agora, vá e testemunhe de Mim.”
Esse perdão e também esse desafio são colocados diante de nós hoje. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
O Resultado da GraçaMeditações Diárias 2014 – 23 de abril
À vista disto, Pedro se dirigiu ao povo: Israelitas, por que vos maravilhais disto [...] como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? Atos 3:12
A evidência da conversão de Pedro se revela no livro de Atos. Ele vai ao templo com João. Encontram-se com um homem coxo e, em nome de Cristo, o curam. Então, “todo o povo correu atônito para junto deles” (v. 11). Pedro está no meio do círculo, sob holofotes, com o troféu da cura ao seu lado. Depois de tanto tempo ansiando poder, fama, prestígio, buscando ser o primeiro, tentando ser notado, chega a oportunidade. O irônico é que, quando ele tem a oportunidade, não tem mais o interesse. Pedro é outro homem. Desvia o foco da atenção de si para Jesus: “Por que fitais os olhos em nós?” (v. 12). O espetáculo aqui não é a cura do coxo, mas a cura de Pedro. Transformado, ele aprendera qual é o lugar do discípulo.
O desdobramento da história aparece em Atos 4. Pedro e João são encarcerados “até ao dia seguinte” (v. 3). Dentro de algumas horas, ele teria outro encontro com Caifás. Da última vez, seu desempenho fora um vexame. Mas, agora, ele podia dizer com convicção que seria diferente. “No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém as autoridades, os anciãos e os escribas com o sumo sacerdote Anás, Caifás [...] e todos os que eram da linhagem do sumo sacerdote” (At 4:5, 6). A reunião seria com os pesos-pesados do judaísmo. Um grupo poderoso, capaz de intimidar, tendo ainda nas mãos o sangue de Jesus.
“Mandaram trazer Pedro e João diante deles e começaram a interrogá-los:
‘Com que poder ou em nome de quem vocês fizeram isso?’” (v. 7, NVI). O circo está novamente montado. Com brilho de ódio nos olhos, eles não podem ocultar as intenções. A resposta vem de Pedro: “Então, Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: ‘Tomai conhecimento [...] de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em Seu nome é que este [coxo] está curado perante vós’” (v. 8-10).
Incrível! Pedro e João, cercados pelos poderosos representantes do Sinédrio, não retrocedem um milímetro. Caifás provavelmente pensou que poderia fazer a história daquela noite no pátio de sua casa se repetir. Pedro fala, mas note a qualificação: “cheio do Espírito Santo”. A graça divina dera à sua voz um tom de autoridade e poder que fez estremecer o Sinédrio. Precisamente o que Deus quer fazer conosco. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
O Que Jesus Fez Por VocêMeditações Diárias 2014 – 24 de abril
Cristo em vós, a esperança da glória. Colossenses 1:27
Recentemente, comprei um pequeno livro curiosamente intitulado 101 Things Jesus Has Done for You (101 Coisas que Jesus Fez por Você), escrito por Jessica Inman. O livro é um tipo de celebração daquilo que as Escrituras testemunham que Jesus Cristo fez por nós. Em cada página, há um texto bíblico e um pequeno comentário. Claro, essas “101 coisas” não poderiam esgotar tudo o que Jesus fez e faz por nós.
De fato, tudo o que Jesus fez por nós não caberia em nenhuma lista. Deus colocou em nossa galáxia um símbolo de Cristo: o Sol. O que o Sol é para a Terra, Jesus é para nossa vida. Sem Ele, a vida não seria possível. Quando Cristo Se torna o centro de nossa vida, o contentamento substitui nossa ansiedade, nossos medos e inseguranças. Em consequência, três dos mais eficientes inimigos da alegria são subvertidos:
1. Cristo nos liberta da visão limitada e amplia nossos horizontes. Isso nos assegura nova confiança. Algemas que nos prenderam por muito tempo são partidas. O que grandemente nos incomodava ganha outro significado e pode ser visto com a marca de Deus em nós, uma característica particular de Sua graça. Mais ou menos como o “espinho na carne” de Paulo (2Co 12:7-10).
Então, como o apóstolo, experimentamos força e vitória na fraqueza.
2. Cristo nos liberta de nossa preocupação com a opinião dos outros. Isso eleva o nível de nosso contentamento e senso de adequação. As “observações” e críticas vindas de outras pessoas não serão tão importantes. Charles Cooley, sociólogo moderno, formulou uma lei interessante. Segundo ele, “nós não somos quem pensamos ser, mas somos o que pensamos que a pessoa mais importante em nossa vida pensa a nosso respeito”. Quem é a pessoa mais importante em sua vida? Se Jesus ocupa tal lugar, você experimentará libertação e segurança inigualáveis. O que Ele pensa a seu respeito? Olhe para o Calvário. Para Ele, você é alguém único, especial, tão valioso, tão importante, que Ele morreu para que você viva. O que outros possam pensar já não será mais o ponto de referência.
3. Jesus Cristo acalma nossos temores em relação ao futuro. Isso provê esperança incomparável e certeza nos desafios diários. E o amanhã? Cristo já o conhece; assim, Ele não pode ser tomado de surpresa. Não sabemos o que nos aguarda no futuro, mas sabemos com quem podemos aguardar o futuro. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Debaixo do SolMeditações Diárias 2014 – 25 de abril
Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento. Eclesiastes 2:11
A revista americana Forbes devotou o número comemorativo de seu 75º aniversário, em 1992, a um único tópico: “Por que nos sentimos tão mal quando temos tudo para nos sentir tão bem?” Observando que os norte-americanos vivem, do ponto de vista material, melhor que qualquer outro povo ao longo da história, a revista convidou 11 observadores da cultura moderna para analisar a razão de tão alto índice de depressão, ansiedade, desajustes e suicídios. A causa dominante foi atribuída à alarmante perda dos valores absolutos e do próprio significado da vida.
Peggy Noonan, jornalista da rede de televisão CBS e escritora de discursos dos presidentes Ronald Regan e George Busch, observou que “somos a primeira geração que esperou encontrar a felicidade aqui na Terra, e essa busca tornou-nos grandemente infelizes”. Materialismo, realização profissional e financeira, relacionamentos e prazer são em geral as avenidas comuns percorridas por milhões de pessoas na tentativa de serem felizes. Nessa busca, o homem moderno transformou seu mundo em um grande parque de diversão. Tal sociedade deveria ser a última a sentir-se enfadada, angustiada e deprimida, mas esse não é o caso.
Salomão inicialmente tentou toda sorte de experimentos na busca da felicidade. Leia o capítulo 2 de Eclesiastes. Ele empreendeu grandes obras, edificou casas, plantou vinhas, fez jardins e pomares. Construiu açudes, comprou servos, possuiu bois e ovelhas. Amontoou prata, ouro e tesouros. Proveu-se de cantores, cercou-se de “mulheres e mulheres” (v. 4-9). Com que resultado? Ele descobriu aquilo que os psicólogos hoje chamam de “lei do retorno decrescente”. Como qualquer droga, o prazer exige doses cada vez maiores para produzir a mesma satisfação, e no final traz apenas o desespero e o desencanto. Salomão conclui, então, que “nenhum proveito havia debaixo do sol” (v. 11).
Salomão inicialmente buscou propósito “debaixo do sol”, expressão que ocorre 29 vezes no livro de Eclesiastes, para descobrir que a verdadeira felicidade só pode ser encontrada “além do sol”, nAquele que transcende a vida aqui. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Judas, o TraidorMeditações Diárias 2014 – 26 de abril
Jesus, porém, lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem? Lucas 22:48
De minha infância, trago memórias das celebrações da Páscoa, entre católicos, na maioria descendentes de italianos, em uma pequena cidade do interior capixaba. Lembro-me das cenas vívidas de linchamento de um boneco de pano, personificando Judas, espancado, apedrejado e dilacerado pelos participantes do cortejo. Judas é realmente o mais notório apóstolo de Cristo. Seu nome aparece sempre como o último em cada lista bíblica dos doze, nos evangelhos. Em cada caso, ao seu nome é acrescentada uma qualificação: “Aquele que O traiu.” Judas é o maior exemplo de fracasso em toda a história humana. Transformou em perfídia um dos mais sublimes gestos de amor: o beijo. Sua história escura é um sinistro exemplo das profundezas do mal de que o coração humano é capaz. Ele gastou três anos com Jesus, mas seu coração progressivamente se tornou um pedaço de granito.
Enquanto os outros 11 apóstolos representam para nós um enorme encorajamento, exemplificando como pessoas comuns podem ser usadas por Deus, Judas é uma solene advertência. Ele serve de alerta acerca do potencial maligno da indiferença espiritual, de privilégios desperdiçados e de oportunidades negligenciadas. Judas é a clássica ilustração de que vícios alimentados podem endurecer o coração.
Aqui está um homem que se aproximou do Salvador tanto quanto era possível. Desfrutou de Sua influência e testemunhou de forma íntima o que Cristo ensinou. Contudo, permaneceu em descrença, intocável, selando seu destino eterno de maneira irreversível.
Judas começou exatamente onde os outros iniciaram. Mas não chegou a desenvolver fé verdadeira e sincera. De modo contrário aos outros, ele não foi realmente transformado. Progressivamente se tornou mais e mais um filho do inferno. Daquilo que o Novo Testamento ensina sobre ele, aprendemos duas lições básicas. Primeiramente, sua vida nos relembra de que é possível estar perto de Cristo, em associação com Ele, mas viver essa experiência de modo superficial. Nesse caso, em vez de sermos transformados pela verdade, somos endurecidos por ela. Em segundo lugar, Judas nos relembra de que, a despeito da enormidade das traições humanas e atentados contra Deus, Seu propósito não pode ser subvertido. Os piores atos humanos, de maneira misteriosa, cooperam para que Seu soberano propósito prevaleça. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
O Maior Resgate da HistóriaMeditações Diárias 2014 – 27 de abril
Não se turbe o vosso coração [...]. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. [...] Voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. João 14:1-3
A revista Time, na edição de 19 de junho de 1995, em seu artigo de capa, intitulado “O Escape do Piloto”, conta a dramática história do capitão da força aérea norte-americana Scott O’Grady. Na guerra da Bósnia, ele tivera seu avião abatido por um míssil inimigo. Antes de descer para o mergulho fatal, ao sul de Bihac, O’Grady conseguiu ejetar-se do avião F-16.
No solo, usando o equipamento de sobrevivência, ele encontrou um rádio transmissor PRC-112. Por causa do mau tempo, O’Grady conseguiu fazer um só contato com outro piloto norte-americano, o capitão Thomas Hanford, indicando sua sobrevivência e localização aproximada. A partir daí, teria início o pesadelo de uma longa espera. Caçado pelos inimigos, fugitivo em um território desconhecido, solitário, com frio e faminto, alimentando-se de folhas, raízes e pequenos insetos, O’Grady se perguntava se alguém estaria preocupado com sua sorte.
As horas se arrastavam com lentidão, sem qualquer sinal de ajuda externa. O que o capitão Scott O’Grady não sabia é que, enquanto isso, a maior potência militar do planeta estava mobilizada para seu resgate. A inteligência militar norte-americana reunida no Pentágono, com o interesse direto do então presidente Bill Clinton, planejava cada detalhe da operação.
Finalmente, na madrugada de 8 de junho, seis dias depois da queda, Scott O’Grady foi resgatado em uma operação de precisão cirúrgica. Sua localização exata havia sido determinada com a ajuda de satélites, e ele foi transportado para casa a salvo.
O maior resgate de todos os tempos, contudo, encontra-se no futuro. Ao longo da história, os cristãos têm aguardado com paciência o retorno de Jesus. A esperança do segundo advento baseia-se em promessas específicas das Escrituras Sagradas. A fé nesse evento, como apresentada nos mais primitivos credos do cristianismo, é a afirmação da certeza de que Deus está no controle do Universo, é responsável por Sua criação e absolutamente fiel à Sua Palavra empenhada. “Virei outra vez” é a frase-chave da promessa. Desde que foram pronunciadas pelo Senhor, essas palavras têm ardido no coração de incontáveis cristãos, como tocha em meio a densa escuridão. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Lendas e BoatosMeditações Diárias 2014 – 28 de abril
A falsa testemunha não fica impune, e o que profere mentiras não escapa. Provérbios 19:5
Enquanto vivi no Canadá, veio-me às mãos um texto que traduzi. Trata-se, aparentemente, de uma bela mensagem de ânimo e motivação. O texto refere-se a um momento crítico na vida da águia que a força a tomar uma decisão drástica. Veja o relato:
“A águia, o pássaro que mais vive em sua espécie, chega até 70 anos. Mas, aos 40 anos, uma águia depara-se com uma crise extraordinária. Ela deve então escolher renovar-se ou morrer. Aos 40 anos, suas garras estão compridas e flácidas. Ela já não consegue caçar ou segurar o alimento. Seu bico torna-se longo e curvo. Suas asas, pesadas em razão das penas velhas, estão apertadas contra o peito. Uma alternativa é deixar-se morrer. A outra é recolher-se nas alturas de um pico solitário. Aí a águia comprime-se contra o paredão e inicia um processo de renovação que dura 150 dias. Primeiramente, ela raspa o bico contra a parede até arrancá-lo e espera que o novo bico nasça. Então, ela arranca as garras enfraquecidas para que outras, novas e possantes, as substituam. Finalmente, ela retira suas penas velhas para que outras robustas surjam no lugar. Cinco meses depois, a águia inicia, como nova, o que se chama de voo da renovação, para viver mais 30 anos!”
Extraordinário, não? Usei essa ilustração uma ou duas vezes, fazendo as aplicações óbvias para a vida cristã, que com a rotina se desgasta e envelhece. Pensei em incluí-la neste livro, com esse mesmo objetivo. Mas descobri um sério problema com a narrativa: ela não é verdadeira! Busquei várias fontes, consultei livros e especialistas, mas consistentemente tais fontes apresentam as incorreções científicas e lógicas que tornam a história improvável. A mais evidente: como poderia a águia sobreviver cinco meses sem o bico? Em resumo, é pura lenda.
Às vezes, penso seriamente sobre a origem das “lendas”. E o que dizer dos boatos tão comuns sobre pessoas que conhecemos? Como devemos agir diante de inverdades que destroem vidas e reputações? Não creio que a ilustração da águia, embora uma lenda, possa causar grandes males, mas esse não é o caso de outras “estórias” inventadas, ampliadas ou maldosamente divulgadas pela maledicência dos que se julgam superiores por terem informações “privilegiadas”. Diante de um boato, pergunte-se: É verdadeiro? É necessário? A quem interessa? (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
Quando o Sucesso FalhaMeditações Diárias 2014 – 29 de abril
Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e o mais Ele fará. Salmo 37:5
Voando de Toronto para Orlando, onde iria servir como tradutor para a língua portuguesa do evangelismo via satélite do pastor Mark Finley, não pude deixar de observar dois casais assentados do outro lado do corredor. As esposas iam juntas na cadeira detrás. As crianças, também juntas, estavam em bancos mais distantes. Na frente, iam os dois homens, na posição paralela ao meu assento.
Aparentemente, eram sócios que estavam saindo de férias. Mas aqueles homens pareciam distantes da família. Tinham os computadores abertos e discutiam os investimentos feitos, analisando detalhes administrativos da empresa. Pareciam estar em uma viagem de negócios, embora todos vestidos para visitar a Disney World. Pensei comigo: Qual será o significado das férias para essas esposas e filhos? Hoje, anos depois, ainda penso neles: Como estariam?
Para muitos, a magia do casamento é o sucesso financeiro. Imagine quantos cônjuges se tornam alienados um do outro e dos filhos, perseguindo a “borboleta dourada” ou a “mosca azul” do sucesso profissional e econômico, julgando que isso dará estabilidade ao casamento. E, no processo, o que realmente acontece?
Recentemente, conheci um livro extraordinário de Steven Berglas, intitulado The Success Syndrome (A Síndrome do Sucesso). O livro aponta os perigos interpessoais, emocionais e psicológicos do sucesso na sociedade moderna. Berglas observa que o “sucesso” representa, muitas vezes, o início do comprometimento moral das pessoas que lutam para alcançar o “topo” da pirâmide. A ironia é que, quando chegam lá, elas realmente chegaram ao fundo do poço em sua vida familiar, moral e espiritual. Com frequência, os filhos, o cônjuge e a família de modo geral são destruídos e deixados para trás como fragmentos abandonados à margem da estrada. Não é estranho que aquilo que julgamos ser a chave da felicidade se torne precisamente a causa de nossa infelicidade e destruição?
Por isso, as Escrituras são tão enfáticas: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e o mais Ele fará.” O texto não sugere preguiça, falta de esforço, dedicação ou planejamento. Tudo o que é sugerido é que devemos ter um profundo senso do que é prioritário. As primeiras coisas em primeiro lugar. Devemos nos lembrar de que todo o sucesso alcançado fora de casa não compensará o fracasso no próprio lar. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)
PrioridadesMeditações Diárias 2014 – 30 de abril
Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Salmo 127:1
O salmo 127 trata de algumas das preocupações universais do ser humano: construir, proteger, realizar. Não realizar nada, não construir e não proteger seriam atitudes consideradas insensatas. Contudo, a mensagem central desse salmo é que não há sacrifício nem trabalho humano que sejam capazes de substituir a presença de Deus.
O verso 2 não sugere que o esforço no trabalho seja errado. O que é errado é deixar Deus de fora de nossos esforços. Se o Senhor não é incluído como o fundamento daquilo que fazemos, o que fazemos não passa de árvore marcada para cair. Tudo aquilo que tem base falsa, a despeito de nossa dedicação e ansiedade, não passa de futilidade. É correr atrás do vento!
O ser humano, sem a assistência divina, facilmente pode perder o senso do que é importante. Passa a confundir o ouro verdadeiro com lata e perde o que realmente tem significado. O que ganharão afinal os homens de negócios que trabalham desde manhã até a noite e, para completar a rotina, ainda levam trabalho para casa? Alienação e distanciamento da família? Saúde debilitada? Vida abreviada? O que edificarem será com grande probabilidade mal gasto por aqueles que nada fizeram.
Ironicamente, o salmo 127 é um dos poucos salmos atribuídos a Salomão, o velho rei de Jerusalém que, em parte de sua vida, esqueceu-se do que era prioritário. Edificou casas, plantou vinhas, entregou-se a diversões, construiu palácios e acumulou riquezas (Ec 2:3-11). Mas sua edificação, tanto literal quanto figurativa, foi destruída. Seu reino pereceu em ruínas. Seus casamentos se tornaram uma desastrosa negação de Deus e uma enorme fonte de frustração.
O que aconteceria se hoje, em vez de atolar-se em trabalho, você se desse ao luxo de completar o dia com outras atividades que talvez não lhe tragam resultados imediatos? Que tal se você, neste dia, reservasse tempo para almoçar com o cônjuge, fizesse um piquenique com os filhos, visitasse seus pais ou alguém idoso ou enfermo? Difícil? Pense no seguinte: em dez anos, tais atividades serão as mais lembradas. Os negócios e preocupações que lhe parecem tão importantes hoje terão desaparecido, e você não terá deles a mínima lembrança. (Clique aqui: Comentário da Lição – Ligado na Videira)

Meditações Diárias – Meditação Matinal – Março 2014 – Amin Rodor – Encontros com Deus

Daniel, Servo do AltíssimoMeditações Diárias 2014 – 1º de março
Disseram, pois, estes homens: Nunca acharemos ocasião alguma para acusar a este Daniel, se não a procurarmos contra ele na lei do seu Deus. Daniel 6:5
Daniel é um daqueles personagens da Bíblia que nos impressionam por sua fidelidade a Deus. Na abertura do livro, somos informados de que “resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei” (Dn 1:8). Embora alguns gostem de enfatizar a segunda parte do texto, discutindo a preocupação com a dieta alimentar, o que me impressiona é a primeira seção, focalizando sua decisão que antecede as prováveis dificuldades na corte de Babilônia. Daniel não é do tipo de deixar decisões importantes para o momento da tentação. Quando ela chega, ele já sabe o que fazer. Outro aspecto do caráter de Daniel é evidente no texto de hoje. Mesmo sob a observação de inimigos, nada pode ser encontrado contra ele.
O capítulo 3 do livro de Daniel é paralelo com o capítulo 6. Primeiro, três figuras solitárias, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, os amigos de Daniel, erguem-se na planície de Dura, enfrentando a ameaça da fornalha ardente. Uma pergunta comum é: Onde estava Daniel então? Não sabemos, e isso realmente não importa. Quando sua hora de teste chega, ele se comporta à altura de seus amigos. Daniel sabia da ameaça dos inimigos. Em 30 dias, ninguém poderia fazer nenhuma petição a qualquer deus, apenas ao rei (ver Dn 6:7). Não se trata de um pecado que ele não quer cometer, mas de um dever que ele não pode deixar de cumprir. Seus amigos se recusaram a prestar homenagem idolátrica. Daniel, por sua vez, recusa-se até mesmo a omitir ou ocultar sua adoração ao Deus verdadeiro.
Os inimigos contavam com a integridade de Daniel. E não foram decepcionados. O que faria você no lugar dele? Alguns, provavelmente, encontrariam razão para racionalizar a conduta, pensando: “Fecharei a janela; afinal, Jesus não disse que é assim que devemos orar?”
Outros poderiam se desculpar da seguinte maneira: “Poço orar mentalmente. Por que me expor ao perigo?” Mas a questão é outra: Por quanto tempo Daniel orava daquela forma? Provavelmente por mais de 60 anos. Sua atitude não era nova, muito menos uma encenação para impressionar. Mudar naquele momento seria equivalente a adotar a essência do decreto: submissão ao capricho humano. Este exemplo da história bíblica brilha como modelo de uma lealdade que não negocia nem transige. Representa um poderoso desafio à nossa fé, por vezes tão vacilante e incerta. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Monumentos Sobre a AreiaMeditações Diárias 2014 – 2 de março
Todo aquele, pois, que ouve estas Minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Mateus 7:24
Não muito longe de Lincoln, no estado do Kansas, um estranho grupo de estátuas se ergue em um velho cemitério. Um fazendeiro local chamado John Davis erigiu-as. Quando a esposa faleceu, ele encomendou os serviços de um profissional para esculpir uma estátua dele e da esposa assentados em um banco. Não satisfeito, ele encomendou uma segunda estátua. Esta era dele mesmo ajoelhado junto à sepultura de sua esposa. Insatisfeito ainda, ele encomendou uma terceira. Desta vez, de sua esposa ajoelhada junto à sua futura sepultura. John Davis gastou quase 250 mil dólares em suas estátuas. Quando era solicitado a ajudar alguma causa comum na pequena cidade, um hospital, uma escola ou um parque para crianças, ele se tornava hostil, alegando que a cidade nunca fizera nada por ele.
John Davis morreu aos 92 anos, pobre, dependendo da caridade pública. Em seu funeral, poucas pessoas compareceram. Apenas um indivíduo parecia realmente triste – Horace England, o escultor. Hoje, as estátuas erigidas por Davis estão curiosamente afundando no solo petrolífero do Kansas, vítimas do tempo, do vandalismo e do desinteresse. Tais estátuas são a triste lembrança de uma vida gasta em preocupações egoístas e fúteis.
E você, o que está construindo? Onde está colocando o fundamento de suas construções? Jesus encerra o Sermão da Montanha contando a parábola das duas casas, uma sobre a rocha e outra sobre a areia (Mt 7:24-27). A parábola ilustra a obediência ou a desobediência à Sua Palavra. Nossa opção não é entre construir ou não construir. Todos estamos “construindo”. Não há como fugir disso. O verdadeiro alicerce na parábola é a obediência. Obediência é a prova final de nossa fé. Como é fácil aprender um vocabulário religioso, textos bíblicos e hinos ficando limitados à aparência da construção sobre a areia.
Os dois homens da história tinham elementos em comum. Eles queriam construir uma casa, e ambos a fizeram de forma a parecer bela e forte. Porém, quando veio o julgamento – a tempestade – uma delas caiu. Qual a diferença? O alicerce. Precisamente aquilo que não podemos ver. Nos dias de sol, as duas casas podem parecer iguais. Mas os ventos, as chuvas e os rios revelarão onde construímos. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Os Vizinhos que Nunca se Encontraram – 1 – Meditações Diárias 2014 – 3 de março
Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele. Lucas 16:19, 20
Dives, que em latim significa “homem rico”, e Lázaro eram vizinhos. Diariamente passavam um pelo outro no portão da casa do rico. Mas, ao que parece, os dois realmente nunca se encontraram. A razão é reveladora: Dives vivia tão absorvido com seu indulgente estilo de vida que nunca notou a presença do pobre homem. Lázaro, como os pobres em geral, era “invisível”.
Muitos têm tentado usar essa parábola em apoio à teoria de um inferno em que as pessoas queimam eternamente, desenvolvendo assim uma precária geografia do Céu e do inferno. Porém, segundo Romanos 6:23, “o salário do pecado é a morte”. Não é uma “vida no inferno”. Esse texto diz ainda que “o dom gratuito de Deus é a vida eterna”. Vida eterna e morte eterna são colocadas em contraste; do contrário, nós teríamos dois tipos de vida eterna: uma no Céu e outra no inferno.
Jesus está usando linguagem figurativa. Termos como “sede”, “ponta do dedo”, “água”, “língua” e “seio de Abraão” não podem ser entendidos literalmente. Jesus utiliza noções comuns que haviam adentrado o judaísmo pós-exílico, sob a influência da filosofia grega, para ensinar uma lição básica: todos nós temos apenas uma oportunidade para servir, e essa é enquanto estamos vivos. Por esse caminho passamos apenas uma vez. Não há nenhuma possibilidade de retorno. Todo bem deve ser feito enquanto a porta da vida está aberta.
Essa é a única parábola em que um nome é atribuído ao personagem. Ironicamente, Lázaro significa “Deus é minha ajuda”. Cínicos poderiam zombar não do nome, mas do próprio Deus, que aparentemente não serve de ajuda aos milhões de famintos do mundo. O problema, contudo, não está com Deus, mas com Seus “mordomos”. Deus criou um mundo com alimento suficiente para todos, mas o mundo não tem o suficiente para a ganância de todos. Enquanto muitos não têm o que comer, quase 50% da população em países ricos é obesa. Os livros mais vendidos nesses países têm que ver com dieta. Como emagrecer. Não parece realmente irônico que acusemos a Deus dos desequilíbrios criados pelo próprio homem? Os Dives do mundo continuam sem se encontrar com os vizinhos pobres e indiferentes à sorte e à miséria deles. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Os Vizinhos que Nunca se Encontraram – 2 – Meditações Diárias 2014 – 4 de março
Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. Lucas 16:22
Jesus não economiza palavras para descrever o quadro. Lázaro, sobrevivendo de magra caridade, “jazia cheio de chagas”, indicando que ele era desabilitado, dependendo de outros para movê-lo. “Cães lambiam as suas úlceras” (v. 21), ele era incapaz mesmo de se proteger. Faminto, desejava alimentar-se das migalhas de pão que caíam da mesa do rico. No Oriente, pedaços de pão serviam tanto de garfo como de guardanapo, e eram jogados ao chão depois do uso.
A morte de Lázaro não surpreende ninguém. Seu enterro nem mesmo é descrito. Na sabedoria convencional dos judeus, a miséria na terra era resultado da desaprovação divina. O destino de Lázaro, entretanto, é o “seio de Abraão”. Reversão maior não poderia ser imaginada. Dives, o rico, também morre. Funeral custoso é realizado com o luxo adequado à sua riqueza, mas não há nenhum anjo para transportá-lo. Na próxima cena, encontramos Dives no Hades – na tradição grego/judaica, o lugar de tormento. O abismo entre os dois é maior do que aquele criado pela riqueza contrastante com a miséria da cena anterior.
Para os que querem literalizar a parábola, uma questão é interessante: deveriam explicar se o Céu e inferno estão próximos o suficiente para que haja diálogo entre um lado e outro. Na realidade, esses detalhes sugerem apenas um aspecto prático da vida, não uma teologia ou doutrina sobre o estado dos mortos.
Como se Lázaro fosse seu escravo, Dives pede ao “pai Abraão” que o mande trazer-lhe água e depois solicita que o envie a advertir seus cinco irmãos, que caminham para a mesma direção (v. 24-28). Há milhões que são imitadores do homem rico: “Eu creria se Deus fosse mais claro.” Assim, Deus é considerado culpado pela incredulidade deles. A resposta de Abraão é demolidora: “Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos” (v. 29). Se não crerem nesses, não crerão “ainda que ressuscite alguém dos mortos” (v. 31). A lógica de Abraão é confirmada pela ressurreição de outro Lázaro (Jo 11). Em lugar de crerem, o milagre tornou-se razão para endurecimento adicional. Deus fala por meio de Sua criação, da história, da Palavra escrita e da Palavra encarnada, Jesus Cristo. Não necessitamos de nada mais. O que realmente precisamos é de um coração sensível. Nosso problema não é revelação insuficiente, mas fé insuficiente. Afinal, não é a riqueza que exclui Dives do Céu, mas sua incredulidade. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Repensando a ParábolaMeditações Diárias 2014 – 5 de março
Porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. Lucas 16:28
A força da mensagem contida na parábola do rico e Lázaro tocou a vida de Albert Schweitzer. Ele viu a África como um mendigo, jazendo nos portões da Europa. Como médico cristão, dedicou-se em serviço de compaixão no continente africano. O propósito dessa parábola, como vimos, não é oferecer uma doutrina sobre o estado dos mortos, mas chamar nossa atenção para a oportunidade de utilizar nossos recursos para servir enquanto temos vida.
A dramática narrativa foi provavelmente precipitada pela atitude dos fariseus, que “amavam o dinheiro” (Lc 16:14, NTLH). Quando esses “piedosos” atores ouviram que, segundo Jesus, é impossível “servir a Deus e às riquezas” (v. 13), eles O ridicularizaram (v. 14). Jesus conta então essa história (v. 19-31). O drama em três atos nos estarrece. Primeiro, Jesus descreve o contraste dos estilos de vida dos personagens. Lázaro, o mendigo, permanece “invisível” em sua miséria. O rico vive de modo indulgente, em suas roupas e banquetes.
Hoje, mais que nunca, o uso egoísta das posses levanta barreiras. Socialites aparecem em festas extravagantes, com vestes de grifes de preços assombrosos, ou gastos patológicos com luxos para animais de estimação. No segundo ato do drama, os personagens surgem por ocasião da morte. Lázaro está próximo de Abraão, o pai de Israel. Dives teve funeral suntuoso, talvez até tenha sido declarado feriado. Mas foi para o hades – segundo a crença popular, o local de castigo. Não que ele fosse irreligioso, pois até clama ao “pai Abraão” (v. 24). Talvez tivesse sido um bom praticante da religião. Contudo, viveu sem amor, cavando fundas valas ao redor de si. A terceira cena é o diálogo entre o rico e Abraão. Os pedidos são negados, e Abraão afirma uma verdade universal: aqueles que são surdos à voz de Deus em Sua revelação não serão convencidos por milagres e sinais.
Qual o pecado de Dives? Nunca ter notado Lázaro. Qual é o nosso? Cada ano, entre 15 a 20 milhões de pessoas morrem de fome e enfermidades relacionadas a ela. Cerca de 12 milhões são crianças com menos de 5 anos.
A cada ano, 250 mil crianças se tornam cegas por falta de vitaminas. Você passa por muitas delas a caminho do trabalho, escola, igreja ou em sua porta. Você as vê? Nosso pecado é que simplesmente não fazemos nada. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Os Santos que Estão em… – Meditações Diárias 2014 – 6 de março
Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus. Efésios 1:1
Paulo inicia algumas de suas epístolas com este tratamento. Mesmo escrevendo à problemática igreja de Corinto, marcada por enormes dificuldades, divisões e heresias, o apóstolo chama seus membros de “santos” (1Co 1:2; 2Co 1:1). Mas, afinal, santos não são pessoas que já morreram e que em vida alcançaram tamanha preeminência espiritual que mereceram esse título?
Segundo a Igreja de Roma, Frei Galvão (1739-1822) é o único santo nascido no Brasil. Ele foi canonizado em 2007. De acordo com essa compreensão, para que alguém seja declarado santo, são necessários pelos menos dois milagres confirmados. Também há um longo e rigoroso escrutínio de conduta para que se determine se o candidato se qualifica para o título.
Talvez nenhuma palavra bíblica tenha sofrido mais deformação do que o termo “santo”. Mesmo no dicionário, o vocábulo é definido como aplicável a uma pessoa oficialmente reconhecida por excelência moral. O irônico é que as Escrituras nada sabem a respeito dessa crendice religiosa. Apenas na pequena Epístola aos Efésios, em nove ocasiões Paulo dirige-se a seus leitores chamando-os de “santos”. Observe: eles são santos vivos, não mortos, apesar de outrora terem estado mortos em “delitos e pecados” (Ef 2:1-3). Também é evidente que eles jamais realizaram qualquer milagre, embora tenham experimentado o grande milagre da fé em Cristo como Salvador (Ef 2:4-10).
Nas Escrituras, as palavras hebraicas kadosh e kadesh ou as gregas hagios e hagiazo ocorrem centenas de vezes, sendo traduzidas como santo, santidade, santificação, santificar. O significado básico desses termos é: “colocar de lado”, “separar”, “colocar à parte” para o uso de Deus e de Seu serviço. Um objeto, instituição e pessoa tornam-se santos pelo fato de pertencerem a Deus e a Seus propósitos.
Você que recebeu Jesus como seu Salvador foi separado para Seu serviço. Nesse sentido, você é santo. Vivendo em São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Recife, Brasília ou em qualquer outra cidade, grande ou pequena, você é considerado santo. Como você pretende viver hoje diante dessa revolucionária verdade bíblica? Lembre-se também do seguinte: nós não avançamos para a santidade, como se ela estivesse no futuro, mas avançamos em santidade hoje! (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
A Mão na ParedeMeditações Diárias 2014 – 7 de março
No mesmo instante, apareceram uns dedos de mão de homem e escreviam, defronte do candeeiro, na caiadura da parede do palácio real. Daniel 5:5
Daniel 5 é o último capítulo histórico do livro que enfoca Babilônia. Ele descreve as horas finais do império. A invasão medo-persa já estava em processo. Essa narrativa das Escrituras veste-se de um pesado manto de solenidade. Belsazar ocupa o trono em lugar de seu pai, Nabonido, como corregente. Embriagado, ele manda trazer os utensílios sagrados de ouro e prata que Nabucodonosor, seu avô, havia tirado do templo do Altíssimo em Jerusalém.
O único registro de Belsazar nas Escrituras aparece nesse quadro insolente e blasfemo. Insolência e blasfêmia estão a um passo do orgulho e da arrogância. No capítulo 4, Nabucodonosor fora visitado pelo julgamento divino. Belsazar conhecia a história de seu avô, de sua humilhação e final conversão, mas isso não exerceu qualquer efeito sobre ele. Na presença de seus convidados, ele encenou sua insanidade final. Bêbados “deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro de madeira e de pedra” (v. 4). Essas seis classes de deuses falsos mencionados relembram a abominação da idolatria de Babilônia, tema que reaparece no Apocalipse.
Naquele momento, uma misteriosa mão começou a escrever “defronte do candeeiro”. A cena é aterradora. Os dedos dançavam enigmáticos sob a luz trêmula na parede. “Então se mudou o semblante do rei, os seus pensamentos o turbaram, as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos bateram um no outro” (v. 6). A arrogância desaparecera. Em seu lugar surgiram todos os sintomas do terror e do medo. A mesma mão que escrevera na pedra proibindo a idolatria, agora escrevia na “parede caiada” o julgamento dos idólatras. Essa era a última noite na história de Belsazar: “Pesado [...] e achado em falta” (v. 26). Ciro já havia desviado o curso do Eufrates. Naquele momento, ele invadia a cidade pelo leito seco do rio.
Há sempre uma última noite para tudo e todos. A última festa, a última dança, o último filme, o último cigarro, o último drinque, a última refeição, o último prazer. A natureza humana, contudo, sob a narcótica ação do pecado, facilmente se esquece disso, como Belsazar se esqueceu do que testemunhara na vida do avô. Ore hoje por discernimento espiritual e permaneça em estado de alerta. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
O Dia das MulheresMeditações Diárias 2014 – 8 de março
Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Gênesis 1:27
No registro do Gênesis, a mulher é o clímax da obra criadora de Deus. Com ela, Deus encerra Sua atividade. Depois da criação dela, tudo é “muito bom”. Levando-se em conta que na mente hebraica o “melhor é o fim” (Ec 7:8), a criação só está completa quando a graça feminina aparece em cena. Você já imaginou um mundo sem as mulheres? Como seria a realidade sem a doçura, a meiguice e o jeito incomparável delas? Bem, a dificuldade começaria com o fato de que, sem elas, nenhum de nós existiria. Um mundo sem mães, esposas, irmãs, noivas, namoradas e amigas é inviável.
Os homens gostam de divulgar que eles possuem 23 milhões de neurônios, enquanto as mulheres possuem “somente” 19 milhões. Que diferença isso faz? Exatamente nenhuma. As mulheres, como Stephen Kanitz observa, compensam essa diferença de neurônios processando informação de modo diferente dos homens. Os homens pensam de forma sequencial, etapa por etapa, comparando o fato com regras preestabelecidas, com conclusões “sim-não”, “certo-errado”. As mulheres raciocinam em paralelo, avaliam dezenas de variáveis. Tudo feito ao mesmo tempo. Por isso, dizemos que elas são “intuitivas”. A questão é que elas simplesmente processam informação mais rapidamente. São mais abrangentes. Sabe-se hoje que as mulheres possuem 13% mais conexões entre os neurônios do que os homens. Nisso a diferença de neurônios é compensada. Por esse motivo, as mulheres conseguem cuidar de diversas coisas ao mesmo tempo.
As mulheres costumam ser menos dogmáticas e mais conciliatórias. Em brigas de casais, os homens normalmente discutem causa e efeito.
As mulheres geralmente discutem sentimentos e emoções. Já ouviram que as mulheres “não sabem administrar”? Ainda segundo Kanitz, as 400 maiores entidades nacionais beneficentes são mais bem administradas do que a maioria das empresas brasileiras. Razões? Clareza de propósito, ética, motivação de funcionários, etc. Mas a razão principal é que a maioria dessas entidades beneficentes é administrada por mulheres. Aí elas conseguem demonstrar seu estilo feminino de administrar, com sensibilidade, percepção e empatia. Hoje, agradeça a Deus o clímax de Sua obra criadora. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Deus e os DeusesMeditações Diárias 2014 – 9 de março
Em toda matéria de sabedoria e de inteligência sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino. Daniel 1:20
O livro de Daniel apresenta um claro conflito entre Deus e os deuses, entre a verdadeira e a falsa adoração. Nos versos iniciais do livro, Jerusalém e Babilônia aparecem em confronto. Esse é um tipo de polarização que ocorrerá no tempo do fim. O livro indica que a vitória pontual de Babilônia acontece apenas por permissão divina: “O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim, rei de Judá” (v. 2). Nabucodonosor é apenas um instrumento do juízo divino contra Israel. Mero contraponto de uma história muito mais ampla.
Em meio às complexas linhas dos eventos, mesmo diante da vitória de Babilônia e do fato de os utensílios sagrados do templo divino terminarem dessacralizados num templo pagão, Deus continua no controle. Daniel e seus amigos são representantes do triunfo divino. Levados a Babilônia, eles não se deixam seduzir pelo inimigo. Os esforços para “aculturá-los” são inúteis. Eles “resolveram firmemente” resistir aos assédios babilônicos. Em um teste posterior, em “inteligência e sabedoria”, são dez vezes mais bem-sucedidos que todos os magos e encantadores do reino. Surpreendentemente, no capítulo 2, diante de seu sonho enigmático, Nabucodonosor, que já constatara a superioridade dos hebreus, convoca primeiro os “magos, encantadores e feiticeiros” de seu reino (Dn 2:2). Por quê? A rebelião humana se opõe a Deus mesmo diante das maiores evidências.
Outro aspecto curioso é que Babilônia e o sonho de seu rei tinham um antecedente histórico. Faraó, no antigo Egito, também tivera um sonho (Gn 41:1). Ele também havia confiado em seus “magos e sábios” (v. 8) para que o mistério fosse desvendado. Nos dois casos, contudo, os recursos humanos em oposição a Deus foram envergonhados, demonstrando sua impotência patética. Nos dois casos, os deuses falsos não podiam explicar nada. Os representantes da sabedoria do homem tiveram sua oportunidade, mas tudo que puderam demonstrar foi tolice e incapacidade. O Altíssimo não apenas vê o futuro, mas controla a história. Tanto José (Gn 41:16) quanto Daniel (Dn 2:28) apontam para Deus como o único que pode revelar o desconhecido. Afinal, constatamos o triunfo de Deus a despeito das aparências adversas. A vitória pertence ao Senhor. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Na Contramão… – Meditações Diárias 2014 – 10 de março
Responderam eles: Jamais alguém falou como este homem. João 7:46
O livro Jesus para Presidente, de Roland Merullo, escrito de uma perspectiva não religiosa, apresenta a extraordinária ficção de Jesus Cristo como candidato à presidência dos Estados Unidos. O surpreendente nessa “candidatura” são os métodos políticos de Cristo, se é que os podemos chamar de “políticos”. Sua simplicidade, sinceridade e desconcertante transparência são radicalmente diferentes de tudo aquilo que conhecemos dos políticos profissionais e de sua forma de comportamento. De uma maneira divertida, irreverente e às vezes emocionante, o livro inicia com os tipos que Jesus escolhe para Seu comitê: um jornalista cético, a família disfuncional, a namorada secular, o chefe materialista. São as pessoas menos prováveis, mas que afinal se tornam inteiramente comprometidas com Jesus.
De certa forma, o livro reflete o Cristo que encontramos nas narrativas dos evangelhos. Reflete Sua desconsideração sistemática por aquelas coisas que usualmente consideramos tão importantes e Sua rejeição dos símbolos exteriores do poder: dinheiro, posição, aparência, sofisticação e grifes, entre outras coisas. Jesus nunca “dourou a pílula” para persuadir alguém a aceitá-Lo e segui-Lo. Ao contrário, até parece que Ele colocava empecilhos ao discipulado. “Quem quiser ser Meu discípulo tome sua cruz e siga-Me”, Ele disse. “Aquele que não abandonar pai, mãe e irmãos não pode ser Meu discípulo”, também afirmou.
Seus ensinos e Sua ética são verdadeiros paradoxos para nós. Que rei se sacrificaria por seu povo? Reis e governantes costumam ser dominados pela sedução do poder. Por isso, muitas vezes sacrificam seus súditos. Que tipo de rei lavaria os pés de seus servos como fez Jesus? Que governante livremente se associaria com os mais humildes membros da sociedade? Há pessoas em posição de poder secular e também religioso que mantêm a “mística da liderança”, traduzida por distância e afastamento.
Qualquer um que conversasse com Jesus sairia grandemente intrigado. A pessoa ficaria consideravelmente perturbada por Sua lógica desafiadora e em razão de Sua perspectiva das coisas. Não é por acaso que Jesus exerce sobre milhões de pessoas como você e eu um extraordinário fascínio. Isso porque, no fundo, somos impressionados pela sinceridade, pureza, honestidade, transparência, integridade e coerência acima de qualquer interesse e vantagens pessoais. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Sob Tua PalavraMeditações Diárias 2014 – 11 de março
Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Respondeu-Lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a Tua palavra lançarei as redes. Lucas 5:4, 5
Jesus pregou de muitos púlpitos. No lago de Genesaré, também conhecido como Mar da Galileia, Seu púlpito foi um barco. Os pescadores haviam retornado da noite extenuante de mãos vazias e lavavam as redes. “Entrando em um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da praia; e, assentando-Se, ensinava do barco as multidões” (v. 3). Agostinho observa que essa é a primeira ocasião em que o “pescador” está na água, e os “peixes” em terra.
O foco da narrativa do chamado dos discípulos em Lucas é diferente da descrição de Mateus (4:18-11) e Marcos (1:16-20). É provável que pelo menos sete dos discípulos fossem pescadores (Jo 21:1-3). Jesus já os conhecia e era conhecido deles. Haviam viajado juntos de Cafarnaum para a Galileia (Mc 1:21-39). Tinham estado juntos no milagre de Caná (Jo 2:1). Provavelmente eles seguissem Jesus em “tempo parcial” entre uma pescaria e outra. Agora eles estão diante do chamado para o serviço de “tempo integral”.
Em breve, serão desafiados a se tornar “pescadores de homens” (v. 10). Há, porém, uma lição fundamental que devem aprender de início. Jesus ordena a Pedro que navegue para águas profundas e lance a rede. A reação de Pedro é a palavra do especialista, do pescador experimentado, diante da ordem de um carpinteiro: pesca de rede não se realiza de dia e em alto-mar, quando os peixes estão escondidos da luz, nas águas claras da Galileia. Pedro deve ter visto o contrassenso do pedido. Absurdo? Ridículo? Ele simplesmente agiu: “Sob a Tua palavra lançarei a rede.”
Provavelmente você já tenha ouvido ordens divinas em diferentes áreas da vida: nos negócios, no casamento, nos estudos, nos relacionamentos ou nas diversões. Talvez tenha ficado oscilando entre as “evidências” e a obediência. O que Deus pede, às vezes, pode parecer contrário à experiência, à prática e à inclinação. Contudo, Ele está acima de nossas fracas percepções, conhecimento e senso comum. Apenas quando Lhe obedecemos, mesmo contrariando a “lógica”, podemos experimentar o sucesso. Veja a conclusão do relato (v. 6, 7): “apanharam grande quantidade de peixes”, “rompiam-se-lhes as redes”, encheram dois barcos “a ponto de quase irem a pique”. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Tomé, o Pessimista – 1 – Meditações Diárias 2014 – 12 de março
Então Tomé, chamado Dídimo, disse aos condiscípulos. Vamos também nós para morrermos com Ele. João 11:16
Ao contrário de Pedro, que sempre ocupa o primeiro lugar nas listas dos apóstolos, Tomé aparece no grupo liderado por Filipe. Em duas listas, ele é o último relacionado (Mc 3:16-19; Lc 6:14-16). Ou então é referido em lugares secundários (Mt 10:2-4; At 1:13).
Aparentemente, ele manifestava uma personalidade negativa, tendendo à melancolia, talvez mais vítima do pessimismo do que da dúvida. No Evangelho de João, Tomé também é chamado Dídimo (Jo 11:16), palavra aramaica para “gêmeo”. Provavelmente ele tivesse um irmão (ou irmã) gêmeo, mas isso não é indicado nas Escrituras.
Mateus, Marcos e Lucas não apresentam detalhes sobre ele. O pouco que sabemos de Tomé vem do Evangelho de João. Parece que ele costumava estar sempre na esquina escura da vida. Alguém que tendia a antecipar o pior. Apesar disso, com aquilo que é dito sobre ele em João surge um perfil admirável. O texto de hoje o descreve no clima da enfermidade e morte de Lázaro. Maria e Marta enviam um mensageiro para comunicar a tragédia a Jesus. Observe o contraponto: antes de Jesus deixar Jerusalém, indo para a região além do Jordão, os judeus haviam tentado apedrejá-Lo (Jo 10:31). Quando os discípulos percebem que Jesus planeja voltar, relembram o perigo: “Ainda agora os judeus procuravam apedrejar-Te, e voltas para lá?” (Jo 11:8).
Mas Seus amigos em Betânia, a 3 quilômetros de Jerusalém, estavam numa emergência. Nada impediria que Ele fosse em socorro deles. É aqui que se abre perante nós um impressionante traço do caráter de Tomé. Seu espírito de liderança e sua coragem tornam-se evidentes. Tomé eleva-se acima do medo do grupo e diz com firmeza: “Vamos também nós para morrer com Ele.” Pessimismo?
Certamente. Um otimista teria dito: “Vamos lá, vai dar tudo certo!” Tomé não vê outra coisa senão desastre à frente. Mas, se o Senhor vai morrer, ele diz: “Vamos juntos para morrer com Ele.” Temos que admirar sua determinação. Tomé tinha a coragem para ser leal face ao perigo. Para otimistas, a coragem é sempre mais fácil.
O quadro me emociona. Tomé, em sua devoção a Cristo, não tem plano “B”. Ele não podia imaginar a vida sem Cristo. Seu compromisso é incondicional. “Se Ele vai morrer, é melhor morrer com Ele do que ficar para trás”, pensava Tomé. Este é um exemplo de coragem e zelo que desafia indecisos discípulos modernos. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Tomé, o Pessimista – 2 – Meditações Diárias 2014 – 13 de março
Mas ele respondeu: Se eu não vir nas Suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no Seu lado, de modo algum acreditarei. João 20:25
Em seu amor e devoção por Cristo, Tomé, como tantos discípulos ao longo da história, é quase anônimo, preso pelas circunstâncias que envolvem sua personalidade tímida. Sua dedicação, por isso, é pouco vista, exceto em situações críticas, quando seu “eu real” é revelado. No capítulo 14 do Evangelho de João, nos deparamos novamente com seu pessimismo crônico. Jesus está de partida para a casa do Pai, mas anuncia que voltará. O caminho para Ele, contudo, é conhecido pelos Seus (v. 4). A reação de Tomé é quase infantil: “Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho?” (v. 5). Essencialmente, Tomé está dizendo: “Nós nunca chegaremos lá. Melhor seria que tivéssemos morrido antes; assim, não O veríamos partir. Agora, como vamos encontrá-Lo?” Tomé estava preparado para morrer com Cristo, mas não para viver sem Ele.
Um pouco depois, seus piores receios se realizaram. Jesus fora crucificado! Ressuscitado, Ele aparece aos apóstolos, devastados pela tragédia. Jesus vem a eles através de portas fechadas, como Ele vem a nós muitas vezes. Mas Tomé “não estava com eles” (Jo 20:24). Onde estaria? Tão pessimista, deprimido e melancólico, provavelmente estivesse arrasado, amargando sozinho sua miséria. Quando finalmente ele aparece, os outros tentam consolá-lo: “Vimos o Senhor.” É por causa de sua reação que Tomé recebeu a alcunha de “incrédulo”. Mas não sejamos tão severos com ele. Os outros também, de início, duvidaram da ressurreição (Mc 16:10-14). Oito dias depois, Jesus reaparece ao grupo. Nesse momento, dirige-Se a Tomé em suave repreensão: “Vê as Minhas mãos” (Jo 20:27).
Jesus sabia que Tomé era assim por natureza. Ele não ignora que Seu discípulo ainda estava paralisado pela dor, solidão, depressão e tristeza. Entretanto, Ele conhecia a sinceridade de sua devoção. Jesus também sabe de nossas fraquezas, incertezas e dúvidas. Ele é paciente com os pessimistas. Tomé se lança a Seus pés e pronuncia um belíssimo tributo: “Senhor meu e Deus meu!” (v. 28). Segundo a tradição, Tomé foi missionário na Índia, onde morreu transpassado por uma espada. Livrou-se afinal de seu pessimismo? Talvez. Mas isso não importa. Jesus não deixou de amá-lo e o aceitou como ele era. Isso é graça! (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Por Experiência PessoalMeditações Diárias 2014 – 14 de março
O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros. 1 João 1:3
No início de 1999, quando eu era pastor da Igreja Adventista Portuguesa de Toronto, tive a triste oportunidade de assistir ao funeral de Pedro A. Mitchell, 29 anos, filho do pastor C. Mitchell, que liderava uma igreja adventista no centro de Toronto, não muito longe de minha igreja. O sermão fúnebre foi pronunciado pelo pastor V. Kerr, então oficial do Departamento da Escola Sabatina na Associação de Ontário. Era impossível não perceber a emoção de Kerr. Também era notório o tom de autoridade de sua mensagem. Qual era o segredo? O pastor Kerr, poucos meses antes, havia perdido o próprio filho, Ben, assassinado por policiais norte-americanos. Por puro preconceito de cor, numa perseguição absurda de automóvel, a polícia matou o rapaz, que ia para o Oakwood Adventist College a fim de estudar teologia.
A aplicação é muito simples: a autoridade do que comunicamos como cristãos será sempre proporcional ao conhecimento pessoal e à experiência de primeira mão daquilo que queremos comunicar. É precisamente por isso que Jesus Cristo nos chamou para sermos Suas testemunhas, como enfatizado em Atos 1:8: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra.” A testemunha fala daquilo que presenciou, viu ou ouviu. Em outras palavras, Cristo não precisa primariamente de defesa ou de serviços de advocacia, mas do testemunho daqueles que O conhecem de maneira íntima, pessoal e experiencial. Do contrário estaremos apenas falando de uma teoria abstrata, pálida, sem poder, autoridade ou credencial.
É como na conhecida história dos dois sujeitos que recitaram o salmo 23, com diferentes resultados. Um impressiona pela arte da interpretação, o outro leva às lágrimas e à reflexão pela emoção da voz. Qual a diferença? Um conhecia o salmo do Pastor, o outro conhecia o Pastor do salmo! (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Vê as Minhas MãosMeditações Diárias 2014 – 15 de março
E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as Minhas mãos. João 20:27
Do ponto de vista estrutural, as mãos representam os mais intrincados componentes físicos. Em nenhuma outra parte do corpo há tantos itens reunidos em espaço tão pequeno. As duas mãos somam um total de 54 ossos, representando mais de um quarto dos ossos do corpo. A rede de nervos para detectar calor, tato e a dor é das mais complexas. São centenas de terminais nervosos por centímetro quadrado, a maioria concentrada nas pontas dos dedos. A sensibilidade ali é extraordinária.
Muitas mãos deixaram suas digitais nas páginas das Escrituras. Há mais de 1.400 citações sobre as mãos na Bíblia, além de muitos outros textos que se referem a elas. Curiosamente a Bíblia fala mais sobre as mãos do que sobre o coração. No início da narrativa bíblica, as mãos de Adão e Eva nos expulsaram do Éden, registrando a introdução da grande tragédia humana. As mãos de Caim marcaram de sangue as origens da raça. As mãos de Noé e Abraão deixaram um testemunho de fé e obediência. As mãos covardes de Balaão se ergueram para espancar um animal indefeso. As mãos de Daniel são símbolo de coragem não conformista. As mãos gananciosas de Judas se estenderam para receber o preço da traição. As suaves mãos da pecadora anônima ungiram Jesus para a sepultura. As mãos de Pilatos foram lavadas de modo covarde e omisso.
A passagem de hoje representa o convite de Cristo ao vacilante discípulo: “Vê as Minhas mãos.” O que vemos nelas? Serviço, como na comovente cena do lava-pés. Mãos caridosas, que tocaram os intocáveis, cegos, aleijados, leprosos, tratando-os como príncipes. Mãos poderosas, levantadas para repreender os ventos e as águas. Mãos incansáveis em toques de cura, perdão, restauração. Uma das cenas mais tocantes do evangelho aparece quando Jesus toma a orelha de Malco, que fora prendê-Lo, e a restaura. Como você acha que aquele homem se sentiu depois?
As mãos de Cristo foram, sobretudo, mãos sofredoras, rasgadas pelos cravos. Dilaceradas quando O levantaram na cruz. As mãos do Senhor contam a história do maior amor do Universo. Mãos infalíveis! Nas palavras de um velho hino, nelas Ele escreveu seu nome. Nelas podemos deixar nossa oração, nossos caminhos e descaminhos, nossos pecados, nossas depressões, traumas e incertezas. Então toda nossa história estará nas mãos certas. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
O Compromisso Tem PreçoMeditações Diárias 2014 – 16 de março
Se alguém quiser vir a Mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser Meu discípulo. Lucas 14:26
Os cristãos dos Estados Unidos se sentiram repreendidos quando Billy Graham leu pela primeira vez uma carta escrita por um jovem universitário norte-americano convertido ao comunismo no México. O propósito da carta era explicar à sua noiva a razão pela qual ele estava rompendo o compromisso com ela. Ele afirmava:
“Nós, comunistas, temos um alto índice de baixas. Somos alvejados, enforcados, linchados, aprisionados e mortos, ridicularizados e despedidos de nossos empregos. De todas as formas, nossa vida é tornada desconfortável. Uma considerável percentagem de nós é morta ou aprisionada. Vivemos na pobreza. Devolvemos ao partido cada centavo que não é absolutamente necessário para a sobrevivência. Nós, comunistas, não temos tempo nem dinheiro para filmes, concertos. Não temos tempo nem dinheiro para restaurantes, casas decentes ou carros novos. Nossa vida é governada por um grande e dominante ideal: a luta pelo comunismo mundial.
“Nós, comunistas, temos uma filosofia de vida, a qual nenhuma soma de dinheiro poderia comprar. Temos uma causa pela qual lutar. Subordinamos todos os pequenos ideais e a nós próprios a esse grande movimento da humanidade. Se nossa vida pessoal parece difícil, somos adequadamente recompensados pelo pensamento de que cada um de nós está contribuindo para algo novo, verdadeiro e melhor. Sou mortalmente zeloso pela causa comunista. Ela é a minha vida, meu negócio, minha religião, meu passatempo, minha namorada, minha esposa, minha amante, meu pão e minha carne. Eu trabalho nela durante o dia e sonho com ela durante a noite.
Portanto, eu não posso manter nenhuma outra amizade, nenhum amor, nem mesmo uma conversa sem relacionar isso com essa força. Eu avalio as pessoas, livros, ideias e ações de acordo com seu efeito sobre a causa comunista. Já estive aprisionado por minhas ideias e estou pronto para comparecer diante do pelotão de fuzilamento.”
Isso é o que chamo de compromisso. Com a causa errada, é verdade, mas compromisso. Se a causa comunista foi capaz de merecer tal lealdade, quanto mais Cristo deveria merecer de Seus discípulos amor, zelo e pleno compromisso! (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Somos EmbaixadoresMeditações Diárias 2014 – 17 de março
De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. 2 Coríntios 5:20
William Bontrager, da agência Pastores Para a Paz, é um ex-juiz norte-americano que se tornou ministro do evangelho. Ele escreveu este belo texto: “Por dez anos, eu pratiquei a lei, buscando justiça. Não a encontrando, concorri ao cargo de juiz e fui eleito, esperando fazer justiça. Por cinco anos, servi como juiz. Nas segundas-feiras de manhã, eu separava pessoas da comunidade e as enviava para a prisão. Nas segundas-feiras à tarde, eu separava casamentos. Nas terças-feiras, separava pais dos filhos em cortes de família. Nas quartas e quintas-feiras, eu separava homens de negócios. Nas sextas, eu separava pessoas e as mandava para instituições de tratamento psiquiátrico. Nos fins de semana, eu chorava. Chorava por justiça, chorava por misericórdia, por relacionamentos, chorava por Jesus Cristo, mas na lei não havia lugar para nada disso.
“Desde então, tornei-me um ministro da reconciliação e tenho visto pessoas curadas da ira, da amargura, do ressentimento. Tenho visto relacionamentos serem restaurados, e litígios, resolvidos. Tenho visto monumentos para a glória de Deus serem erguidos das discórdias e dos conflitos que arderam por muitos anos. Tenho visto reavivamento em vidas e em igrejas. Tenho visto pessoas irem a Cristo e serem plenamente reconciliadas com Deus, com elas próprias e com os outros” (CMA Report, abril/maio de 1989, p. 5, 6).
Bontrager realizou seu maior anseio, tornando-se embaixador do evangelho da paz. No Calvário, Jesus Cristo ergueu a bandeira branca da paz entre Deus e os homens, e fomos aceitos no Amado (Ef 1:6). Agora Ele nos envia como Seus representantes, assim como costumavam fazer os antigos romanos. O império possuía dois tipos de províncias: as Senatoriais, que eram províncias pacíficas, tendo aceito o governo romano, e as Imperiais, inclinadas a insurreições e rebelião. A essas era necessário que o império enviasse embaixadores. Nosso mundo é uma “província imperial” em rebelião contra Deus. Por isso, no texto de hoje, Paulo descreve os seguidores de Cristo como embaixadores da parte dEle.
Em seu trabalho, hoje, na fábrica, no escritório, entre vizinhos, na escola, na oficina, no consultório, no hospital, no lar e na igreja, haja como instrumento de reconciliação. Pelo Espírito de Deus, ajude as pessoas em sua busca de paz, propósito na vida e realização espiritual. Você será o maior abençoado. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Opção Pelos PobresMeditações Diárias 2014 – 18 de março
O que oprime ao pobre insulta Aquele que o criou, mas a este honra o que se compadece do necessitado. Provérbios 14:31
Escrevi minha tese doutoral sobre a Teologia da Libertação e sua relação com os pobres. Esse foi um movimento teológico forte da década de 1960 à década de 1980. O caráter político dos discursos dos teólogos da libertação chegava a advogar a luta de classes como única forma de mudança social. Para eles, a teologia deve assumir uma “opção preferencial pelos pobres”, contrariando a teologia tradicional que sempre tomou o partido da classe dominante. Apesar das inconsistências da Teologia da Libertação, concluí que havia nela verdades inegáveis.
Seria engano pensar que os pobres estão do lado de Deus simplesmente por serem pobres. Mas, sem dúvida, o Deus das Escrituras Sagradas está do lado dos necessitados e nos convoca ao serviço em favor deles. Jesus, segundo Seu sermão apresentado em Lucas 4:16-30, veio como libertador dos pobres e opressos. Tradicionalmente, essa referência tem sido “espiritualizada”. Jesus Cristo, porém, legou a Seus seguidores um inegável exemplo de solidariedade aos necessitados. Os pobres realmente estão na tela de Seu radar como prioridade de atenção e serviço.
Viv Grigg, da Nova Zelândia, sentiu-se compelido pela solidariedade de Jesus em relação aos necessitados. Foi identificar-se com os pobres nas favelas de Manila, nas Filipinas. Uma noite, sob o teto precário onde morava, Viv copiou, à mão, em pequenos cartões, cada verso da Bíblia que trata do interesse de Deus pelos pobres. Identificou 245 referências, que passaram a acompanhá-lo como incentivo à meditação. Escreveu depois o livro Companion to the Poor (Na Companhia dos Pobres), com uma provocadora observação: “Onde Jesus é encontrado e conhecido hoje? Para encontrá-Lo devemos ir onde Ele está. [...] Tal busca invariavelmente nos levará ao coração da pobreza, pois Jesus sempre vai ao ponto da mais profunda necessidade. Onde está o sofrimento, Ele estará cuidando das feridas. Sua compaixão eternamente O conduz às necessidades humanas.”
Lembrei-me então de um texto de Ellen White que diz algo assim: “Para andar nos passos de Jesus, não precisamos ir à Palestina. Nós O encontramos junto ao leito dos enfermos e nas favelas onde está o sofrimento humano. Aí encontramos Suas pegadas, e O seguimos” (ver “Este Dia Com Deus”- Meditação Matinal 1980, p. 66). (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Deuses ModernosMeditações Diárias 2014 – 19 de março
Não terás outros deuses diante de Mim. Êxodo 20:3
Cinco dos deuses do paganismo clássico receberam diferentes versões ao longo da história e acabaram se tornando as bizarras divindades da sofisticada cultura moderna.
Marte era o deus da guerra. Hoje, incalculáveis recursos humanos são colocados a serviço desse deus insano. Guerras são criadas ou mantidas para assegurar que as engrenagens do sistema econômico continuem em movimento. Milhares de jovens, crianças e pessoas inocentes são sacrificadas por nada. Guerras mantêm a indústria bélica e inspiram a indústria cinematográfica a propagar a adoração à violência. Sem elas, generais e exércitos seriam desnecessários.
Baco era deus do vinho, versão romana do grego Dionísio, que prometia conforto, diversão e excitamento na vida. Hoje milhões de seus seguidores são escravos do álcool. Adoram seu deus em garrafas de formatos exóticos, com líquidos coloridos. Deploravelmente o próprio cristianismo adotou essa idolatria absurda. Milhares de cristãos buscam escusas para justificar seus rituais de dependência não assumida. Nessa categoria de adoração, podemos incluir as drogas e toda sorte de deuses químicos, divindades de fumaça e agulhas.
O antigo Mamon era o deus da riqueza. Por dinheiro, as pessoas sacrificam praticamente tudo: relacionamentos, família, filhos, saúde, honestidade e a própria consciência. A insanidade é tão absurda que se arruína a saúde em busca do dinheiro, então gasta-se o dinheiro para se tentar recuperar a saúde. O dinheiro é o deus buscado pelas multidões. Suas catedrais estão espalhadas por todos os lugares.
Vênus é a deusa do amor, do sexo, do prazer, da sedução. “Amor” aqui é referência ao amor conveniente, pervertido. Vênus assumiu novas formas, mas sua adoração continua mais intensa do que nunca. Hoje ela governa a indústria do cinema, da pornografia, da prostituição, das “artes”, novelas e música. Respiramos seu clima, com o sacrifício da pureza, integridade e fidelidade.
Finalmente, Minerva é a deusa da sabedoria. A sedutora deusa do intelecto insinua que a sabedoria humana é suficiente. A idolatria intelectual está presente hoje na academia, nas universidades e escolas de todos os níveis.
Milhões colocam sua fé nessas divindades contrafeitas, mas, na verdade, há apenas um Deus capaz de satisfazer nossas buscas e necessidades. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Os Efeitos do PecadoMeditações Diárias 2014 – 20 de março
Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. Romanos 3:23
Todas as heresias resultam de um inadequado senso do pecado. Errar no diagnóstico é o primeiro passo para se errar no tratamento de um mal. Os fariseus externalizavam o pecado, concebendo-o apenas em termos de ações do comportamento, e não como uma doença maligna e sistêmica. Para Ellen White, o pecado é “uma lepra, profundamente enraizada, mortal e impossível de ser purificada pelo poder humano”.
Jesus elevou a ética humana ao limite supremo. Segundo ele, pecado não é apenas o que fazemos (1Jo 3:4), mas igualmente o bem que deixamos de fazer (Tg 4:17), incorrendo nos “pecados de omissão”. O pecado ainda está relacionado com a motivação daquilo que fazemos (Rm 14:23). Isso significa que podemos fazer coisas certas pela razão errada, e uma motivação falsa envenena boas ações. Essas “boas ações”, contudo, não enganam a Deus.
Por causa dessa desordem moral e espiritual, todos, exceto Cristo, nascem “em pecado”, e em pecado são concebidos (Sl 51:5). Somos “filhos da ira” (Ef 2:3), “filhos da desobediência” (Ef 5:6). Naturalmente andamos nos desejos de nossa carne, e fazendo a vontade da carne, “mortos em nossos delitos” (Ef 2:3-5). No livro de Romanos, Adão é descrito como o cabeça da velha era, o tempo da ira e da morte (Rm 5:12-21). De Adão, afirma Ellen White, nada recebemos “senão a culpa e a sentença de morte” (Orientação da Criança, p. 475). Segundo ela, o egoísmo profundamente arraigado em nosso ser “nos veio por herança” (Historical Sketches, p. 138, 139).
Pela conversão, recebemos o princípio de uma nova orientação. Então, duas naturezas coabitarão em nós em conflito permanente. Nos cristãos, a velha natureza não reina, mas existe. Lembre-se: santificação não é glorificação. Em nenhum ponto da jornada cristã deixaremos de depender de Cristo. Sempre haverá necessidade de constante avanço. John Wesley acusou a santificação vicária, uma santificação que toma o lugar de Cristo, como a obra-prima do diabo. Alguns cristãos julgam que em algum momento, eles atingirão uma condição de impecabilidade absoluta, e voltarão, em carne pecaminosa, à condição do Éden. Puro engano! Embora os pecados voluntários devam ser vencidos, nosso defeito congênito será corrigido apenas no retorno de Cristo. Nessa ocasião, será totalmente banido. Lembre-se ainda de que, embora todo pecado seja imperfeição, nem toda imperfeição é vista por Deus como pecado. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
A Igreja não é um PalcoMeditações Diárias 2014 – 21 de março
Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos Céus. Mateus 5:20
“Quando fizerem o bem, tenham o cuidado para que seu gesto não vire peça de teatro. Pode até ser um bom espetáculo, mas Deus não vai aplaudir. Quando for ajudar alguém, não chame atenção para você mesmo. Você já viu gente assim em ação, tenho certeza – eu os chamo atores. Eles vão orar nas esquinas, como se elas fossem palcos, atuando para o público, interpretando para as multidões. Eles recebem aplausos sim, mas é tudo. Quando você ajudar alguém, não pense na impressão que vai causar. Apenas ajude – com simplicidade e discrição. É assim que Deus, que o criou com todo amor, faz. Ele age nos bastidores para ajudar você” (Mt 6:1-4, A Mensagem).
Nessa seção do Sermão da Montanha, Jesus adverte quanto ao perigo da hipocrisia, o pecado de usar a religião para esconder nossa verdadeira face. Hipócrita, na definição de Cristo, não é alguém que fica aquém dos ideais divino. Hipócrita é aquele que usa a máscara religiosa para ocultar sua identidade real e para autopromoção. No original grego, “hipócrita” significa “ator”. Hipócrita é aquele que busca “visibilidade”, que troca o alvo de agradar a Deus pelo objetivo idólatra de ganhar aplauso humano. Como os fariseus, cuja religião era praticada visando ao louvor dos observadores, e não à glória do Senhor. Depois de apresentar a Seus discípulos uma justiça superior, Jesus passa a advertir quanto aos perigos da encenação religiosa. Ele muda o foco da justiça em sentido positivo, para a “justiça” em sentido formal e exterior, que transforma a religião em um show de ostentação.
Como sabemos, uma falsa motivação pode prostituir bons atos. Isto é, podemos fazer as coisas corretas pela motivação errada, apenas para “sair bem na foto”. A tentativa de viver de acordo com esse tipo de “justiça”, cuja motivação é a busca de aplauso dos homens, destrói a importância de qualquer desempenho religioso. Nessa narrativa de Mateus (6:1-18), Jesus discute os três atos principais da piedade judaica: esmolas, oração e jejum, virtudes recomendáveis, mas corrompidas pela hipocrisia. O que Ele diria hoje de restrições de dieta, “zelo” missionário, música e contribuições para a igreja? Tudo isso, bom em si, pode tornar-se apenas um bom espetáculo sem o aplauso de Deus. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Quando o Fogo não QueimouMeditações Diárias 2014 – 22 de março
Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, Ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste. Daniel 3:17, 18
A atitude de “desobediência civil” dos três hebreus não passou despercebida. Aquele tipo de gente que gosta de mostrar quão “leais” eles são foram fazer suas arengas ao rei. Eles envenenaram a situação, dizendo ao monarca: “Esses hebreus estão praticamente debochando de você, não dando a mínima para sua estátua, para os seus deuses e para suas ordens” (ver Dn 3:12).
Tive a oportunidade de servir aos jovens da antiga União Este Brasileira. Tinha então um amigo com um extraordinário senso de humor, que, para desmistificar a teimosia de Nabucodonosor, costumava referir-se a ele como “Nabuco”.
Pois bem, “Nabuco” ficou irritadíssimo. Mandou trazer os hebreus. Mas esses não se deixaram intimidar. Curioso é que não há nada de fanático ou arrogante na atitude deles. Eles haviam ido até onde era possível ir a boa consciência. Foram mesmo até a planície. Mas, no momento certo, a consciência bradou: “Nem mais um passo além.” Eles reconhecem a autoridade do rei, mas a lealdade final deles pertencia ao Rei dos reis. “Nabuco” deve ter dito: “Rapazes, parece que vocês não entenderam bem a situação. Vamos começar tudo de novo. Desta vez é pra valer.” O tema do livro aparece novamente aqui: “E quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” (v. 15).
Impressiona-me a serenidade da resposta: “Quanto a isto não necessitamos de te responder” (v. 16). A decisão de lealdade já havia sido tomada muito antes. A resposta é polida e firme: “Não precisamos mais perder tempo.” Note, se você esperar o momento da crise para pensar no que vai fazer, aí, provavelmente, já terá perdido a batalha.
Os três hebreus estavam preparados para as consequências finais. Eles não tinham nenhum plano alternativo. Deus não os libertou imediatamente, mas resolveu andar com eles no fogo: “Não lançamos nós três homens atados dentro do fogo? [...] Eu, porém, vejo quatro” (v. 24, 25). Esse é um chamado veemente à não conformidade com a maioria. Para a glória de Deus, o testemunho desses homens tem brilhado como uma joia rara, servindo de estímulo aos fiéis que viriam depois. A vitória deles é uma prefiguração da vitória dos que se mantêm leais a Deus contra as seduções de Babilônia. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Na Cova dos LeõesMeditações Diárias 2014 – 23 de março
Então, o rei ordenou que trouxessem a Daniel e o lançassem na cova dos leões. Daniel 6:16
A atitude de Daniel face às ameaças é a mesma de seus três amigos hebreus. Na hora mais difícil, eles declararam quem possuía a lealdade deles. A verdadeira profundidade do teste de Daniel registrado no capítulo 6 é entendida quando consideramos a idade do profeta. Aqui encontramos um homem com aproximadamente 80 anos enfrentando um teste precipitado por sua firmeza em se recusar a conformar-se à pressão da maioria ou da tradição.
Daniel estava preparado para as últimas consequências de sua decisão. Ele provavelmente sabia muito bem o que estava envolvido em sua atitude de “não conformidade”. Não tinha nenhuma estratégia de fuga. Sua decisão o conduzia à cova dos leões.
No mundo antigo, leões eram conservados em covas, semialimentados, como forma de descarte rápido de pessoas indesejáveis. Mas, para o rei Dario, Daniel não era descartável. Entristecido, percebeu que fora enredado numa trama calculada. Ele “passou a noite em jejum e não deixou trazer à sua presença instrumentos de música” (v. 18).
Na manhã seguinte, bem cedo, pessoalmente ele se dirigiu à cova dos leões e fez uma extraordinária pergunta: “Daniel, servo do Deus vivo, dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões?” (v. 20) Aqui, como já vimos, está o tema central do livro: “Quem é o Deus que poderá salvá-lo?” Salvação em situações extremas é a especialidade do Deus do Céu.
Quer isso dizer que Deus age sempre assim? Não. Mas a fé verdadeira permanece inalterável mesmo quando os ventos sopram contrários. De Daniel, aprendemos que as crises não moldam o caráter, apenas o revelam. Aqueles que consistentemente falham nos pequenos testes estão se preparando para falhar nos grandes testes. Como explicar o caráter excepcional desse antigo profeta?
Stephen N. Haskell, um pioneiro adventista, observa que Daniel foi produto de um lar temente a Deus. Tinha sido educado tão fielmente que as ondas das provas a ele impostas se partiram como furiosas ondas do mar que se partem num rochedo. Para Haskel, Daniel tivera uma mãe piedosa, que conhecia a profecia concernente à destruição de sua cidade e sabia que as crianças hebreias seriam um dia levadas para uma corte pagã. Assim Daniel foi educado em seu lar. Então, quando o tempo veio, ele estava preparado. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Em tempos de CriseMeditações Diárias 2014 – 24 de março
No dia em que eu clamei, Tu me acudiste e alentaste a força de minha alma. Salmo 138:3
O reverendo Martin Luther King, líder da luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos, não podia dormir naquela noite. Na cama, repensava as ameaças feitas contra ele e a família, temendo ser assassinado. Desceu para a cozinha e assentou-se à mesa, sentindo-se terrivelmente solitário. Seus pais estavam muito longe. Ele não queria partilhar suas ansiedades com a esposa, sabendo que isso a tornaria ainda mais preocupada. Nada do que ele aprendera nas universidades o havia preparado para aquele momento.
King inclinou-se na mesa, enterrando sua face nas mãos. Chorando, ele orou: “Senhor, devo confessar que estou fraco. Temo estar no fim de minhas forças. Nada me foi deixado. Não posso enfrentar isso sozinho.” Em meio ao desespero de sua oração, ele ouviu uma voz que o chamava pelo nome, com clareza inequívoca: “Martin Luther, erga-se pela justiça, erga-se pela verdade. Eu estarei com você até o fim.” Martin Luther King sabia que ele havia ouvido a voz de Jesus Cristo. Alarmado, ele permaneceu assentado à mesa, repetindo: “Ele prometeu nunca me abandonar. Nunca estarei sozinho. Ele prometeu nunca me deixar só!”
A promessa que temos de Cristo é de que Ele nunca nos abandonará. Sabemos por experiência que não há limites para o cerco das dificuldades. Talvez distanciamento do esposo ou esposa. Inabilidade de se comunicar com os filhos adolescentes. Um chefe opressivo. Colegas de trabalho insensíveis. Uma dor persistente. Uma doença incurável. Uma decisão difícil.
A perda de significado na vida. Sentimento de solidão. Envelhecimento. Recursos insuficientes. A perda de uma afeição. A frustração de um subemprego ou, pior ainda, a agonia do desemprego. O trauma de um divórcio.
A perda de um ente querido. E a lista é quase infindável.
O salmista aprendeu que Deus trabalha melhor nas nossas sombras. Deus pode escolher não retirar todos os inimigos e fardos que nos oprimem, mas Ele promete fortalecer-nos para desafiar nossos gigantes. Sua infalível promessa é que nunca seremos chamados a enfrentar sozinhos nada que a vida possa jogar sobre nós. Sua gloriosa pessoa ergue-se ao nosso lado na escuridão que nos envolve. Que Ele lhe faça ouvir hoje: “Estou contigo.”
Que o Senhor lhe dê o conforto inigualável que vem de Sua promessa. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Ninguém FezMeditações Diárias 2014 – 25 de março
Servi ao Senhor com alegria, apresentai-vos diante dEle com cântico. Salmo 100:2
Quero refletir com você sobre um antigo texto que provavelmente lhe seja conhecido:
“Há muito tempo, viveram quatro cristãos cujos nomes eram: Todo Mundo, Alguém, Qualquer Um e Ninguém. Certo dia, Alguém pediu que voluntários ajudassem nos trabalhos da igreja. Para Todo Mundo, Alguém deveria fazer alguma coisa. Realmente, Qualquer Um poderia ajudar, mas Ninguém fez nada. Assim, Alguém ficou irritado por aquilo que era trabalho de Todo Mundo, Ninguém ou Qualquer Um. Na visão de Todo Mundo, Qualquer Um ajudaria, mas Alguém se deu conta de que Ninguém havia feito. Todo Mundo acabou acusando Alguém quando Ninguém fez o que Qualquer Um deveria ter feito.”
De fato, essa é uma história bastante comum, que costuma se repetir.
Certo dia, Todo Mundo percebeu que as salas do departamento infantil, o teto e as janelas da igreja necessitavam de reparos. Os bancos precisavam ser envernizados, o telhado pingava, e o sistema elétrico também necessitava de atenção. Todo Mundo novamente sabia que Alguém deveria fazer alguma coisa…
Certo dia, Alguém soube que as contas da igreja, água, luz, seguro e zeladoria estavam atrasadas por falta de recursos. Além disso, Todo Mundo sabia que Alguém deveria se interessar por pessoas pobres ou afastadas da igreja…
Pense nisso. Onde você entra nessa história? Quais são as necessidades que você conhece, as quais todos sabem que alguém deveria fazer alguma coisa e, de fato, qualquer um poderia ajudar, mas que ninguém o faz? Você seria capaz de quebrar este círculo e mudar as coisas ao redor? Quer você recusar-se a ser apenas mais um como Todo Mundo, Alguém, Qualquer Um ou Ninguém, cada um esperando, indiferentemente, que outros participem, enquanto eles mesmos nada fazem? Verdadeiro amor e discipulado autêntico são muito mais que palavras vazias, conversa, críticas, “observações inteligentes” ou boas intenções. Serviço genuíno e compromisso real demandam ação e envolvimento.
Conta-se que em um programa beneficente de uma igreja foi pedido que todos levassem um copo de suco de uva e o colocassem no barril que estaria disponível para a coleta. Alguém pensou que poderia levar apenas um copo de água e colocar junto com o suco; afinal, ninguém perceberia a diferença. No momento de servirem o suco, abriram a torneira e… surpresa! Saiu apenas água. Todos haviam tido a mesma ideia. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Nem Só de PãoMeditações Diárias 2014 – 26 de março
Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Mateus 4:4
Vivemos hoje sob o permanente assédio da propaganda, algo sem precedentes na história humana. Sua artilharia troveja pesadamente, com força persuasiva, dizendo-nos o que comprar, usar, comer ou vestir, além de dizer-nos o que é prioritário. A indústria da propaganda, ponta de lança do consumismo, criou uma lista enorme de necessidades falsas, que as pessoas buscam satisfazer. E, por ironia, à medida que buscamos satisfazer as necessidades artificiais, criadas pela propaganda, mais vazios nos tornamos das necessidades reais.
Jesus consistentemente nos advertiu contra o perigo da fome materialista.
“Não só de pão vive o o homem”, Ele nos diz. Pelo que você lutará hoje? Pense. O que realmente é importante? De acordo com Cristo, questões espirituais devem ter precedência sobre as de caráter material. Em análise final, as coisas materiais, embora várias delas necessárias, não podem satisfazer a alma humana. A vida é muito mais do que as meras comodidades oferecidas no mercado. As pessoas que amamos e que nos amam são mais importantes do que roupas de grife, carros sofisticados ou móveis novos. Realmente não vale a pena ter essas coisas se, para obtê-las, sacrificamos o convívio familiar ou aquilo que é realmente essencial.
Karl Marx, em sua crítica ao cristianismo, afirmou que “a religião é o ópio dos povos”. Estava errado! Para Jesus Cristo, a verdade é outra. O materialismo é o grande narcótico que anestesia as pessoas contra a realidade de nossa verdadeira condição, transitoriedade e mortalidade. Impede-nos de ver as coisas que realmente têm importância final. Em última análise, em nossa ânsia pelas coisas, estamos apenas correndo atrás do vento.
O materialismo condiciona as pessoas a ver a vida presas dentro dos limitados horizontes da pequena concha em que vivem, incapazes de perceber qualquer coisa acima desse nível. Por desejarem sempre mais, tal insatisfação faz delas pobres. Tudo o que o materialismo consegue é alimentar a espiral do desejo de aquisição, que é insaciável. Agostinho estava correto ao afirmar o seguinte: “Quem tem Deus tem tudo; quem não tem Deus não tem nada. E aquele que tem Deus e tem tudo, realmente, não tem mais do que aquele que tem Deus e não tem nada.” Reflita nisto em sua luta pela vida. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
O Propósito de Deus Para a IgrejaMeditações Diárias 2014 – 27 de março
Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde, o olfato? Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como Lhe aprouve. 1 Coríntios 12:14-18
O desígnio de Deus para a igreja é unidade na diversidade. Sua intenção nunca foi “uniformidade”, como se todos fossem igualados por um uniforme. Assim como o corpo não é formado de partes iguais, o propósito divino é permitir que cada membro seja diferente, com uma função única a cumprir. O resultado de nossa vida em unidade, com todas as diferenças, é muito melhor do que quando nos isolamos ou nos associamos apenas àqueles que são iguais a nós.
As diferenças podem nos levar a uma melhor compreensão de Deus e Sua forma de administrar. Podemos desafiar e estimular uns aos outros, o que é melhor do que julgar e entrar em conflito interno. Podemos aprender uns com os outros. Melhor que decidir “quem está certo” é aprender a, juntos, descobrir “o que é certo e melhor”. Se chegássemos ao ponto onde aceitássemos a diversidade como parte do propósito divino, e eliminássemos a competição e a comparação entre os vários “membros”, certamente nosso desempenho seria muito mais eficiente, e nosso testemunho muito mais poderoso.
O texto ainda indica que Deus colocou cada parte do corpo onde Ele desejou que ela estivesse: onde Ele sabia que ela poderia funcionar melhor. Além disso, Deus dá a cada membro do corpo o dom que esse necessita para cumprir sua missão. Quando deixamos de reconhecer isso, quando competimos ou invejamos os outros, estamos afirmando que nós sabemos mais do que Deus. A única pessoa que você pode ser realmente é você mesmo. Em competição ou inveja, colocamos obstáculos ao desígnio de Deus. Como no corpo, devemos aprender a melhor nos comunicar com os outros membros, sermos mais solidários e mais interessados em nosso cuidado. Tanto os membros mais visíveis como os mais ocultos devem ser igualmente apreciados e preservados. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Alegria em ServirMeditações Diárias 2014 – 28 de março
Mais bem-aventurado é dar que receber. Atos 20:35
Albert Schweitzer nasceu na Alemanha, em 1875, e morreu na África, em 1965. Filho e neto de pastores, obteve seu doutorado em teologia na Universidade de Strasbourg, em 1899. Fez também estudos avançados em música. Era considerado um dos melhores intérpretes de Bach, além de uma autoridade na construção de órgãos.
Aos 30 anos, desfrutava de posição invejável em uma das mais notáveis universidades europeias. Ao entrar em seu escritório, certa manhã, encontrou um anúncio: “Necessita-se de um médico-missionário para a África.” Lamentou não ser um médico, mas, então, planejou sua vida: em seis anos estaria formado em medicina, renunciaria à sua posição como professor de teologia e iria para a África, que ele via como o mendigo Lázaro, da parábola de Jesus, jazendo faminto nos portões da Europa. Ele começou a estudar medicina em 1905. Dentro de alguns anos, foi para Gabão, África Francesa, como médico-missionário.
Inicialmente atendia seus pacientes, 40 deles por dia, num antigo galinheiro. Apesar dos obstáculos, clima hostil, falta de recursos, higiene precária e dificuldades com a língua, não desanimou. Além dos serviços médicos, ensinava o evangelho com ilustrações extraídas da natureza. Na primeira guerra mundial, foi enviado para um campo de concentração, na França. Depois da guerra, voltou para o Gabão, mantendo, como ele dizia, “o olhar para a humanidade”. Escreveu a conhecida obra teológica A Busca do Jesus Histórico e tornou-se famoso em círculos intelectuais, mas isso não o desviou de seu projeto missionário. Com os direitos autorais de seus livros, doações e recitais de órgão que apresentava na Europa, conseguiu recursos para construir um hospital de serviço humanitário. Em 1952, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Emocionado, Albert descrevia o que lhe trazia a maior alegria em seu trabalho. Alguém em sofrimento era levado ao hospital. Ele acalmava a pessoa dizendo que a colocaria para dormir, para operá-la. Depois da cirurgia, assentava-se ao lado do paciente esperando que ele acordasse e recuperasse a consciência. Lentamente, o enfermo abria os olhos e murmurava maravilhado: “Não tenho mais dor!” Essa era sua grande recompensa. Segundo Jesus, não há nenhum retorno material que possa trazer maior satisfação às profundezas do coração humano do que o serviço desinteressado por outros. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Maravilhosa GraçaMeditações Diárias 2014 – 29 de março
Ele, angustiado, suplicou deveras ao Senhor, seu Deus, e muito se humilhou perante o Deus de seus pais; [...] e Deus [...] atendeu-lhe a súplica. 2 Crônicas 33:12, 13
O texto de hoje refere-se a Manassés, um dos mais ímpios governantes de Judá. Sua biografia é escura. Ele reedificou os altares pagãos “nos altos” que seu pai Ezequias havia destruído. Dessacralizou o templo do Senhor em Jerusalém, edificando altares idólatras “a todo o exército do Céu”, nos átrios da casa de Deus. “Queimou seus filhos como oferta [...], praticava feitiçarias, tratava com necromantes e feiticeiros e prosseguiu em fazer o que era mau perante o Senhor, para O provocar à ira. Também pôs a imagem de escultura do ídolo que tinha feito na Casa de Deus” (2Cr 33:6, 7). Curiosamente, Manassés teve o reinado mais longo da história de Israel e Judá. Em seu caráter e conduta, ele foi pior que os amorreus, conhecidos pela perversidade e brutalidade (2Rs 21:11; 2Cr 33:9).
O Senhor enviou profetas para adverti-lo, mas em resposta Manassés executou alguns deles. Assim, a advertência teve o mesmo efeito de um risco na água. Manassés parecia inalcançável. Deus permitiu então que viessem os oficiais da Assíria e capturassem o rei, sem qualquer tratamento respeitoso. Puseram ganchos em seu nariz e o prenderam com correntes (33:11). Manassés foi tratado como um novilho levado para o matadouro. A humilhação não poderia ser maior. Um tratamento de choque para despertar o ímpio rei de Judá. No “país distante”, contudo, ele “caiu em si”. O escritor de 2 Reis não faz qualquer referência à impressionante mudança na vida de Manassés, mas encontramos o registro no segundo livro de Crônicas.
Em sua angústia, ele suplicou ao Senhor. Fosse Deus como nós, sabemos qual seria a resposta. Mas a graça divina não conhece limites. “Deus Se tornou favorável para com ele, atendeu-lhe a súplica e o fez voltar para Jerusalém, ao seu reino” (2Cr 33:13). Graça incompreensível! Depois de seu arrependimento, Manassés buscou reparar os estragos que havia causado em Jerusalém e Judá (v. 15, 16). Houve, contudo, um lugar que ele não pôde mudar: o coração de seu filho. O jovem Amon fora endurecido pelo mau exemplo e pecados do pai. Tornou-se incapaz mesmo de dar atenção à nova vida de obediência dele (v. 21-25). Esse é um lado sério do pecado: embora Deus perdoe, isso não garante que fiquemos livres das consequências de nossos descaminhos. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
A Mulher e o GarfoMeditações Diárias 2014 – 30 de março
Nós, porém, segundo a Sua promessa, esperamos novos Céus e nova Terra, nos quais habita justiça. 2 Pedro 3:13
Há algum tempo, li a história de uma mulher que foi diagnosticada com uma doença terminal e teria pouco tempo de vida. Ela entrou em contato com o pastor e solicitou uma visita. O pastor foi vê-la. Durante o encontro, ela ofereceu informações gerais de sua experiência como cristã, testemunhou de sua fé e amor por Jesus. Afinal, mencionou detalhes de seu funeral: que hinos gostaria que fossem cantados e que textos bíblicos gostaria que fossem lidos.
Quando o pastor se preparava para sair, ela se lembrou de algo importante. “Há um último detalhe de que gostaria que o senhor se lembrasse”, continuou a mulher. “Desejo ser enterrada com um garfo em minha mão direita.” Tal pedido deixou o pastor intrigado. A mulher então passou a explicar: “Durante o tempo em que frequentei refeições sociais, observava que, depois dos pratos principais terem sido servidos, alguém inevitavelmente dizia: ‘Guarde o seu garfo.’ Era o meu momento favorito, porque sabia que algo melhor estava por vir, como bolos especiais, tortas ou sorvetes. Assim, eu desejo que as pessoas que assistirem ao funeral fiquem curiosas e queiram saber o significado do garfo. Então, gostaria que o senhor explicasse isso para elas, e as aconselhasse a guardar o ‘garfo’ para aquilo que nos espera.”
No funeral, as pessoas que passavam próximo ao corpo viam o garfo colocado na mão direita da mulher. O pastor ouviu de muitos a mesma pergunta. Finalmente, durante o sermão de despedida, ele falou então da conversa que tivera com aquela irmã alguns dias antes. Contou o que o garfo simbolizava para ela. O pastor disse que desde então não podia esquecer o garfo. Provavelmente aquelas pessoas também não se esqueceriam desse fato. O pastor encerrou sua mensagem, afirmando: “Da próxima vez que você segurar um garfo, lembre-se de que o melhor ainda está para vir.”
E você, irmão ou irmã, está descontente com as coisas ao redor? Dificilmente vemos um jornal em que pessoas não estejam clamando por justiça. Dói ver o tapete vermelho da corrupção estendido em todas as partes e notar o que isso custa a crianças e pessoas inocentes. Você está descontente com a enfermidade, a dor, a morte, traições, as distorções e as perplexidades da vida? Lembre-se: o melhor está à frente. Um garfo pode ser um bom símbolo do banquete que o aguarda. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Cristo, Tudo em TodosMeditações Diárias 2014 – 31 de março
No qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos. Colossenses 3:11
O apóstolo Paulo alcançou um vislumbre da suprema excelência de Jesus Cristo. Ele pregou o evangelho com tal convicção que pagãos ignorantes e imorais foram transformados em sinceros seguidores do Senhor Jesus. Em poucos meses, eles aprenderam a viver em autêntica comunidade, porque aprenderam que em Cristo todas as barreiras e separações haviam caído. Esse é o evangelho que os cristãos modernos necessitam recuperar: a grandeza, a supremacia, a soberania, o brilho, a plenitude e o esplendor de Cristo. Essa é a única esperança para acender a chama do reavivamento e reforma na igreja. A igreja necessita de uma reconversão a Jesus. Além da ênfase nEle como Salvador e Senhor, entender que Ele é muito mais.
Jesus Cristo é para nós: Pastor. Advogado. Mediador. O Noivo. O Conquistador. O Leão. O Cordeiro. O Sacrifício. O Maná. A Rocha Ferida. A Água Viva. O Alimento. A Bebida. A Terra Prometida. A Nova Jerusalém, o lugar de nossa habitação. O Santuário. O Sábado. O Jubileu. A Pedra de Esquina. A Videira. Nossa Festa. O Aroma. A Âncora. A Sabedoria. Nossa Paz. Nosso Consolo. Nossa Cura. Nossa Alegria. Nossa Glória. Nosso Poder. Nossa Força. Nosso Tesouro. Nossa Vitória. Nossa Redenção. O Profeta. A Ressurreição. O Sacerdote. Nosso Redentor. Nosso Irmão. Nossa Paz. Nosso Abrigo. Mestre. O Guia. O Libertador. A Vida. Nosso Príncipe. Nosso Capitão. O Amado. Nossa Visão e Luz. O Iniciador. O Consumador. O Sol. A Estrela da Manhã.
Ele é o mesmo “ontem, hoje e sempre”; contudo, Ele é novo a cada manhã. Ele está infinitamente além de tudo o que se possa dizer a Seu respeito. Ele é sobretudo o nosso Rei, nosso Juiz e a Testemunha Verdadeira. Por essa razão, os cristãos não seguem cristãos, eles seguem a Cristo. Os cristãos não pregam a si mesmos ou acerca de Cristo, eles proclamam a Cristo. Os cristãos não proclamam sobre os telhados: “venham à igreja”, eles proclamam sobre as montanhas: “venham a Cristo”. Os cristãos não apontam para os valores da cultura, eles indicam o encarnado, crucificado, ressurreto, entronado, exaltado, triunfante, glorificado, reinante Senhor, Jesus Cristo, o Rei, o Messias. O Cristo muito além do Sol. Ele prometeu acompanhar você hoje. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)

Meditações Diárias – Meditação Matinal – Fevereiro 2014 – Amin Rodor – Encontros com Deus

A Pequena ServaMeditações Diárias 2014 – 1º de fevereiro
Saíram tropas da Síria, e da terra de Israel levaram cativa uma menina, que ficou ao serviço da mulher de Naamã. 2 Reis 5:2
Em uma de suas constantes invasões a Israel, os sírios levaram cativa uma pequena garota, talvez entre 12 e 14 anos. Teriam seus pais e irmãos sido exterminados ou vendidos como escravos? Além do fato de ela ser uma cativa em terra estranha e distante, nada mais sabemos dela. Não sabemos nem mesmo seu nome, a que tribo pertencia ou a cidade de origem. Mais uma vez, contudo, no cenário bíblico, um papel maior é desempenhado por um figurante menor.
Essa garota anônima não apenas nos surpreende. Ela toca nossas emoções. Sua vida havia sido arruinada. E quem era o responsável? O marechal de campo Naamã, o supremo comandante militar. Estrangeira, escrava, mulher, ela se encontrava na prateleira inferior da estrutura social da Síria. Tinha tudo para se tornar amarga, cínica e dominada por ressentimentos. Porém, como ela responde quando ouve que aquele que lhe causara tamanha dor está ferido de lepra? Ela não diz: “Oh, lepra, hein? É por isso que eu vi aquelas manchas terríveis. É um caso sem esperança. Dançarei em sua sepultura.” Nesse drama, ela se destaca por sua fé em Deus. Certamente, essa humilde garota hebreia não sabia o que sua piedade, precisamente sua única distinção, haveria de realizar. Jamais poderia imaginar que sua história fosse imortalizada nos escritos sagrados.
À mercê de seus senhores pagãos, ela deve ter tido formidáveis questões em sua mente juvenil. Ela poderia ter rejeitado sua fé e suas raízes. Os pais, entretanto, piedosos israelitas, não haviam sido negligentes. No coração daquela criança, eles implantaram para sempre o temor do Senhor. Ela poderia ter escondido sua fé, mas não fez isso. Ela a usa. Que extraordinário encorajamento para todo aquele que se julga humilde e incapaz, limitado por circunstâncias adversas! A história dessa menina é a permanente lembrança de que, pela fé, podemos ser instrumentos de bênção para o mundo. Ela não busca revanche. Simplesmente confia nAquele que julgará todas as coisas. Ela perdoa Naamã. Torna-se um instrumento de cura e salvação. Com palavras que expressam simpatia, compaixão, convicção e fé, ela diz: “Tomara o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra” (v. 3). Ela faz, afinal, aquilo que toda a Bíblia nos ensina fazer. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
As Demoras de DeusMeditações Diárias 2014 – 2 de fevereiro
Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão. João 11:21
Em seu livro From Death to Birth (Da Morte Para o Nascimento), Edmond Stanley traz um poema sobre a traumática experiência de Victor. Depois de ser traído pela esposa, ele vaga pelas ruas, sem rumo, até encontrar-se num lugar deserto nos limites da cidade. Enquanto lágrimas caem de seus olhos, Victor olha para o sol poente, no horizonte distante. Sozinho, ele olha então para cima e clama: “Senhor, estás aí?” E o firmamento lhe responde: “Endereço desconhecido.”
Quase todos nós, durante a vida, temos enfrentado um tipo ou outro de turbulência. Talvez um período de crise pessoal. Um telefonema no meio da noite com más notícias. Um acidente. Os traumas de uma separação. Golpes aparentemente cegos. Ou talvez um período de perplexidade, em que julgamos que nunca poderíamos emergir do vale da sombra da morte, momentos em que todos os suportes da vida parecem ruir.
Há ocasiões em que, na tentativa de encontrar sentido em meio ao caos, oramos: “Pai, estás aí?” Esperamos e esperamos… E nossas orações parecem voltar com o envelope fechado e carimbado: “Endereço desconhecido.” Como sobreviver às aparentes demoras de Deus? Como sobreviver àquelas situações desconcertantes, em que Deus parece muito atrasado?
Maria e Marta mandaram um recado urgente: “Senhor, está enfermo aquele a quem amas” (Jo 11:3). O que você acha que Jesus deveria ter feito? Ele só chega a Betânia quatro dias depois. Por que não veio imediatamente? Ou por que não curou o amigo a distância, como já fizera? Quando Ele finalmente aparece, Maria Lhe diz: “O Senhor chegou muito tarde. Muito atrasado.” Atrasado? Não segundo o cronograma de Deus. Você pode extrair algum conforto dessa história e de seu desfecho? Havia um motivo para a demora de Jesus. Lázaro já estava em decomposição, e seus inimigos não poderiam negar esse fato. O incidente provaria quem Ele realmente é, tanto para os que sofriam em Betânia como para Seus seguidores ao longo da história, inclusive você hoje. Respondamos às “demoras” de Deus com fé, aguardando os desdobramentos finais.
Ellen White afirma: “Como as estrelas no vasto circuito de sua indicada órbita, os desígnios de Deus não conhecem adiantamento nem tardança” (O Desejado de Todas as Nações, p. 32). Ele é sempre o Deus da hora certa. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
A Magia Não Está na TorneiraMeditações Diárias 2014 – 3 de fevereiro
Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela. Efésios 5:25
Thomas Edward Lawrence nasceu em agosto de 1888, em Gales, no Reino Unido. Tornou-se famoso como militar da inteligência britânica durante a Revolução Árabe, na Primeira Guerra Mundial. Especialista em guerrilhas no deserto, sua missão no Oriente era unir as facções árabes para derrotar o Império Turco. Sua biografia foi popularizada por Hollywood no filme Lawrence da Arábia, produzido em 1962.
Durante a guerra na Arábia, Lawrence estabeleceu forte amizade com muitos xeiques. Depois que a guerra terminou, ele levou alguns desses amigos ilustres à Inglaterra para demonstrar sua gratidão pelo apoio que recebera. Seus amigos árabes ficaram deslumbrados.
Segundo a lenda, na última noite da visita, Lawrence ofereceu aos nobres visitantes qualquer coisa que quisessem levar no retorno para seus lares no deserto. Então os xeiques o conduziram a um dos quartos do suntuoso hotel que os hospedara em Londres. Entraram no banheiro e apontaram para as torneiras na pia. Disseram-lhe que aquele era o presente desejado. Acostumados com a aridez do deserto, onde a água era uma luxo raro, julgaram que as torneiras seriam um presente extraordinário, e a solução mágica para um enorme desafio.
Eles julgavam que a magia da água corrente estava nas torneiras, sem perceber que as torneiras eram o menos importante. Não entendiam que por trás delas estava todo um sistema de suporte, encanamentos, tanques, reservatórios, filtros e energia.
Pense nessa história em relação ao casamento moderno. Muitos veem o casamento em termos da festa, das roupas, da lua de mel, da casa ou apartamento onde vão morar, da realização profissional e financeira. Muitos associam o sucesso do casamento com o desempenho sexual, e esta parece ser uma ilusão dominante, alimentada por filmes, livros e novelas. Mas o segredo do casamento não está no que se pode ver. A visão materialista do casamento, a confusão entre o fundamental e o periférico, é precisamente o que cria os maiores fracassos. Há diversas pessoas que investem muito naquilo que pode produzir tão pouco retorno. Amor sacrificial, o amor inspirado em Deus, é a única base segura para o casamento. É preciso colocar, como Cristo fez, o interesse da pessoa amada acima dos interesses pessoais.
Do contrário, é como achar que basta ter a torneira para ter água. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Utilizar o Que Nos Foi ConfiadoMeditações Diárias 2014 – 4 de fevereiro
A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade. Mateus 25:15
Quando tinha 13 anos, Dwight L. Moody (1837-1899) deixou os estudos em Massachusetts para trabalhar. Aos 17, ele se mudou para Boston e tornou-se assistente de seu tio em uma sapataria. Converteu-se pela influência de um professor de Bíblia na Igreja Congregacional que frequentava. Mais tarde, tornou-se representante de vendas na área de Chicago com um negócio de considerável sucesso. Mas seu coração estava no evangelismo. Em 1860, abandonou suas atividades comerciais e entregou-se de tempo integral à pregação do evangelho.
De início, Moody não obteve muito sucesso, mas progressivamente suas campanhas iniciaram um extraordinário despertamento espiritual por onde ele passava. Estima-se que mais de 2,5 milhões de pessoas assistiram às suas reuniões. Durante sua vida, Moody cobriu 1,6 milhão de quilômetros com suas pregações. Um de seus biógrafos chega a afirmar que ele desviou 500 mil pessoas do inferno. Numa visita à Inglaterra, no fim da reunião, ele orou e em seguida dirigiu-se à porta de saída para se despedir das pessoas. Uma mulher da aristocracia aproximou-se e lhe disse: “O senhor cometeu três erros gramaticais em sua oração.” Em seu estilo direto, Moody respondeu: “Em primeiro lugar, eu não estava falando com a senhora. Em segundo lugar, eu sou um homem de um talento só, mas estou utilizando este único talento da melhor forma que sei e posso. E a senhora?”
No Evangelho de Mateus (25:14-30), Jesus contou a parábola dos talentos, indicando que o preparo para Seu retorno não significa espera passiva e improdutiva. Ao contrário, Ele deve ser aguardado em atividade responsável, em harmonia com o que é esperado. Essa parábola contrasta dois comportamentos. O que é colocado em contraste são as atitudes, não o número de talentos. Todos receberam talentos, embora não em proporções iguais: um recebeu cinco, outro dois e outro um. Dois pontos devem ainda ser considerados.
Primeiro, ninguém pode alegar que não recebeu talento nenhum. E, segundo, não podemos ser iguais no número de talentos, mas podemos ser iguais na dedicação, fidelidade e fervor. Assim, a parábola serve de advertência e conforto: Deus não espera os mesmos resultados de todos, mas deseja o mesmo envolvimento e compromisso. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Torres InacabadasMeditações Diárias 2014 – 5 de fevereiro
Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Lucas 14:28
Grandes líderes têm sempre apresentado as exigências do discipulado. Giuseppe Garibaldi ofereceu aos seus seguidores fome e morte pela liberdade da Itália. Winston Churchill falou de sangue, suor e lágrimas na luta contra o nazismo. Contudo, nenhum líder fez demandas tão radicais quanto Jesus. Ele fala em amá-Lo mais que ao próprio pai, mãe, mulher e filhos. Convida-nos a “tomar a cruz” e “renunciar a tudo” (Lc 14:25-27, 33).
Por que haveria Jesus de colocar exigências tão estritas? Na verdade, não é que Ele esteja desencorajando o discipulado, mas advertindo-nos contra o falso, para que conheçamos o verdadeiro. Jesus nunca “dourou a pílula”, fazendo “ofertas” sem indicar o que está envolvido nelas. Não encontramos nEle as famosas “promoções” que em letras pequenas escondem o engano do que é “ofertado”.
Na seção que segue os textos mencionados, Jesus sugere que fechemos as portas para balanço e façamos um claro inventário do “custo e benefício”.
A partir do verso 28, entre as condições dois e três do discipulado, aparecem duas pequenas parábolas. Jesus extrai as ilustrações do senso comum. Se um homem decide construir uma torre, ele deve primeiro avaliar o custo. É necessário sentar, considerar o projeto e então decidir se ele pode completá-lo. Torres inacabadas, em diferentes sentidos, são vistas em todas as partes. Não ir além do fundamento é um convite à frustração e ao escárnio (v. 29, 30). Parábola semelhante aparece a seguir (v. 31, 32). Não é normalmente fácil, com dez mil soldados, vencer uma força invasora que ataca com 20 mil. Um rei em tal posição deve pensar sério. Há aqui um apelo ao realismo. A proporção é de dois contra um.
As duas histórias são semelhantes, mas elas ensinam verdades levemente diferentes. O construtor da torre é de certa forma livre para construir ou não, dependendo de sua escolha. Mas o rei da parábola de Jesus enfrenta uma emergência. Ele está vendo seu país ser invadido e deve pensar rápido. Na primeira parábola, Jesus diz: “Sente-se e faça os cálculos para ver se você pode Me seguir.” Na segunda história, a sugestão é um pouco diferente: “Sente-se e veja se você pode recusar minha oferta.” Nos dois casos a decisão é nossa. O que não podemos escolher são os resultados. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Vida Não Relacionada Com a MorteMeditações Diárias 2014 – 6 de fevereiro
Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. João 8:32
Todas as coisas do mundo natural perecem. As riquezas levantam voo. A fama é apenas um fôlego. O amor humano é incerto e limitado. A juventude, a saúde e o prazer, todos eventualmente nos abandonam. Portanto, se todas as coisas terminam em pó e desapontamento, elas não podem ser o bem final da existência nem as prioridades que absorvem toda nossa atenção e energia.
Necessitamos de vida não relacionada com a morte. Um tipo de bem que se ergue acima das coisas temporais e passageiras.
Alguns julgam que somos apenas resultado do acaso e, por isso, a vida não tem qualquer propósito. Assim, eles se entregam ao momento. Mas essa filosofia não é consistente. C. S. Lewis a analisa com lógica incrível: “Você poderia imaginar os peixes reclamando do mar pelo fato de eles estarem molhados? Se eles fizessem isso, esse fato indicaria que eles nem sempre foram criaturas aquáticas. Se somos meramente produto de um universo material, como explicar a realidade de que nunca estamos completamente felizes aqui?”
Algo dentro de nós grita por uma paz que nunca experimentamos. Sentimos saudades de um lugar onde nunca estivemos. Desejamos uma conexão que não sabemos explicar. Estas são as marcas de nossa origem. Criados por Deus, estamos longe de nosso lar, perdidos em um país distante. Blaise Pascal observou: “Quem se sentiria infeliz por não ser um rei, exceto um rei deposto? Todas as nossas misérias provam a nobreza de nossas origens. Somos filhos de Deus, mas perdemos o contato com nosso Pai.”
Jesus veio para buscar e salvar o que se perdera. Não é por acaso que Ele falou do caráter libertador da verdade, como afirma o texto de hoje.
A verdade, que é o próprio Jesus Cristo, nos libertará do vazio interior, das distorções da autoestima, da solidão, da falta de propósito e do medo da morte. Julie Cameron, de Noranda, na Austrália, diagnosticada com câncer terminal, escreveu em março de 1999, pouco antes de morrer: “Cristo é tudo para mim. Ele é o meu Consolador; meu Protetor; meu Conhecimento; a Música de minha vida; meu Conselheiro; a Luz; a Rocha na qual me ergo; meu constante Companheiro; Aquele que me ouve; Ele é o Mestre; o Grande Artista; a minha Segurança. Ele é a Sombra que me segue [...]. Ele é o maior Autor, pois escreveu o Livro da Vida.” (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Você Gosta de Ganhar?Meditações Diárias 2014 – 7 de fevereiro
A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira. Provérbios 15:1
Você é daqueles que gostam de discutir só para ouvir o som de sua “maravilhosa voz”? Você gosta de ganhar todas as discussões, mesmo com as pessoas que você mais ama, esposa, esposo, filhos, amigos? Muitos têm a ideia de que ganhar com base na argumentação é reduzir a outra pessoa ao completo silêncio, diminuí-la e humilhá-la. Significa tornar evidente que as ideias ou contribuições dela não valem nada. Ganhar dessa forma significa perder um relacionamento. Ganhar assim é roubar da outra pessoa sua humanidade, sua singularidade. Palavras matam. Palavras de rejeição, de ódio e de negação assassinam ou desabilitam a pessoa para a vida. Podem deixar cicatrizes como as feridas causadas por uma pistola.
Numa avenida movimentada, um casal já está atrasado para o jantar na casa de amigos. O endereço é desconhecido. Antes de sair, porém, a esposa havia consultado um mapa. Ele dirige o carro, e ela o orienta. Pede para que vire na próxima rua à esquerda. Ele “tem certeza” de que é à direita. Discutem. Percebendo que, além de atrasados, poderão ficar mal-humorados,
ela deixa que ele decida. Ele vira à direita, para perceber, então, que estava enganado. Com dificuldade, ele admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e graciosamente diz que não há problema em chegar alguns minutos mais tarde.
Mas ele ainda quer saber: “Querida, se você tinha tanta certeza de que eu estava tomando o caminho errado, por que não insistiu um pouco mais?” Ela responde: “Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma briga. Se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite. E algo que aprendi em minha vida de casada com você é que a melhor maneira de ganhar uma discussão é evitando-a. Por isso, tolero suas pequenas impertinências, pois você é muito maior do que elas.”
Belíssimo exemplo. Essa história, intitulada “Ser feliz ou ter razão”, aparece no livro A Arte de Lidar com Pessoas. Ela oferece uma verdadeira aula de habilidade na arte do relacionamento humano. Quanta energia é gasta apenas para demonstrar que temos razão, independentemente de termos ou não. Quase todos nós sofremos da síndrome de “ter razão” e “impor ideias” a todo custo, desconsiderando o resultado final sobre as pessoas com quem convivemos. Busque hoje, pelo poder de Deus, a graça de ser tolerante. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
A Ressurreição de PedroMeditações Diárias 2014 – 8 de fevereiro
Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu Me amas? Pedro entristeceu-se por Ele ter dito, pela terceira vez: Tu Me amas? E respondeu-Lhe: Senhor, Tu sabes todas as coisas, Tu sabes que eu Te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as Minhas ovelhas. [...] Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-Me. João 21:17, 19
Você se sente um caso perdido, sem esperança em relação à fé? Duvida de que Deus possa lhe perdoar mais uma vez? Também pode ser que você conheça “um caso perdido”. Segundas e terceiras chances não estão, em geral, disponíveis no ambiente de trabalho, na escola, em comunidades ou mesmo em famílias e na igreja. Uma queda ou duas, no máximo, e você está fora do jogo.
Felizmente, Deus age de outra maneira, como vemos no caso de Pedro. Por iniciativa dele, alguns dos discípulos decidiram pescar. Ao romper do dia, um estranho caminhando na praia perguntou se tinham alguma coisa para comer. Eles não haviam pescado nada durante a noite. Então receberam a ordem: “Lançai a rede à direita do barco e achareis” (v. 6). A autoridade na voz não deixou qualquer dúvida. Teriam eles se lembrado do que acontecera três anos e meio antes? (Lc 5:4-9). “É o Senhor!”, João explode de contentamento (v. 7). Acostumado a não pensar duas vezes, Pedro lança-se ao mar para o encontro de sua vida, a quase 100 metros de distância. O desjejum já estava pronto. Peixe assado e pão. Inicialmente Jesus perguntara se havia alguma coisa para comer, sugerindo que a refeição dependia dos discípulos. Então operou o milagre da pesca para recebê-los com a “mesa pronta”. O que Ele estava dizendo? A pesca é apenas um símbolo. Ele será responsável pelo sucesso de Sua causa. Seus discípulos, incluindo Pedro, devem apenas confiar nEle.
Em tudo isso, Jesus estava restaurando Seu discípulo falido, atraindo-o para Si. O teste é se Pedro O ama. Às vezes, eu me pergunto: O que é necessário para reabilitarmos um irmão caído? Quanto tempo ele terá que ficar de “quarentena”? Que “evidências” precisamos ter de que “já se emendou”? Por que temos tanta relutância em aceitar que as pessoas podem mudar? Por que insistimos em definir, mesmo aqueles que mais amamos, em termos de seu passado e de suas falhas? Não seria o caso de que é precisamente a nossa aceitação da pessoa que cria o ambiente para a mudança? Consistentemente, Jesus não mudou as pessoas para aceitá-las. Ele as aceitava primeiro para então operar as mudanças. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Segue-MeMeditações Diárias 2014 – 9 de fevereiro
Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-Me. Mateus 19:21
Um estudo relativamente recente da revista Psicologia Hoje analisou a influência do dinheiro na vida das pessoas. Uma das conclusões é que as pessoas mais preocupadas com o dinheiro têm menos probabilidade de se envolver em relacionamento afetivo satisfatório. Elas tendem a ser perturbadas por constantes ansiedades, preocupações e solidão. A história do jovem rico mencionado no texto de hoje reflete a tragédia de alguém que pensava possuir a riqueza, mas, ao contrário, era sua riqueza que o possuía. Era difícil para ele abrir mão de seu ídolo para receber o dom da vida eterna que lhe era oferecida por Cristo.
Seu “deus” era um enorme obstáculo em linha direta de colisão com o Deus verdadeiro. Em uma sociedade na qual a riqueza e a prosperidade eram vistas como sinal de aprovação e aceitação por parte de Deus, a afirmação de Jesus espanta os discípulos: “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (v. 24).
A salvação é sempre um dom, inteiramente gratuito, baseado absolutamente na graça divina. A dificuldade está na aceitação do dom, uma vez que nos agarramos aos substitutos precários.
Qual é a tragédia do moço rico? Não é apenas a questão de que ele “amou mais o dinheiro”. Na realidade, ele não reconheceu um bom “investimento” quando a oportunidade lhe bateu à porta. O que Jesus está dizendo é que a recompensa será infinitamente desproporcional ao custo do discipulado. Se você está preocupado com o que custa servir a Jesus, isso não é nada em comparação ao que o espera se você fizer a escolha certa. Seja lá o que for que você “perca” seguindo a Cristo, Ele pessoalmente Se encarrega de fazer a compensação. O que lhe prometem os negócios, circunstâncias e benefícios? Ele cobre a oferta.
Do ponto de vista terreno, o jovem rico era o “primeiro”, havia “vencido na vida”, parecia um “sucesso”. Mas, no momento da decisão crucial acerca de Cristo, ele fez a escolha que o excluiu da verdadeira riqueza. A palavra utilizada para “perfeito” (teleios) não significa perfeição moral, ética ou impecabilidade, mas maturidade. Jesus está dizendo a ele e a nós: “Você quer agir como adulto, com maturidade e lucidez? Vá, liberte-se de seus ‘brinquedinhos’; venha e siga-Me.” (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Qual É Sua Motivação?Meditações Diárias 2014 – 10 de fevereiro
Respondeu Satanás ao Senhor: Porventura, Jó debalde teme a Deus? Jó 1:9
Os pais de Bill Borden, da aristocracia britânica, fizeram fortuna em negócios imobiliários em Chicago e na mineração de prata no Colorado. Em 1908, aos 21 anos, o jovem Borden já possuía uma fortuna, em termos atuais, equivalente a 40 milhões de dólares. Bem apessoado, inteligente, educado e popular, em 1912, aos 25 anos, o milionário tomou duas decisões que se tornaram notícia. Ele doou toda sua fortuna: a metade para a pregação do evangelho, nos Estados Unidos, e a outra metade para as missões além-mar. Em segundo lugar, ele decidiu servir como missionário entre os muçulmanos, primeiro no Egito, para aprender o árabe, e depois em uma remota região na China.
Para o público, os jornais da época e mesmo para muitos cristãos, tais decisões pareciam um desperdício incrível, especialmente quando ele morreu de meningite cerebroespinhal pouco depois de ter chegado ao Cairo. Aparentemente ele havia jogado fora o dinheiro, a carreira e a vida. Com que propósito? O que leva uma pessoa a voltar as costas a tudo que a maioria julga importante e viver em obediência ao que crê ser a vontade de Deus para sua vida? Qual é a recompensa desse tipo de investimento?
O livro de Jó relata a fascinante história da fidelidade de um homem. Quando Deus o apresenta como exemplo de integridade, Satanás responde de modo desafiador: “Porventura, Jó debalde teme a Deus?” A palavra aqui traduzida por “em vão”, “debalde” ou “inutilmente” é chave para toda a história. O diabo insinua que todo serviço a Deus não é senão um negócio vantajoso. “Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra Ti na Tua face” (Jó 1:11). O ataque vai direto ao coração da questão: Por que as pessoas servem a Deus? Tal acusação é poderosa, desconcertante e muito atual. Por que servimos a Cristo? Cínicos argumentam que a dedicação a Deus é condicionada por aquilo que podemos receber.
Satanás feriu Jó numa sequência impiedosa: os bens, a família e, finalmente, ele próprio. O patriarca da dor e do sofrimento, sem que soubesse, torna-se um espetáculo para o Universo que observa em silêncio o desdobramento do drama. Jó revela a pureza de sua motivação, e o diabo não aparece mais no livro. Você e eu podemos desmentir as acusações do inimigo. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Sem DistinçãoMeditações Diárias 2014 – 11 de fevereiro
Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. Tiago 2:1, ARC
Com frequência, relatórios evangelísticos que apresentam conquistas de uma iniciativa missionária deixam as melhores histórias para o fim. E referências então são feitas aos conversos das “melhores classes” que foram batizados. Você já ouviu ou apresentou relatórios assim? Quão profundamente essa mentalidade está enraizada na igreja?
Vivemos em uma sociedade orientada pela produção, na qual a importância das pessoas é medida pelo que fazem, quanto podem produzir ou quanto ganham. Como nos relacionamos, porém, com irmãos que não podem devolver grandes valores de dízimos ou ofertas? Às vezes, penso que isso não seja algo consciente. Mas, mesmo assim, atribuímos maior valor a pessoas importantes e ricas do que o fazemos com irmãos pobres e destituídos, que financeiramente podem contribuir com muito pouco. Contudo, o valor essencial de um ser humano não é baseado em quanto ele produz ou ganha. Não é definido por sua posição na escala social. Tal valor está ancorado no fato de que ele é membro da espécie humana, criado à imagem de Deus e amado por Ele. Isso é tudo, nada mais.
O problema da preferência é tão antigo quanto o cristianismo. Tiago trata dele em sua epístola. E usa a ilustração de dois homens que entram em uma reunião da igreja, um rico e um pobre, e então descreve a atitude contrastante dos que os recebem (Tg 2:2, 3). Para o apóstolo, tal tratamento baseado em acepção significa que nos tornamos juízes, sendo movidos por maus pensamentos (v. 4)
De onde teria o apóstolo tirado essas ideias? Tiago tinha aprendido bem com o Mestre. A atitude de Jesus em relação às pessoas foi radicalmente oposta à mentalidade elitista. E não era por acaso que “a grande multidão O ouvia com prazer” (Mc 12:37). Ele foi amigo dos pobres e marginalizados. Amigo do povo comum e dos que não tinham amigos. Ele tocou os intocáveis de Seus dias e os tratou a todos como príncipes. Também nesse aspecto, Ele foi uma exata representação de Deus, “que não faz acepção de pessoas” (At 10:34). No clima classista da cultura moderna, a igreja e os cristãos têm uma exclusiva oportunidade de representar o Deus a que servem, colocando-se acima das distinções de etnia, gênero, nacionalidade, posição social, riqueza, educação. Essas distinções são absolutamente irrelevantes aos olhos do Altíssimo. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Servindo Por AmorMeditações Diárias 2014 – 12 de fevereiro
Pois o amor de Cristo nos constrange. 2 Coríntios 5:14
Para muitos críticos, o cristianismo funciona à base da intimidação e do medo. Num recente livro que li, o autor parece convencido de que todo o edifício do pensamento cristão é construído sobre a ideia do inferno. “Retire-se a noção do inferno, e o cristianismo acaba”, ele afirma. E conclui: “Sem o inferno, todas as doutrinas e dogmas perdem seu sentido. Sem o perigo do inferno, por que alguém iria se converter?” Para ele, o medo é a única força cristã.
Outros imaginam que a grande motivação é o desejo de recompensa. Dostoiévski observa: “Não é Deus que os homens procuram. São os milagres que Ele pode fazer.” Talvez isso explique o fenômeno do crescimento das igrejas que exploram a teologia da prosperidade, oferecendo às pessoas precisamente aquilo que elas desejam: saúde física, dinheiro, sucesso material.
De fato, medo de punição e desejo de recompensa são grandes forças motivadoras. Mas elas não são as únicas. O amor e a graça são forças incomparavelmente maiores e mais fortes para o comportamento humano. Deus não usa como instrumentos de motivação ameaças ou a sedução de recompensas para ganhar nosso coração. Paulo entendeu isso ao afirmar que “o amor de Cristo nos constrange”. O símbolo do cristianismo é uma rude cruz, onde se concentrou o amor do Universo, e não um trono ou uma coroa. Quando entendemos a graça de Deus, que nos aceita e perdoa, que nos trata com dignidade quando não temos dignidade, e compreendemos que Deus morreu por nós quando ainda éramos inimigos (Rm 5:8), não podemos senão amá-Lo. Por isso, Jesus observou: “Se me amais, guardareis os Meus mandamentos” (Jo 14:15). Aqueles que são motivados por medo ou recompensa se comportam como escravos. São mesquinhos, contando centavos e segundos, sempre mal-humorados naquilo que doam ou fazem. Mas Cristo nos libertou de tal condição. Ele nos chama de amigos (Jo 15:14).
Você realmente ama alguém? O que você faria por essa pessoa? Eu tenho visto pessoas trabalharem arduamente. Tenho visto pais passarem noites em claro por um filho. Mas o espantoso é que eles não se sentiam escravos. Trabalhavam com brilho nos olhos e alegria na face. Quando realmente amamos alguém, servir a essa pessoa, longe de ser um fardo, é sempre um privilégio e uma oportunidade para aquele que ama. Como você serve a Cristo? Como escravo ou como a um amigo querido? (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
O Lugar Mais SeguroMeditações Diárias 2014 – 13 de fevereiro
Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima. Hebreus 10:25
Há uma interessante estatística que li acerca de como se manter seguro no mundo atual. As sugestões são coloridas com humor:
Evite dirigir ou estar em automóveis. Eles são responsáveis por 20% dos acidentes.
Cuidado enquanto você está em casa: 17% de todos os acidentes acontecem aí.
Esteja alerta ao caminhar em ruas e calçadas. Saiba que 14% dos desastres acontecem a pedestres.
Evite viajar de avião, trem ou navios, pois 16% de todos os acidentes envolvem essas formas de transporte.
O restante dos acidentes, somando 33%, ocorrem nos hospitais. Assim, sobretudo, evite os hospitais.
Mas, continua o texto, “você ficará feliz em saber que de todas as mortes apenas 0,01% ocorrem durante serviços de culto na igreja, e essas estão relacionadas com desordens físicas anteriores”. Assim, conclui tal artigo, o lugar mais seguro para você, em qualquer circunstância, é a igreja.
Humor à parte, a recomendação é válida por razões inquestionáveis. No contexto do verso bíblico de hoje, encontramos quatro admoestações aos cristãos: (1) cheguemo-nos com coração verdadeiro (v. 22); (2) guardemos firme a confissão de nossa esperança (v. 23); (3) consideremos uns aos outros (v. 24); e, finalmente, (4) não deixemos de congregar-nos (v. 25). As duas primeiras estão relacionadas com o fato de que alguns cristãos hebreus corriam o risco de, abandonando a “realidade”, que é Cristo, voltarem para as sombras do judaísmo. As duas últimas são advertências aos cristãos em relação à igreja. O cristianismo nunca é uma experiência solitária. De fato, as Escrituras desconhecem cristianismo fora do corpo coletivo de Cristo.
Se a decisão de seguir a Cristo é individual, a caminhada cristã envolve os outros membros do corpo. Se o cristianismo deve ser mantido, expandido e partilhado, reunir-nos na igreja é experiência insubstituível. A vida da fé, em condições normais, presume a igreja, a associação e o envolvimento nela, lar e refúgio dos cristãos. Sucumbir às várias pressões da vida e deixar de se congregar na igreja é cortejar o fracasso espiritual. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Razões Para Não PecarMeditações Diárias 2014 – 14 de fevereiro
A cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Tiago 1:15
Enquanto fazia uma semana de oração em uma igreja brasileira que se reunia em um templo evangélico alugado, na área de Washington, nos Estados Unidos, encontrei no quadro de anúncios dos donos do prédio uma página intitulada: “35 Razões Para Não Pecar”. Achei o texto de uma extraordinária beleza e simplicidade, além de inspirador. Transcrevo abaixo algumas daquelas razões do artigo. “Não devo pecar”:
Porque um pequeno pecado leva a pecados maiores.
Porque meu pecado ofende e entristece a Deus, que tanto me ama.
Porque meu pecado coloca um enorme fardo sobre mim e sobre os que mais amo.
Porque o pecado sempre me faz menor do que aquilo que Deus espera que eu seja.
Porque outros, incluindo minha família, sofrerão as consequências de meus pecados.
Porque o pecado faz os inimigos de Deus se regozijarem e zombarem dEle.
Porque o pecado me engana e leva-me a crer que “ganhei”, quando na verdade perdi.
Porque o pecado me desqualifica para a liderança espiritual.
Porque os supostos benefícios de meu pecado nunca haverão de superar suas consequências.
Porque o pecado traz um prazer momentâneo, mas perda eterna.
Porque meu pecado pode influenciar outros a pecar.
Porque meu pecado impede outros de conhecer a Cristo.
Porque é impossível pecar e ao mesmo tempo ser guiado pelo Espírito.
Porque o pecado rouba minha reputação e o poder de meu testemunho.
Porque o pecado misturado com o serviço torna as coisas de Deus sem gosto.
Porque meu pecado é adultério com o mundo.
Porque nunca posso realmente saber com antecedência quão severo será o custo que meu pecado há de exigir.
Porque eu prometi a Deus que Ele seria o Senhor de minha vida.
Talvez você hoje esteja para tomar uma séria decisão diante de um pecado que o assedia. Reconsidere as razões para não pecar. Lembre-se de que Cristo morreu pelos seus pecados para que você morra para o pecado. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Resistindo à Tentação SexualMeditações Diárias 2014 – 15 de fevereiro
Nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porque és sua mulher; como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus? Gênesis 39:9
Como descrito e demonstrado por filmes e pela TV, o sexo parece a suprema preocupação na mente das pessoas hoje. A distorção oposta seria tratar o sexo como algo pecaminoso e perverso. O sexo é criação divina e apropriado quando é vivido no contexto do casamento. Quando o tiramos dos limites de seu desígnio, destruímos sua beleza e propósito. Isso é mais ou menos como a história do garotinho que tirou um peixe do aquário para brincar com ele. Logo, porém, descobriu que o peixe se diverte apenas no ambiente da água. O princípio é verdadeiro em relação ao sexo, destinado a ser desfrutado no contexto de um compromisso único e exclusivo.
A história de José pode trazer ajuda a jovens lutando com a tentação sexual. As Escrituras afirmam que José “era formoso de porte e de aparência” (Gn 39:6). Isso não passou despercebido à senhora Potifar, que finalmente deixou de rodeios e passou ao assédio direto (v. 7). O primeiro princípio é este: todo mundo é belo de forma e aparência para alguém. Isso quer dizer que não são apenas os vistos como belos que terão que lidar com a tentação. Cedo ou tarde, você se defrontará com o desafio.
Segundo, defina suas normas antes de ser assediado pela tentação. Porque José já havia tomado sua decisão, como indicado no texto de hoje, ele não ficou à mercê da senhora Potifar. Se você não estabelecer as normas pessoais a respeito do sexo, alguém tomará a decisão por você.
O princípio número três aparece no verso 10: “Todos os dias ela insistia que ele fosse para a cama com ela, mas José não concordava e também evitava estar perto dela” (NTLH). Isso quer dizer: evite a proximidade com a tentação. José conhecia os truques da senhora Potifar e sabia de sua vulnerabilidade pessoal. Ele decidiu não se aproximar dela. Ele sabia que precisava ficar tão longe da tentação quanto possível. Cortejar o perigo é preparar-se para a queda.
Finalmente, quando tudo o mais não der certo, fuja. José sabia que chegara o momento em que nenhum argumento iria funcionar. Você certamente deve orar, e a oração é arma poderosa, mas às vezes você tem que colocar “asas” a serviço da oração. José tinha o que chamamos de “compromisso radical”. Não me atrevo a dizer que isso seja fácil. Mas é o que significa ser um discípulo de Cristo. E o Senhor honrará sua determinação e firmeza. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Reproduzir Perfeitamente o Caráter de CristoMeditações Diárias 2014 – 16 de fevereiro
Toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Mateus 7:17
Falar de perfeccionismo é facilmente arriscar-se a ser mal compreendido e acusado de não crer na santificação, em um estilo de vida natural, na importância da saúde ou em qualquer outra ação dentro da área do crescimento cristão. Ainda pior do que isso é ser utilizado por outros para justificar um modelo de cristianismo descompromissado. Mas não é disso que estamos falando. Sem santificação, ninguém verá a Deus. A saúde deve ser preservada como um valioso tesouro, e o estilo de vida natural é um ideal a ser seguido. Contudo, o que se discute é que essas coisas podem facilmente tomar o lugar de Cristo, além de promover complexo de superioridade.
Um dos textos de Ellen White mais utilizados por perfeccionistas está no livro Parábolas de Jesus, página 69: “Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si mesmo em Sua igreja. Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então virá para reclamá-los como Seus.” A expressão “reproduzir perfeitamente” tem sido tomada como sinônimo de impecabilidade, como se os cristãos devessem se tornar uma duplicação de Cristo. Para muitos, o “caráter” torna-se o substituto de Cristo, assim como a lei se torna Seu substituto para os legalistas. Tenho conhecido pessoas que pensam “reproduzir perfeitamente” o caráter de Cristo seguindo a “dieta do Éden”, ou seja, comendo apenas ervas e frutos que deem semente – o que exclui todo o resto, inclusive verduras e alimentos que nascem sob a terra. Para outros, isso significa não usar perfume, sabonete, desodorante, pasta de dentes. Há uma infinidade de ideias derivadas de noções equivocadas da perfeição/santificação.
Defensores de ideias perfeccionistas, contudo, nada têm que ver com o que Ellen White realmente escreveu. Todo o contexto da passagem mencionada está falando do serviço ao próximo, do interesse em sua salvação, de esquecer-nos de nós mesmos e ajudar outros. Nesse contexto, o cristão perfeito é aquele que ama e se preocupa com seus semelhantes, como Jesus, que não viveu para Si. À página 67, Ellen White menciona que “o objetivo da vida cristã é a frutificação – a reprodução do caráter de Cristo no crente”. Então ela menciona que essa frutificação tem que ver com o fruto do Espírito (Gl 5:22, 23; p. 67, 68). É mais fácil ser superficial e “discutir teorias religiosas” do que ser cristão e refletir o verdadeiro caráter de Cristo, de amor incondicional e serviço. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Para Mim, o Viver é…Meditações Diárias 2014 – 17 de fevereiro
Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Filipenses 1:21
Algumas das peças literárias mais poderosas da história foram escritas por líderes aprisionados. Parece que há algo no confinamento – talvez a incerteza ou mesmo os abusos sofridos – que faz o prisioneiro focalizar a mente em convicções fundamentais. Mas, enquanto muitos autores aprisionados assumem uma atitude de mártir, atacando o sistema e aqueles que os aprisionam, Paulo soa radicalmente diferente.
A Epístola aos Filipenses é uma das chamadas “Cartas da Prisão”. O apóstolo parece sentir no ar o pesado clima da execução (1:23), provavelmente em Roma. Mas no que ele se concentra? Paulo focaliza a vida centralizada em Cristo, cuja marca é a alegria. Como cristãos que vivem hoje em liberdade e desfrutam de oportunidades, facilmente podemos nos concentrar em pontos periféricos que, embora atrativos, têm pouco valor. Corremos o risco de perder a perspectiva daquilo que é essencial. Pense em como você completaria a frase a seguir: “Para mim, o viver é…” Observe algumas alternativas e a consequência lógica de cada uma:
Para mim, o viver é dinheiro… e morrer é deixar tudo para trás.
Para mim, o viver é fama… e morrer é rapidamente ser esquecido.
Para mim, viver é poder… e morrer é perder tudo.
Para mim, viver é possuir… e morrer é partir de mãos vazias.
Quando o dinheiro é o objetivo da vida, estamos destinados a viver subjugados ao medo de perdê-lo, o que nos transforma em paranoicos, desconfiados. Quando a fama é o alvo, nós nos tornamos competitivos, envenenados pela inveja. Se orientados pelo poder, nós nos tornamos servos de nós mesmos, vaidosos e arrogantes. Quando o viver é possuir, acabamos sendo possuídos pelo materialismo, escravizados pela ambição de ter, para quem “o suficiente nunca é suficiente”. E assim os falsos deuses nos destroem.
“Para mim, o viver é Cristo” porque apenas Ele nos satisfaz, quer tenhamos ou não, sejamos conhecidos ou anônimos, quer vivamos ou morramos. A boa-nova: a morte não tira nada de nós. Ela apenas fixa para sempre o que já é nosso em Cristo. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Para Ganhar a CristoMeditações Diárias 2014 – 18 de fevereiro
Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo [...], por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo. Filipenses 3:7, 8
No livro Not a Fan (Não um Fã), Kyle Idleman observa que aquilo que estamos dispostos a deixar por Cristo indica o grau de nosso compromisso com Ele. Mostra se somos reais seguidores ou apenas fãs, torcedores. Esse critério, quando aplicado a Paulo, não nos deixa com qualquer dúvida de sua entrega radical.
A busca de um respeitado modelo para ser imitado no judaísmo certamente conduziria ao erudito de Tarso. Na “crista da onda” de fama internacional, Saulo encontra-se com o verdadeiro “rival” de sua perfeição. No caminho para Damasco, ele é subitamente ferido por uma luz que nunca mais seria esquecida. A voz que o chama pelo seu nome tem o som de muitas águas: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 22:7). No chão, ferido pela luz intensa, o fariseu tem seu primeiro vislumbre da justiça perfeita. Pela primeira vez em sua vida, ele sente-se envergonhado. Suas vestes de justiça própria não passam de “trapos imundos”. Todos os seus troféus, placas e impressionantes honras terrenas não passam de realizações ridículas.
Um vislumbre de Cristo é suficiente para convencê-lo de que ele havia gasto a vida na estrada errada, para o destino errado e pela razão errada. Todos os paradigmas de Saulo são alterados num instante; e sua vida, transformada completamente. O que estava na direita passa para a esquerda e o que estava na esquerda passa para a direita. Ele entende quão enganado estivera. A visão do crucificado é devastadora para sua antiga fome de aplauso terreno e busca de justiça humana. Ele sentiu-se completamente falido, reduzido à “estaca zero”. Orgulhoso de suas realizações, ele se vê despido, nu espiritualmente. Tendo no passado estabelecido a norma para a avaliação de outros, Saulo agora se vê um patético fracasso.
Às vezes, penso que as pessoas “perfeitas” ou “superiores”, mesmo que sejam bem-intencionadas, substituíram Jesus Cristo pelo “desenvolvimento do caráter” ou por dietas legalistas e santidade enferma, “respirando ameaças de morte” contra a igreja e os que discordam delas, buscando ilusoriamente “vencer como Jesus venceu”, como se estivessem competindo com Ele. Diante da visão de Cristo, quem não se envergonha de sua justiça farisaica? (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Os Cristãos e o ConsumismoMeditações Diárias 2014 – 19 de fevereiro
Os mercadores destas coisas, que, por meio dela, se enriqueceram, conservar-se-ão de longe, pelo medo do seu tormento, chorando e pranteando. Apocalipse 18:15
O consumo não é algo novo. Pode ser visto como o uso legítimo de recursos para a sobrevivência. Esse não é o caso do consumismo, que surgiu na esteira da Revolução Industrial, tornando-se um estilo de vida dominante em nossos dias. Até então, exceto pela elite rica, o consumo era baseado em necessidade. Luxos e gastos desnecessários eram tipicamente condenados, vistos como extravagâncias supérfluas.
A cultura atual, contudo, apresenta o quadro global de uma febre feroz e incontrolável para se ter e consumir. O poder de consumo é visto como um símbolo de superioridade social, sublinhando status profissional e econômico, mantendo distinção entre “aqueles que podem” e “aqueles que querem”. Consumir é fashion, é ter estilo. Os hábitos de compra foram transformados, e extravagâncias parecem necessidades. O comércio, por meio da publicidade, conseguiu controlar as pessoas, ditando a elas o que vestir e comer, que tipo de móveis precisam comprar e como é o carro que devem ter. A propaganda passou a controlar o pensamento, e os produtos passaram a ser não apenas desejáveis, mas indispensáveis.
Para se criar a economia consumista, o crédito dos consumidores teve que ser expandido. O efeito disso foi o grande aumento do endividamento sobre pessoas e famílias. As consequências dessa Babilônia ainda não foram avaliadas em toda sua extensão. Desenvolveu-se até uma “religião materialista”. Se no passado a resposta a questões essenciais, como “Quem somos nós?”, vinha das Escrituras, hoje ela vem do mercado: “Somos o que consumimos.” As pessoas são subjugadas pela sensação do consumo compensatório: consumir para sentir alívio do estresse. Consumir para sentir-se bem. A lógica é mais ou menos esta: “Se desejo, eu devo possuir. Se devo possuir, é porque eu necessito. E, porque necessito, eu mereço. Então farei qualquer coisa para possuir o que necessito e mereço.”
A força da propaganda consumista é alicerçada em promessas falsas. Mas as Escrituras não têm boas-novas para o consumismo. O Apocalipse 18 antecipa o colapso do comércio, da propaganda enganosa, das fraudes e mentiras. Descubra a vontade de Deus para sua vida, e confie em Suas promessas infalíveis. Aprenda a relativizar a voz da cultura e seus apelos. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Graça Para TodosMeditações Diárias 2014 – 20 de fevereiro
[Jesus] deixou a Judeia, retirando-Se outra vez para a Galileia. E era-Lhe necessário atravessar a província de Samaria. João 4:3, 4
Nicodemos e a mulher samaritana são personagens exclusivos do quarto evangelho. Os dois apresentam um quadro de extraordinário contraste. Ele é um líder da austera teologia farisaica, o melhor da moralidade da época, membro da sofisticada elite. O encontro com Cristo acontece de noite, com entrevista marcada. Jesus confronta Nicodemos com uma demanda: “É necessário nascer de novo” (ver Jo 3:3). A samaritana, por outro lado, é uma religiosa quase completamente ignorante, adúltera, marginalizada dentro do sistema social e religioso dos judeus. Encontra-se com Cristo de dia. Ela não suspeita de nada. Toma o Filho de Deus por um judeu comum. Jesus a confronta com uma oferta: “Aquele, porém, que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo 4:14).
Inicialmente, temos a impressão de estar lendo histórias sobre Nicodemos e a samaritana anônima. Contudo, essas narrativas são essencialmente sobre Jesus e o amor de Deus revelado nEle. Os extremos humanos estão aqui representados, assim como está representada a grande oferta de Deus, que se estende a todos. Os personagens humanos são nossos representantes. Neles, fica claro que a graça de Deus é para todos. Ninguém é excluído. Aqui o ministério de Jesus repreende a justiça própria de Nicodemos, bem como a indulgente promiscuidade da samaritana. Mas o que vemos, afinal, é o triunfo da graça divina.
Na conversa com a mulher, junto ao poço de Sicar, Jesus rompe com dois costumes do comportamento judaico. Primeiramente, os homens não conversavam em público com as mulheres. Em segundo lugar, os judeus rejeitavam qualquer contato com samaritanos (Jo 4:9). Os samaritanos eram judeus híbridos, considerados “vermes imundos” pelo judaísmo. Essa era uma hostilidade que se arrastava por séculos de história.
Cristo Se elevou acima de tabus, preconceitos e mentalidade de gueto para alcançar essa criatura falida. Jesus era mestre em encontrar ouro na lama. Quando ela hesita em Lhe conceder o insignificante favor de um gole de água, dever sagrado entre os orientais, Ele desarma o preconceito dela. Desconsiderando a recusa, faz-lhe uma oferta fascinante. No início da narrativa, é ela quem tem a água, e Jesus a sede. No fim, a mesa se inverte: Ele tem a água, e ela a sede. Esse sempre é o desfecho de nosso encontro com Deus. Nossa falência pode passar por inesperada mudança de rota. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Os Sinos do CéuMeditações Diárias 2014 – 21 de fevereiro
Pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Loide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti. 2 Timóteo 1:5
James Dobson, conhecido psicólogo cristão que trabalhou no Hospital para Crianças em Los Angeles, conta a história de um garoto afro americano, de cinco anos, que nunca seria esquecido por ele. O garotinho estava internado, morrendo de câncer no pulmão, uma terrível enfermidade, especialmente em seu estágio final. Os pulmões se tornam cheios de fluidos, e o paciente fica incapaz de respirar, sentindo-se como se estivesse morrendo afogado. A experiência, segundo Dobson, é grandemente perturbadora, particularmente para uma criança pequena. O garotinho era filho de mãe cristã. Ela o amava grandemente e permanecia ao seu lado em meio ao doloroso cortejo da enfermidade. A mãe o colocava em seu colo e conversava suavemente com ele acerca de Deus e do Céu. Instintivamente ela o estava preparando para os momentos finais que se aproximavam.
Gracie Schaeffler, enfermeira do garoto naquele dia, entrou em seu quarto e o ouviu falar de “sinos do Céu”. Ele balbuciava, como se conversasse com sua mãe: “Os sinos estão tocando, mãe, eu posso ouvir.” A enfermeira julgou que ele estivesse tendo alucinações. Voltou um pouco depois e novamente ouviu a criança falar de “sinos tocando”. A senhorita Gracie, à tarde, contou para a mãe do menino que ele tivera alucinações, falando coisas que não existem, provavelmente por causa da dor. A mãe, que no momento estava com a criança no colo, o apertou ainda mais contra o peito. Com um sorriso, disse: “Não, senhorita Schaeffler. Ele não está alucinando. Eu o ensinei que, quando amedrontado, quando ele não pudesse respirar, focalizasse um canto no quarto e tentasse escutar cuidadosamente; ele ouviria os sinos do Céu tocando para ele. É disso que ele estava falando.” Aquela preciosa criança faleceu no colo de sua mãe, naquela mesma noite, ainda falando dos “sinos dos anjos”.
Tenho grande admiração por pais e mães que ensinam os filhos a confiar no Senhor. Não importa o que a vida venha a jogar sobre eles ou que circunstâncias tiverem que atravessar, tais crianças, por pequenas que sejam, saberão que não estão sozinhas nem desamparadas. Esse ponto de referência espiritual será a maior herança que os pais podem deixar a seus filhos. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
A Importância da IntegridadeMeditações Diárias 2014 – 22 de fevereiro
Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Atos 5:3
Integridade, por definição do dicionário, é o “estado de ser completo, inteiro”. A integridade é irmã gêmea da “sinceridade”, expressão latina, sine cera (sem cera), utilizada para descrever os móveis sem reparos cosméticos e corretivo feitos com cera, para ocultar defeitos. Tanto a integridade quanto a sinceridade são consideradas hoje virtudes em extinção, porque elas são antíteses do espírito dos tempos. Nossa cultura gravita ao redor do sucesso a qualquer preço, vantagens imediatas e propaganda enganosa em todas as áreas. Para muitos, imediatismo e consumismo transcendem os valores permanentes. O que conta é o momento, o aqui e agora.
Pessoas íntegras nada têm a esconder ou ocultar. Nada a temer. Integridade não é primariamente o que fazemos, mas o que somos, e o que somos orienta o que fazemos. A importância crucial da integridade está no fato de que ela exerce grande influência. Acredita-se que 89% do que as pessoas aprendem são determinados por aquilo que observam. Aquilo que os filhos, alunos e liderados testemunham, em última análise, é o que realmente conta. Está acima das palavras e discursos que ouvem. De modo curioso, as pessoas tendem a investir, desproporcionalmente, mais esforço, tempo e recursos na imagem do que na integridade. Imagem é o que as pessoas pensam que somos. Integridade é o que realmente somos. E o que as pessoas são por fora nem sempre coincide com aquilo que elas são por dentro.
O texto de hoje relembra a história de Ananias e Safira, dois membros hipócritas da igreja primitiva. O pecado deles não foi primariamente avareza, mas falta de integridade. Tentaram simular o que não eram. O que aconteceu não foi disciplina eclesiástica, mas julgamento divino. O que aconteceria se Deus tratasse assim a insinceridade dos cristãos modernos? Provavelmente a igreja teria menos membros.
Alguém observou que “a medida do caráter real de um homem é aquilo que ele faria se soubesse que nunca seria pego”. Ananias e a esposa não imaginaram que sua insinceridade seria descoberta. Os resultados foram trágicos. No julgamento, anjos darão testemunho de nossos segredos. “Deus há de trazer a juízo todas as obras, [...] quer sejam boas, quer sejam más” (Ec 12:14). (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Zelo Sem EntendimentoMeditações Diárias 2014 – 23 de fevereiro
Porque lhes dou testemunho que têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Romanos 10:2
“Zelo por Deus sem entendimento” é igual a fanatismo. E a igreja, ao longo de sua história, tem sido palco desse triste espetáculo. O próprio Paulo fora vítima da enfermidade. Ele confessa: “Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno; e assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e contra estes dava o meu voto, quando os matavam. Muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia” (At 26:9-11). Ele também diz: “Na minha nação, quanto ao judaísmo, avantajava-me a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais” (Gl 1:14).
Charles Kingsley Barrett observa que “nenhuma nação se entregou a Deus com tal devoção e mais zelo do que Israel”, mas Paulo conheceu esse zelo em forma superlativa, respirando “ameaças de morte” contra aqueles de quem discordava. Contudo, todo o zelo do mundo não tem qualquer valor sem o conhecimento para guiá-lo. João Calvino corretamente afirmou que “é melhor, como Agostinho diz, ir para o Céu mancando do que correr com toda velocidade e poder na direção errada”.
Zelo sem entendimento é o vício, não a virtude, de muitos que se consideram cristãos. Deploravelmente, parece que cada congregação tem exemplos dessa realidade. Alguns são imitadores do Saulo de Tarso antes de seu encontro com Jesus Cristo, cheios de justiça própria e orgulho espiritual. E que conhecimento lhes falta? O mesmo que estava ausente em Paulo em sua experiência primitiva: o conhecimento de que eles não são autossuficientes, mas dependentes dos méritos de Jesus Cristo. Tal conhecimento traz consigo um humilde reconhecimento de nossas fraquezas e do poder do pecado, além da colossal percepção do poder de Deus.
Aqueles que pensam que sabem, diz Lutero, causam sérios e infindáveis problemas, mas “aquele que sabe que não sabe é gentil e submisso para ser guiado”. Deus deseja que tenhamos zelo, mas esse deve ser um ardor pleno de conhecimento – conhecimento de nossa fragilidade e de nossa arrogante tendência de procurar ser Deus para os outros. Esse conhecimento enche nosso zelo da doçura da graça de Cristo. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Jesus, O CentroMeditações Diárias 2014 – 24 de fevereiro
Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. João 3:36
Jacob Neusner, um rabino moderno, especialista no judaísmo do período primitivo da era cristã, dedica um de seus livros, Um Rabino Conversa Com Jesus, à questão sobre como ele teria respondido a Jesus. Neusner se apresenta demonstrando grande admiração por Jesus Cristo. Admite que os ensinos de Cristo, como o Sermão da Montanha, o deixam impressionado. Ele admite ainda que Jesus teria suscitado seu interesse a ponto de, provavelmente, levá-lo a se unir às multidões que O acompanhavam. Contudo, Neusner conclui que ele teria rompido com o Galileu. Segundo sua concepção, Jesus toma um importante passo “na direção errada” quando muda o foco da Torá para Si mesmo como a autoridade central. Para o rabino Neusner, Jesus faz uma demanda que só Deus pode fazer.
“Respeitosamente, isso é demais para mim”, ele diz.
Jesus diverge de todos os outros mestres que conhecemos. Por que as pessoas não se ofendem com Buda, Confúcio ou Maomé? Eles não afirmaram ser Deus, como Jesus o fez. Jesus não esteve “procurando” a verdade ou a “recomendando”. Ele apontou para Si mesmo como a verdade. Constantemente falou de Si mesmo e essa autocentralização na mensagem de Cristo é reveladora. Jesus sabia que a cruz exerceria um grande magnetismo sobre as pessoas: “Quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim” (Jo 12:32). Ao atrair homens e mulheres, contudo, eles não seriam primariamente atraídos a Deus, o Pai, ou à igreja, à verdade ou à justiça, mas ao próprio Cristo. De fato, é apenas por Seu intermédio que podemos, verdadeiramente, nos aproximar de Deus, da igreja, da verdade e da justiça.
O centro da vida cristã não é nenhum outro senão Jesus Cristo. Todas as coisas, incluindo aquelas relacionadas com Ele, são eclipsadas por Sua pessoa. O astro luminoso no centro de nosso sistema planetário é uma metáfora dessa verdade espiritual. Sem o Sol a vida não poderia existir.
Devemos observar ainda a convergência entre aquilo que Cristo oferece e aquilo que Ele é. Ele não apenas oferece o pão, Ele é pão. Isso também se aplica à água, à verdade, ao caminho, à luz, à ressurreição e à vida. Devemos notar que não podemos ter os dons sem o Doador. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Quem é o Líder do Lar?Meditações Diárias 2014 – 25 de fevereiro
Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura. Colossenses 3:19
O sociólogo Willard Waller formulou o “princípio do menor interesse”. Em termos simples, o princípio de Waller se resume nisto: em qualquer relacionamento, aquele que ama mais exerce menor poder, e aquele que exerce maior poder manifesta menor amor. Imagine um casamento no qual o esposo não ama profundamente a esposa, enquanto ela o ama verdadeiramente. Agora faça a pergunta: Nesse tipo de arranjo, quem dita os termos do relacionamento? Quem é o “chefe”? Quem tem o poder? A resposta é óbvia. Ela fará qualquer coisa por ele, mas, uma vez que ele não está muito envolvido, não se importará muito com ela. Ele está na posição de poder. O oposto também é verdade. Quando a esposa está menos envolvida emocionalmente, e o marido realmente a ama, ela terá o poder.
Na igreja, em seminários sobre casamento, frequentemente surge a questão: Quem é o cabeça do lar? Em geral, quem faz essa pergunta está realmente querendo saber: Quem é que manda? Quem é o chefe? Deixe-me saber: Você já fez essa pergunta alguma vez? Se você é realmente um cristão, essa é a pergunta errada. O ponto não é saber “quem é o mestre”. A pergunta fundamental é: Quem é o que serve? Se você é realmente um cristão, a questão não é definir quem é o primeiro, mas quem é o último. Quando você faz as primeiras perguntas, está reproduzindo a mesma pergunta tola que Tiago e João fizeram a Cristo: “Mestre, quem se assentará à Tua mão direita, e quem se assentará à esquerda?” Quem terá o poder? O homem que realmente ama a esposa não desejará dominá-la com seu poder.
Jesus amou-nos a tal ponto que esteve disposto a abrir mão de Seu poder e tornar-Se um servo (Fp 2:5-8). Se o homem ama a esposa, ele estará disposto a desistir de seu poder e tornar-se seu servo. Da mesma forma, a esposa é instruída a ser submissa a seu marido. Mas que esposa teria dificuldade em se tornar submissa a um homem que realmente está disposto a ser seu servo? O casamento ideal é aquele no qual o marido diz à esposa: “Querida, meus sonhos, minhas esperanças e minhas aspirações não significam muito para mim. Eu estou feliz em me sacrificar para vê-la feliz.” Em retorno, a esposa diria: “De jeito nenhum, querido! Meus sonhos e minhas aspirações não significam nada para mim, contanto que eu o faça feliz!” Sobre isso, eles até podem ter um desentendimento! (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
Os Métodos de DeusMeditações Diárias 2014 – 26 de fevereiro
Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Jeremias 29:11
“Deus ouviu minhas orações.” Quando as pessoas me dizem isso, imagino que elas estão querendo dizer que Deus lhes deu o que pediram. Contudo, será que Deus só ouve nossas orações quando Ele nos concede o que queremos? Com frequência, esquecemos que ao Ele dizer “não” ou “espere” temos respostas divinas tão misericordiosas como Seu “sim”.
Respondemos aos filhos dando-lhes não apenas o que querem, mas o que julgamos ser o melhor para eles. De maneira infinitamente superior, porque as respostas de Deus são sempre corretas, justas, sábias e melhores, Ele com frequência responde às nossas orações concedendo o que a longo prazo se provará o melhor para nós.
Uma das dificuldades com as orações é que elas, na maioria das vezes, são apenas sugestões. Trazemos as respostas prontas, esquecendo-nos de que Deus trabalha com Seus métodos. Naamã, o leproso, queria ser curado. Imaginou que seu pedido deveria ser respondido em termos de um grande show, um espetáculo aos sentidos. Ficou irado quando o profeta simplesmente mandou que ele mergulhasse sete vezes no Jordão. Paulo, por três vezes, pediu que Deus retirasse dele seu “espinho na carne”, entendido por muitos como sendo uma visão precária. Não seria do interesse do próprio Senhor ter um homem como Paulo atuando nas melhores condições? Deus lhe respondeu de maneira inesperada, apenas indicando que Seu “poder se aperfeiçoa na fraqueza”.
Considere esta extraordinária oração de Blaise Pascal: “Não te peço, Senhor, por saúde ou enfermidade, vida ou morte, mas apenas que Tu disponhas de minha saúde ou enfermidade, de minha vida ou de minha morte para a Tua glória [...]. Somente Tu sabes o que é melhor para mim [...]. Concede-me ou tira de mim, mas apenas faze a minha vontade aceitar a Tua vontade. Eu sei apenas, Senhor, que devo seguir-Te e não Te ofender. Fora isso, eu não sei o que é bom ou ruim em qualquer outra coisa. Eu não sei o que é melhor para mim, saúde ou enfermidade, riqueza ou pobreza, ou qualquer outra coisa no mundo. Tal discernimento está além do poder dos homens ou dos anjos, e está escondido entre os segredos de Tua providência, a qual eu adoro, mas não procuro compreender.” (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
O Chamado do InsignificanteMeditações Diárias 2014 – 27 de fevereiro
Então, disse Moisés ao Senhor: Ah! Senhor! Eu nunca fui eloquente, nem outrora, nem depois que falaste a Teu servo, pois sou pesado de boca e pesado de língua. Êxodo 4:10
Essa seção do segundo livro das Escrituras (Êx 4:8-16) aparece como um intervalo entre as vibrantes cenas no drama do êxodo. Aqui nós encontramos em Moisés aquele tipo de fraqueza que muitos escritores e biógrafos oficiais tentam esconder acerca de seus heróis. Esse é um relato estranho e embaraçoso na história de Moisés. De minha infância, eu trazia outra concepção dele. Em minha mente, tinha um daqueles quadros que ilustram as histórias da Bíblia, em que Moisés aparece quase como uma personificação do próprio Deus. Uma figura expressiva de terrível autoridade. Em pose dramática, dignamente barbado, imperturbável, com os olhos fitos no horizonte, segurando as tábuas da lei, como se a própria autoridade dos mandamentos dependesse de sua autoridade. Um verdadeiro super-homem do Sinai!
Assim ele foi imortalizado no mármore por Michelangelo. O próprio Sigmund Freud foi impressionado com essa visão de Moisés. Em seu livro Moisés e o Monoteísmo, o líder hebreu se ergue como um símbolo dos temores da infância. Pelos teólogos da libertação, Moisés foi descrito como um grande libertador, símbolo de força revolucionária.
Mas a leitura desses textos do êxodo destrói qualquer fantasia acerca de Moisés. Aqui, ele aparece cheio de lamúrias e queixas. Com infindáveis desculpas. Cheio de autopiedade. Questionando, incrédulo quanto à libertação de seu povo, apresenta uma série de escusas. Ele não era nada mais que um velho pastor do deserto. Então com 80 anos, sem qualquer posse ou influência, considera que esse sonho de libertação parece uma utopia, se não for uma insanidade. Enquanto o Senhor aparece cheio de esperança, Moisés é o realista da história – apenas quer ser deixado em paz.
O chamado de Moisés é, sem dúvida, o chamado do insignificante. O chamado do insuficiente. Confesso que, algumas vezes, lendo o relato bíblico, eu me identifiquei com Moisés. Ele conhecia a incredulidade de seu povo. Ele conhecia suas limitações. Contudo, Moisés estava passando por alto o elemento central de seu chamado. Ele esteve, pelo menos inicialmente, desconsiderando Aquele que pode arranjar circunstâncias e mudar situações. Afinal, o problema de Moisés não era nenhum problema para o Todo-poderoso, e um dos nossos problemas é não entender isso. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)
O Poder dos Que Não têm PoderMeditações Diárias 2014 – 28 de fevereiro
Vai, pois, agora, e Eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar. Êxodo 4:12
Moisés tentara suas melhores desculpas para “cair fora”. Primeiro, ele tentou o que chamo de “escusa sociológica”, baseada no conhecimento que se tem dos outros. “Mas eis que não crerão” (Êx 4:1). Afinal, por mais de 400 anos, ao que sabemos, Yahweh não falara diretamente com ninguém. Além disso, na última vez que tentara ajudar seu povo, seus irmãos o ameaçaram. Por 40 anos, ele andara desaparecido. A “Polícia Federal do Egito” o tinha na lista dos “mais procurados”. Moisés tinha suas razões. A incredulidade, contudo, não era só do povo, mas dele próprio.
“Que é isso que tens na mão?”, Deus pergunta para que Moisés pense. O seu cajado de pastor, símbolo de suas insignificantes realizações em quatro décadas. O produto de sua fracassada ocupação no deserto de Midiã. Não havia nada de especial naquela vara que agora passa a ser interpretada como o símbolo da competência para a tarefa que o Senhor vai lhe atribuir. Aqui nós temos uma repreensão a todos os que pensam que Deus trabalha apenas com pessoas de talentos extraordinários. O cajado é de Moisés, mas o poder é de Deus. Outros sinais seriam acrescentados.
A segunda desculpa, que chamo de “escusa psicológica”, é baseada no conhecimento que temos de nós mesmos. Moisés alega ser “pesado de língua” (v. 10). Os 40 anos sem ter com quem falar significativamente haviam feito dele um desabilitado vocal. “Arranje outro”, ele disse nas entrelinhas. Moisés, contudo, precisava aprender que, com o Senhor, desabilidade ou limitação não é sinônimo de desqualificação. O Altíssimo é o poder dos que não têm poder.
Curioso é que, em lugar de fazer outro milagre para curá-lo de suas dificuldades, o Senhor envia para a batalha o velho Moisés com sua língua pesada. Yahweh não quer intervir em favor de Seu povo com um poderoso e eloquente orador. Ele apenas supre Moisés com outra limitação: um velho sacerdote de 83 anos, Arão, seu irmão. É com essa dupla da “melhor idade”, no mínimo curiosa, que o Senhor vai cumprir Seu propósito colossal. Onde começa o poder de Moisés? Quando ele abandona as desculpas. Quando entende que o poder não é seu. O êxodo não depende dele. A palavra é de Deus. Os recursos são de Deus. A libertação é do Senhor. Ela não vem do homem, não importa quem seja o homem. O poder não depende da habilidade, mas da disponibilidade. (clique aqui para ver o Comentário da Lição da Escola Sabatina)

Meditações Diárias – Meditação Matinal – Janeiro 2014 – Amin Rodor – Encontros com Deus

As Coisas Novas de DeusMeditações Diárias 2014 – 1º de janeiro
Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Isaías 43:18
Em uma rápida leitura do verso de hoje, poderíamos concluir que Israel estava sendo convidado a esquecer-se de seu passado negativo. Não deveria se lembrar dos capítulos escuros, de fracassos, idolatria, prostituição e desvios da vontade de Deus. Sem dúvida, havia na história do povo escolhido muito para ser esquecido.
Contudo, em uma leitura mais atente, os versos 16 e 17 parecem indicar, pelas referências às intervenções divinas, que o que deveria ser esquecido era o passado positivo, e isso pode parecer mais confuso. Deveriam se esquecer do êxodo, da travessia do Mar Vermelho e da vitória sobre o arrogante Faraó?
Todos nós temos um passado negativo que deve ser esquecido. Falhas, desvios ou ocasiões em que fomos vítimas inocentes dos caprichos da vida. Muitos vivem em casas muradas, amedrontados por fantasmas do “ontem”. Nenhum avanço é possível enquanto estamos olhando a vida pelo retrovisor, perdendo novas oportunidades. Por outro lado, há o perigo de nos tornarmos prisioneiros do passado positivo, em que o sucesso, realizações e mesmo bênçãos concedidas tornam-se grandes obstáculos para qualquer avanço. Assim como há os que vivem assustados pelas experiências do passado negativo, há também os que são prisioneiros em palácios de recordações, nostalgia e saudosismo, sem nada esperar do futuro. Vivem acomodados naquilo que “aconteceu”. Isso é uma realidade em muitas áreas da vida. No casamento ou na vida profissional.
O verso 19 sugere outra realidade: “Eis que faço coisa nova”. A questão não é simplesmente esquecer o passado, mesmo que ele seja positivo, mas não permitir que o passado nos limite, como se Deus não tivesse nada mais para fazer por nós. Desse ponto de vista, o texto de Isaías que nos orienta a não nos lembrarmos “das coisas passadas” tem um extraordinário apelo para nós neste primeiro dia do ano. As coisas novas de Deus não nos permitem ficar acomodados. Não importa o que Ele já tenha feito em seu favor, você ainda não viu nada. Isso é verdade não por causa de nossa criatividade, mas por causa dEle, que sempre Se excede no que faz. Olhe com confiança para o que está à sua frente. Ele fará coisas novas por você, em sua vida espiritual, em seu casamento, família, atividades, estudos e realizações. Creia, o melhor está à frente!
Rumo ao DesconhecidoMeditações Diárias 2014 – 2 de janeiro
Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, [...] e partiu sem saber aonde ia. Hebreus 11:8
Abraão figura no Antigo Testamento como exemplo de fé. Estabelecido e bem-sucedido em Ur dos Caldeus, ele ouve o chamado divino: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei” (Gn 12:1-3).
O próximo verso diz: “Partiu, pois, Abraão, como lho ordenara o Senhor” (v. 4). Imagine o que estava envolvido em tal decisão. Abraão, a essa altura, não era nenhum jovem. Precisaria cortar os laços, as amizades e as conexões.
Seria preciso sair da área de conforto. Do ponto de vista do senso comum, uma inconsequência. Sair sem destino certo. Fundar uma nação? Essa era uma dificuldade adicional: ele não tinha filhos, com a agravante de que sua esposa era estéril. Contudo, Abraão levou adiante seu projeto de obediência. Deixou Ur. E Deus honrou Seu lado do compromisso.
No início de um novo ano, em certa medida, como Abraão, não sabemos para onde estamos indo. Nenhum de nós tem o poder para prever dez minutos adiante. Cada dia será um “país” ainda não visitado, no qual devemos entrar. Doze meses para serem explorados. Todos nós somos pioneiros da vida. Andamos e ao mesmo tempo abrimos a picada. Nesse segundo dia do ano, olhamos para o futuro, sem saber o que o amanhã nos reserva. Não podemos dizer se ele vai nos sorrir ou se vai nos trazer perdas, desapontamentos e desencantos. A distância, o futuro parece ter as mãos escondidas, e não sabemos se ele vai nos ofertar flores ou espinhos.
Há alguma forma de termos segurança? Como enfrentar o desconhecido? Como o salmista, podemos dizer: “Tu és o meu Deus. Nas Tuas mãos, estão os meus dias” (Sl 31:14, 15). Se você estiver disposto a reconhecê-Lo como seu Deus e nas mãos dEle colocar seu futuro, Ele cuidará de você. Não sabemos o que o futuro nos reserva, mas sabemos quem governa o futuro. Não sabemos o que nos aguarda o amanhã, mas sabemos que Deus já está lá. Creia que Ele guiará você. O terreno à frente poderá estar minado, mas o Altíssimo não conhece surpresas ou imprevistos. Entregue a Ele sua vontade, mesmo fraca e dividida. Fique perto dEle. Ouça com atenção Sua voz. Observe Seus sinais. Obedeça ao que você já conhece de Sua vontade. Ele será sua sombra, à direita e à esquerda, sua fortaleza e escudo.
Terrores e males não o assustarão. Sob Suas asas, você estará protegido.
Plus UltraMeditações Diárias 2014 – 3 de janeiro
Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo. Filipenses 3:13, 14
Durante grande parte da Idade Média, a Espanha foi a senhora dos mares. Por possuir vastas terras em colônias nas duas costas do Mediterrâneo, ela julgou que não havia mais nada para ser conquistado. Tal mentalidade foi imortalizada em moedas espanholas do período. Numa das faces, foi cunhada a imagem das Colunas de Hércules, na extremidade oriental do Estreito de Gibraltar, que segundo a mitologia fora construída pelo próprio Hércules, o herói grego. Ao redor da figura das colunas, estava a inscrição latina Nec Plus Ultra, significando literalmente “não mais além”.
Aquelas colunas fixavam não apenas o limite geográfico além do qual nada mais se esperava descobrir, mas determinavam também uma disposição mental de acomodação ao que já fora realizado. Com o tempo, Colombo e outros exploradores surgiram, dominados pela paixão de descobrir o que deveria haver além das Colunas de Hércules. Com grandes riscos, eles partiram para singrar “mares nunca dantes navegados”. O resultado é história. Encontraram novas fronteiras, novos mundos, novos continentes, novas civilizações. Convencida de seu engano, a Espanha emitiu novas moedas. Nestas permaneceram as Colunas de Hércules, mas mudou-se a inscrição para Plus Ultra, “mais além”.
“Mais além” representa um estado de espírito, de busca permanente, de insatisfação com nossas realizações. Representa o desejo de perseguir novos horizontes, de expandir limites, de superar antigas expectativas consagradas pelo uso, mas, por outro lado, desatualizadas pela mão ferruginosa do tempo e das circunstâncias. Plus Ultra representa, sobretudo, uma marca de Deus no ser humano. Um aspecto indomável do espírito humano em suas tentativas de superar-se, de estabelecer novos “recordes”, na busca da excelência e do aprimoramento. Evidentemente, não precisaríamos mudar nada se o mundo, as circunstâncias e nós próprios não mudássemos. As mudanças constantes ao redor e em nós impõem a necessidade de novos experimentos, novos horizontes, novas estratégias, que melhor se ajustem às mudanças.
Devemos lembrar-nos de que, na vida, as fronteiras reais não são definidas pelos pontos cardeais, leste ou oeste, norte ou sul. Elas estão onde quer que nos deparemos com um novo desafio. Deus o convida a enfrentar o novo ano a partir dessa perspectiva.
O Futuro Não Depende de IsaqueMeditações Diárias 2014 – 4 de janeiro
Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto. Gênesis 22:2
Abraão entra na história bíblica como um ilustre anônimo. Uma noite, o Senhor o leva para fora de sua tenda e manda que ele olhe para o céu, o firmamento estrelado (Gn 15:5), indicando que sua descendência seria incontável como aqueles milhões de pontos luminosos. Promete-lhe incontáveis gerações. Reis viriam dele. Diz-lhe que o próprio Messias nasceria de sua linhagem (Gn 17:4-8). Para Abraão isso era confuso, visto que ele não tinha nenhum filho, e a esposa, para complicar, era estéril. Mais desconcertante ainda é que, depois disso, Deus tornou-Se estranhamente silencioso acerca da questão. Pelo que indica a Bíblia, Ele não tocou mais no assunto.
O tempo passou. Sara atingiu a menopausa, e eles sabiam o que isso significava. O que antes era difícil tornara-se impossível. Abraão tinha 100 anos; Sara, 90. Ainda não tinham nenhum filho. É apenas no capítulo 21 que encontramos o relato em que Sara concebe: “Deu à luz um filho a Abraão na sua velhice” (Gn 21:2, 3). O milagre acontece. Uma criança nasce, contrariando as leis naturais. Abraão agora julgava entender a Deus. O futuro parecia assegurado.
Mas você sabe que a história não termina aí. No capítulo 22, Deus volta a Abraão. Sem qualquer advertência, sem qualquer preparo, sem mesmo uma introdução ou explicação, simplesmente entrega uma pequena mensagem: “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, [...] oferece-o ali em holocausto.” Você pode imaginar o estado mental desse homem? Afinal, aquele era Isaque, o filho da promessa, de quem o futuro dependia. E não há qualquer registro de que Deus tenho dito: “Abraão, Eu sei que isso pode lhe parecer confuso. Mas confie em Mim. Eu sei o que estou fazendo.” Não há nada deste gênero.
Você vê o que Deus está dizendo a Abraão por meio desse evento? E o que Ele também está dizendo a todos nós? O que o Senhor está demonstrando é que o futuro realmente não depende de Isaque, mas dEle. E Deus diz o mesmo a você, em meio às questões e quebra-cabeças da vida. O futuro não depende dos “Isaques”: familiares, emprego, conta bancária, recursos, saúde ou os amores que nutrimos e em que confiamos. Esses podem nos trair e abandonar. Seu futuro não depende de seus “Isaques”, mas de Deus. Essa é uma grande lição a aprender!
Ver o Que Já ExisteMeditações Diárias 2014 – 5 de janeiro
Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poço de água. Gênesis 21:19
Para um grande número de pessoas, a religião é primariamente uma coleção de crenças que deve ser aceita ou uma série de rituais e
fórmulas. A religião real, contudo, é uma forma de ver. Ela não muda os fatos do mundo em que vivemos, mas transforma nossa maneira de ver e interpretar esses fatos. As circunstâncias podem permanecer as mesmas, porém nossa leitura delas é alterada, permitindo-nos experimentar uma libertação antes desconhecida e viver em outro nível da existência.
O capítulo 21 de Gênesis narra a história de Agar, a concubina de Abraão, que havia concebido um filho do patriarca, naquela tentativa de sua esposa de “ajudar” o plano divino. Mas agora, dominada pela inveja e ciúme, Sara resolve se livrar de Agar e de seu filho. Banidos, os dois estão errantes, perdidos no deserto de Berseba, sem água. A criança está a ponto de morrer de sede. Em desespero, a mãe coloca o menino à sombra de um arbusto e se afasta para não ver o desfecho do drama. Então o texto bíblico acrescenta que Agar “levantou a voz e chorou” (v. 16). “Deus ouviu a voz do menino” (v. 17). Quando as Escrituras dizem que Deus “viu” ou “ouviu” alguém em desespero, isso invariavelmente significa que Ele está para agir. Em nossa percepção, qual deveria ser a ação divina? Esperaríamos que Ele criasse um oásis com palmeiras verdes e uma cascata de águas cristalinas e refrescantes. Mas não é isso que lemos. Deus não realizou um milagre em nossos termos.
“Abrindo-lhe os olhos, viu ela um poço de água” (v. 19). Deus, ao que parece, não criou recursos que não existiam antes. O milagre se operou em Agar, para que ela visse o poço que passara despercebido. Assim, o mundo que momentos antes havia sido visto como árido e cruel, sem qualquer esperança, agora parece viável, oferecendo sustento à vida. O poço estivera lá todo o tempo. O mundo nunca fora inteiramente cruel e sem esperança, mas, até que Deus lhe abrisse os olhos, Agar via a vida apenas como uma futilidade. Talvez este seja seu problema hoje. Pela atitude negativa e desespero, podemos não enxergar os recursos disponíveis. Ore para que Deus lhe abra os olhos. Se não pudermos ver, então até mesmo os milagres, para não falar dos “poços” ao redor, passarão despercebidos.
Harpas nos SalgueirosMeditações Diárias 2014 – 6 de janeiro
Às margens dos rios de Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas. Salmo 137:1, 2
O contexto deste salmo é o exílio babilônico. Da antiga glória restara apenas devastação. Ecos distantes relembravam em lamentos nostálgicos os dias do passado, quando Jerusalém fora escolhida pelo Senhor para o lugar de Sua habitação. Sião é o nome poético de Jerusalém, da qual nada sobrara, senão um imenso vazio. Junto às águas de Babilônia, o país do cativeiro, os israelitas se assentavam e choravam.
Para esses israelitas, o pranto era mais que uma saudosa lembrança; ele expressava a tragédia do ideal perdido. Os vitoriosos babilônios, indiferentes ou cínicos, abriam ainda mais a ferida. “Ouvimos que vocês israelitas são bons cantores”, diziam com escárnio. “Celebrem para nós a majestade e a proteção do seu Deus.” Mas os desolados e confusos exilados haviam pendurado suas harpas, e apenas conseguiam expressar uma queixa fúnebre: “Como entoaremos o cântico do Senhor em terra estranha?” (v. 4). Eles se recusaram a cantar, e as harpas permaneceram mudas. Perderam, contudo, uma oportunidade de testemunhar. Cantando, teriam demonstrado aos opressores que nem tudo estava perdido. Deus não fora conquistado. A última palavra ainda não fora dita.
Está você vivendo no “país distante” das derrotas, apertado por nostalgias? Os israelitas poderiam ter demonstrado que a presença de Deus não está limitada por geografia ou circunstâncias, porque, afinal, “nada nos pode separar do amor de Deus” (Rm 8:38, NVI). Aprenda a levar louvor aos lugares de opressão. Talvez seja no lar, entre parentes incrédulos. No local de trabalho, onde você se sente solitário, ou no exílio de suas depressões. Outros acham difícil cantar o “cântico do Senhor” na terra estranha dos desapontamentos, das perdas e perplexidades.
Mais que ninguém, Jesus viveu em terra estranha. Porém, Ele recusou pendurar Sua harpa nos salgueiros de Seu exílio. Ele deve ter cantado em muitas circunstâncias da vida, mas apenas uma vez o Novo Testamento registra que Ele cantou. Sabe quando? Na noite escura de Sua grande prova (Mt 26:30). Lembre-se disso sempre e anime-se.
Tudo é VaidadeMeditações Diárias 2014 – 7 de janeiro
Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades, tudo é vaidade. Eclesiastes 1:2
Na arte ocidental, a vaidade é frequentemente representada por um pavão. Na Bíblia, ela é simbolizada por uma prostituta, Babilônia, pesadamente coberta de joias e adornos. Na alegoria secular, a vaidade é entendida como um dos vícios humanos. Na Renascença, a vaidade foi representada por uma mulher reclinada num sofá, com um espelho, penteando os cabelos. Outros símbolos da vaidade incluem joias, moedas de ouro, uma carteira e frequentemente a figura da própria morte.
Em sentido bíblico original, a “vaidade” não se referia primariamente à obsessão pela aparência, mas à falta final de significado dos esforços humanos. Omnia Vanitas, tudo é vaidade, tornou-se, contudo, um objeto da arte. Em sua lista dos Sete Pecados Mortais, Hyeronymus Bosch representa a vaidade como uma mulher da burguesia se admirando num espelho, sustentado pelo próprio diabo. Por trás dela, encontra-se uma caixa de joias aberta. A famosa pintura de Vermeer, A Garota com um Brinco de Pérola, também é considerada um símbolo do pecado da vaidade, com uma jovem se adornando diante de um espelho, sem qualquer outro atributo alegórico positivo.
Talvez a mais impressionante peça de arte retratando a vaidade humana seja o quadro de C. Allan Gilbert. Uma bela e bem vestida mulher da nobreza está assentada em seu toucador, repleto de objetos ligados à luxúria, perfumes e cosméticos, iluminada por uma vela à direita. Mas o quadro é no fundo uma ilusão de ótica. Bem observado, ele é uma caveira, que reflete a moça, aparentemente enamorada de sua figura no espelho. No filme O Advogado do Diabo, Satanás, representado por Al Pacino, observa que “a vaidade é seu pecado favorito”.
Todas essas obras artísticas servem para advertir seus observadores sobre a natureza efêmera da juventude e da beleza, bem como da brevidade da vida humana e da inevitabilidade da morte. Salomão utiliza a palavra “vaidade” 35 vezes ao falar da vida “debaixo do sol”. O termo significa vazio, futilidade, vapor, aquilo que desaparece rapidamente sem deixar vestígios. Se do ponto de vista humano a vida parece fútil, por outro lado, resgatada por Deus, ela pode ter um extraordinário significado, servindo aos Seus propósitos e exaltando Sua glória. A escolha desse significado, somos nós que fazemos.
Olhando Para JesusMeditações Diárias 2014 – 8 de janeiro
Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Hebreus 12:2
Em 1954, nos Jogos do Império Britânico, em Vancouver, na corrida de 1.600 metros, dois grandes atletas competiam: Roger Bannister e John Landy. Landy, na frente, era seguido por Bannister, a uma curta distância. Os dois campeões se aproximavam da chegada. A multidão se levanta eletrizada. Landy sabia que seu competidor estava logo atrás, buscando alcançá-lo, mas onde estava ele?
Precisamente antes da chegada, Landy volta sua cabeça para localizar o competidor. Bannister, aproveitando esse momento psicológico, arremessou-se pelo outro lado, num último esforço. Uma estátua em Vancouver perpetuou esse instante no granito. Ela retrata um atleta rompendo com o peito a fita de chegada, enquanto o outro, a centímetros de distância dele, tem sua cabeça voltada para trás.
Hebreus 11 menciona uma “nuvem de testemunhas” formada por veteranos da mesma corrida como que encorajando seus sucessores. Hebreus 12:1 desafia os que correm a deixar toda distração de lado. O verso 2, então, enfatiza o maior de todos os estímulos: “olhando para Jesus”. Apenas três palavras, mas nelas está o segredo da vida.
Precisamos seguir em frente, olhando sempre para Jesus nas Escrituras. Olhando para Jesus crucificado como nosso substituto. Olhando para Jesus ressuscitado para encontrar segurança em Seu nome. Olhando para Jesus glorificado como nosso advogado. Olhando para Jesus revelado pelo Espírito Santo para, em comunhão com Ele, ter a purificação de nosso coração poluído e receber a iluminação de nossas trevas. Para experimentar a transformação da vontade rebelde e desenvolver resistência para enfrentar os assaltos do mundo, da carne e do diabo.
Venceremos olhando para Jesus, não para nós mesmos nem para nossos pensamentos, desejos e propósitos. Para Jesus, não para a piedade. Para Jesus, não para a posição na igreja ou para as doutrinas que professamos. Para Jesus, não para os irmãos, pois ao seguir seres humanos podemos errar o caminho. Para Jesus, não para os obstáculos da jornada. Para Jesus, não para tesouros temporais. Para Jesus, não para os pecados. Para Jesus, não para a lei. Para Jesus, não para as provações, a depressão ou as tristezas.
Como prosseguiremos? Olhando para Jesus hoje, outra vez e sempre!
A Mulher de LóMeditações Diárias 2014 – 9 de janeiro
Lembrai-vos da mulher de Ló. Lucas 17:32
Essas palavras foram pronunciadas pelos lábios de Jesus e soam como uma estranha advertência. O contexto trata dos últimos dias e de Seu retorno. Jesus então une isso a dois personagens do Antigo Testamento: Noé e Ló. Os contemporâneos de Noé e Ló eram grandes pecadores, mas Jesus não mencionou os pecados deles. Curiosamente, Ele faz referência às atividades ordinárias da vida: comer, casar, plantar, edificar (Lc 17:26-32). Esse é o aspecto central da questão. Consumidos pela marcha rotineira das coisas, eles estavam muito ocupados e não perceberam o que estava acontecendo. A advertência de Jesus não é contra as coisas comuns da vida, mas contra o perigo de torná-las nossa prioridade.
Assim vivia a Sra. Ló, absorvida pelas rotinas. Quando Ló armou suas tendas na direção de Sodoma (Gn 13:12), eles não tinham a menor ideia do que os aguardava lá. Na próxima vez que os encontramos, a família de Ló está bem instalada em Sodoma. As nuvens do julgamento estavam se formando sobre a cidade. Gênesis 19 descreve como Ló recebeu dois mensageiros divinos em sua casa (v. 12). Eles ordenam que ele reúna a família e saia. Ló tentou persuadir genros e filhas, mas eles não creram nele. Ló vivera muito tempo em Sodoma e perdera sua autoridade espiritual.
Finalmente Ló, a esposa e duas filhas solteiras são quase arrastados para fora, com o imperativo: “Não olhes para trás” (v. 17). As ordens divinas têm duas características: elas são objetivas e são claras. Mas a Sra. Ló desconsiderou a advertência. Olhou para trás e foi convertida numa estátua de sal (v. 26). “Lembrai-vos da mulher de Ló”, diz Cristo. O pecado básico da Sra. Ló é o pecado da desobediência. Seu olhar não é mera curiosidade, mas o resultado de muitos anos de rebelião contra Deus. Seu coração ainda estava em Sodoma, e ela não soube apreciar a nova chance.
Olhar para trás é sinal de uma mente dividida. A Sra. Ló chegou perto da salvação. Havia sido levada para fora de Sodoma e colocada no caminho do escape. Ela estava quase lá, nos portões de Zoar, a cidade de refúgio. Bastava dar alguns passos mais. Porém, “olhou para trás” e pereceu com a cidade condenada. Esta é a tragédia do “quase”. Quase salvo, completamente perdido. Quase dentro, completamente fora. Os que estiverem quase salvos não serão em nada diferentes dos que estiverem completamente perdidos.
Permanecer PreparadoMeditações Diárias 2014 – 10 de janeiro
Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir. Mateus 25:13, ARC
Na parábola das dez virgens, a diferença entre os dois grupos é o preparo feito pelas prudentes. Todas elas têm lâmpadas, mas apenas a metade faz a provisão do óleo. Não que as dez não estejam exteriormente preocupadas: todas estavam aguardando o noivo. Além disso, todas se tornaram sonolentas (v. 5). A parábola não trata de crentes e descrentes, mas de duas atitudes diferentes entre os seguidores de Cristo. Embora sejam aparentemente iguais, é a crise que torna as diferenças evidentes. As loucas não tinham o óleo, a provisão do Espírito, a fé em Cristo. Fé fortalecida pela oração, confirmada pela vida de obediência. A demora foi o teste.
A demora do retorno de Cristo dificilmente pode ser explicada. O significado e o propósito de tal demora estão ocultos aos nossos olhos. Apenas parcialmente podemos entendê-la. Mas de que outra forma, senão por meio da demora, poderíamos ter sido incluídos? Se não fosse a demora, como poderíamos aprender a virtude da perseverança? Conheço indivíduos que gostam de acusar a igreja pela demora do retorno de Cristo. Tivesse Cristo voltado na década de 1890, como eles insistem, o que teria sido deles próprios?
Demorando o noivo, “foram todas tomadas de sono e adormeceram” (v. 5). Na hora mais escura, quando o sono era mais pesado e as forças estavam em seu menor nível de resistência, veio o noivo. Mas, na parábola de Jesus, a meia-noite não é sinal de desastre, mas a hora quando o Céu virá aos seres humanos para oferecer-lhes paz e felicidade afinal. No desfile, as tochas bailam em alegria. O cortejo segue em direção à casa da celebração.
As que não têm óleo, quando chegam ao local do banquete, deparam-se com a porta fechada. À luz do dia, as prudentes e as loucas parecem iguais. É à meia-noite que se estabelece a diferença que sempre existira, mas não podia ser claramente vista.
O ponto central da parábola é claro: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.” Nessa parábola, o retorno do Senhor é marcado por duas características: primeiro, o caráter repentino; segundo, o caráter inesperado quanto ao tempo. Como nos preparar? Esse é o tema de muitas orações,
pregações e hinos. Mas há algo mais importante do que se preparar para a vinda de Jesus. De fato, mais importante do que se preparar é permanecer preparado. Este é o grande desafio!
Acordando Com LiaMeditações Diárias 2014 – 11 de janeiro
Ao amanhecer, viu que era Lia. Gênesis 29:25
Jacó, no idealismo de seu amor quase idolátrico por Raquel, julgou que, se ele a tivesse, tudo estaria resolvido em sua vida. Na noite de sua grande fantasia, ele vai para a câmara nupcial pensando ter a mulher de sua paixão. Contudo, de manhã, “viu que era Lia”. Essa é uma miniatura das desilusões humanas, experimentadas desde o Éden. O que isso quer dizer? No fim, significa que, não importa onde coloquemos nossa esperança, “ao amanhecer”, encontraremos sempre Lia, nunca Raquel.
Provavelmente, ninguém, em tempos recentes, coloca a questão melhor do que C. S. Lewis, em seu clássico Cristianismo Puro e Simples: “A maioria das pessoas, se elas realmente aprenderam a olhar dentro de seu coração, saberia que aquilo que elas profundamente desejam é algo que nunca terão neste mundo. Há toda sorte de coisas que este mundo nos oferece, mas essas coisas nunca cumprem suas promessas completamente. Os anseios que surgem em nós quando amamos pela primeira vez ou quando pensamos em algum país distante [...] são anseios que nenhum casamento, nenhuma viagem ou aprendizado podem realmente satisfazer.”
Lewis não está falando aqui de casamentos malsucedidos ou planos que dão errado. De fato, ele está se referindo ao melhor. O melhor que podemos alcançar será sempre, por uma razão ou outra, sonhos incompletos. Se, como Jacó, você coloca todas as esperanças na pessoa com quem você se casa, você a esmagará com suas expectativas. Nenhuma pessoa pode dar à sua alma tudo aquilo que você anseia. Isso se aplica também às carreiras profissionais, negócios, posses e qualquer outra coisa que seja parte de nossos melhores planos neste planeta. Você pode pensar ter “Raquel” em seus braços, mas a realidade tem sua forma de fazê-lo despertar com “Lia”.
O grande problema é esperar muito daquilo que nunca pode corresponder às nossas expectativas. Então você pode condenar-se, acusar outras pessoas ou amaldiçoar o mundo, tornando-se amargo, cínico e vazio. Ou você poderá, como C. S. Lewis sugere, no fim do capítulo, reorientar o foco de sua vida em direção a Deus. Lewis conclui: “Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para outro mundo, algo sobrenatural e eterno.”
A Prova do PerfilMeditações Diárias 2014 – 12 de janeiro
Estando já manifestos como carta de Cristo, [...] escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações. 2 Coríntios 3:3
Oito enfermeiras foram assassinadas em Chicago, faz algum tempo, no apartamento onde viviam. A única sobrevivente, agitada, descreveu as características do assassino ao desenhista da polícia. Escondida debaixo de uma cama, ela pôde observar detalhes do agressor. O “retrato falado” foi espalhado pela cidade, entre policiais, nos hospitais, terminais do metrô e aeroporto.
Não demorou muito, um médico que atendia em um pronto-socorro ligou para os detetives, dizendo que estava tratando de um sujeito que se parecia com o homem do desenho. Assim, Richard Speck foi preso e, posteriormente, condenado. Hoje, centenas de desenhistas forenses, com a ajuda de computadores, trabalham em centrais de polícia em todo o mundo. São cada vez mais utilizados como poderosos aliados da lei, compondo perfis que facilitam a identificação de pessoas procuradas.
Retratos falados normalmente descrevem a fisionomia de criminosos. O Novo Testamento também apresenta um “retrato falado”. Porém, ele não descreve o perfil de procurados pela polícia. Pelo contrário, fornece características, linhas e contornos que identificam os discípulos de Jesus. Os cristãos são marcados por fé e conversão, reúnem-se na igreja, são dirigidos pelo Espírito Santo e permanecem em Cristo (At 11:21-29); agem como luz e sal (Mt 5:13-16); manifestam na vida o fruto do Espírito, que se desdobra em alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5:22, 23). A mais importante característica deles, segundo Jesus, é o amor: “Nisto, conhecerão todos que sois Meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:35). Essa é a essência do caráter cristão, que Deus espera ver reproduzido na igreja.
Muitos gostam de insistir em insignificantes atos do desempenho humano como se esses fossem os traços mais importantes do perfil cristão. A dieta alimentar é um bom exemplo. Embora recomendável em si, não é o centro do ensinamento bíblico. Não é por acaso que Ellen White observa: “Muitos que se chamam cristãos são meros moralistas humanos” (Parábolas de Jesus, p. 315). Para ela, a “última mensagem de graça a ser dada ao mundo é uma revelação do caráter do amor divino” (ibid., p. 415). Ser moralista é infinitamente mais fácil do que seguir a Cristo de fato.
Mostra-me Tuas MãosMeditações Diárias 2014 – 13 de janeiro
Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças. Eclesiastes 9:10
Nas profundezas do ventre materno, a mão humana está formada por volta do quarto mês de gravidez. Depois do nascimento, nenhuma outra parte do organismo está tão associada ao comportamento humano. Com as mãos, trabalhamos, brincamos, amamos, curamos, aprendemos, comunicamos, expressamos sentimentos, construímos, criamos obras de arte. Quando nenhuma palavra no mundo é capaz de dizer o que queremos, as mãos se encarregam de dar o recado.
Do ponto de vista mecânico, as mãos representam um dos mais complexos instrumentos de todo o corpo. Composta de músculos, ligamentos, tendões, ossos e fibras nervosas altamente sensíveis, as mãos são capazes de executar milhares de tarefas com precisão. Para fazer o mais simples movimento, elas colocam em funcionamento um intrincado mecanismo. Elas podem substituir os olhos, os ouvidos e a própria voz. Cega e surda, Helen Keller é um exemplo famoso da imensa capacidade das mãos. Graças à espantosa sensibilidade de suas mãos, ela pôde comunicar-se com o mundo, descobrir a beleza da vida e tornar-se uma pessoa atuante e culta.
A medida de importância de qualquer parte do corpo é determinada pela área do cérebro reservada para seu uso. As mãos têm dois dos maiores espaços do cérebro, na área conhecida como córtex motor. Do nascimento à morte, as mãos quase nunca estão quietas ou cansadas. No período de vida de uma pessoa, as mãos se estendem e flexionam as articulações dos dedos pelo menos 25 milhões de vezes. Cada pessoa tem mãos diferentes de todas as outras. As pontas dos dedos com intrincadas linhas em relevo são responsáveis pelas impressões digitais, que só se desfazem pela decomposição. Elas dão a cada um sua identidade inteiramente única, inimitável e mais permanente do que todos os outros sinais que nos distinguem.
As mãos têm, contudo, outras marcas: bondade, serviço, graça. Como são suas mãos? Misericordiosas? Acusadoras? Impiedosas? Livres ou escravas de diferentes algemas? A quem servem elas: a Cristo ou ao diabo? São elas ternas? Mãos de oração? A cada dia as mãos estão escrevendo nossa biografia. O que as suas estão escrevendo? No texto de hoje, Salomão usa as mãos como metáfora. Deus nos dá as oportunidades; o sucesso depende do uso que fazemos delas. E as mãos têm aí um importante papel.
Mensageiros da MisericórdiaMeditações Diárias 2014 – 14 de janeiro
Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação? Hebreus 1:14
Provavelmente você já terá visto um antigo quadro em que duas crianças estão colhendo flores ao longo de um caminho, na encosta acidentada de uma montanha. Muito abaixo, espumeja em fúria a brava correnteza, perdendo-se na profundeza do abismo. O perigo salta aos olhos, e a possibilidade do desastre é evidente. Mas com indescritível expressão, por trás dos pequenos, ergue-se a majestosa figura de um anjo. Suas mãos estendidas denotam a prontidão com que podem agir. A bela fisionomia parece concentrar todo o interesse do Universo no objeto de seu cuidado.
O ministério dos anjos em nosso planeta é um claro ensino das Escrituras. Como mensageiros celestiais, os anjos são poderosos coobreiros de Deus na execução de Seus desígnios e vontade. Quando cercado pelos poderosos exércitos da Síria, Eliseu viu miríades de anjos, invisíveis aos olhos naturais, mas nem por isso menos reais. “Mais são os que estão conosco” (2Rs 6:16), exclamou o profeta, quando a cortina que separa o visível do invisível foi levantada. Fortes anjos aguardavam em silêncio o desfecho da crise. Anjos estiveram com Daniel na escura cova dos leões, quando tudo parecia perdido. Eles ampararam a Cristo em vários momentos de Seu ministério. Uma velha gravura retrata Jesus no Getsêmani, com a cabeça recostada no peito de um poderoso anjo. O Criador sendo confortado por uma de Suas criaturas. O quadro é de indescritível beleza!
Um anjo libertou Pedro da prisão romana. A forte escolta e as portas aferrolhadas são impotentes diante do emissário angélico. Paulo, sem amigos, riqueza ou posição, teve-os como assistentes. Todos esses momentos da história sagrada nos lembram de que não estamos sozinhos. “Na experiência de todos surgem ocasiões de profundo desapontamento – dias em que só predomina a tristeza, e é difícil crer que Deus é ainda o bondoso benfeitor dos seus filhos na Terra; dias em que o dissabor mortifica a alma, de maneira que a morte pareça preferível à vida. [...] Pudéssemos em tais ocasiões discernir com intuição espiritual o significado das providências de Deus, veríamos anjos procurando salvar-nos de nós mesmos, esforçando-se para firmar nossos pés num fundamento mais firme que os montes eternos; e nova fé, nova vida jorrariam para dentro do ser” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 162).
Enfrente os GigantesMeditações Diárias 2014 – 15 de janeiro
Não to mandei Eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares. Josué 1:9
Faz alguns anos, num boletim de formatura da Faculdade de Teologia, transcrevi um belíssimo texto intitulado “A Fraternidade dos Não Envergonhados”. Posteriormente, escrevi-o como desafio numa carta para o meu filho Luccas, que interrompera o curso no seminário para passar um ano estudando alemão na Áustria. Creio que essas palavras deveriam ser o compromisso de cada cristão. Pessoalmente, elas me têm servido de estímulo em muitas circunstâncias:
Minha decisão está tomada. Sem olhar para trás, sem demorar-me ou permitir ser governado por vantagens pessoais, planos pequenos, sonhos infundados ou fantasias infantis.
Meu alvo é o Céu. Meu caminho é estreito. Meus companheiros são poucos. Meu Guia é confiável. Minha decisão é clara.
Eu não posso encolher-me diante do sacrifício, ser intimidado pela adversidade, negociar na mesa do inimigo, ponderar diante do apelo de popularidade ou vagar pelos caminhos da mediocridade.
Não desistirei nem me calarei até vê-Lo exaltado. Em oração, absolutamente decidido, permanecerei no longo corredor do serviço de Cristo.
Sou discípulo de Jesus Cristo. Lutarei enquanto tiver tempo, estarei comprometido com Ele até as últimas consequências, partilharei o que sei, servirei até que Ele venha.
E, quando vier para buscar os Seus, Ele não terá nenhuma dificuldade em reconhecer-me.
Um dos mais belos lemas do Antigo Testamento está expresso nas palavras seguintes: “Sê forte no Senhor.” Em situações desfavoráveis, reis, profetas e líderes de Israel foram desafiados a ser fortes em Deus. No início do século
20, em meio à gigantesca crise surgida da apostasia do Dr. John Harvey Kellogg, Arthur Daniells, então presidente da Associação Geral, assentado em desânimo no portão de sua casa, em Washington, recebeu uma carta enviada da Austrália por Ellen White. Nela, a voz profética aos adventistas encorajava Daniells a manter-se em seu posto. “Enfrente o gigante”, ela dizia. Daniells era desafiado a não se deixar amedrontar pelas circunstâncias. Quais são seus gigantes hoje? Enfrente-os no Senhor, e você verá que muitos não passam de gigantes de papel. Não são nada diante do Deus altíssimo.
Em Tempos de DificuldadesMeditações Diárias 2014 – 16 de janeiro
O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. [...] Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque Tu estás comigo. Salmo 23:1, 2, 4
O salmo 23 é talvez o capítulo mais conhecido das Escrituras. Para milhões de pessoas, judeus e cristãos, esse é seu texto favorito. Nosso filho Mike o leva em sua Bíblia, digitado em letras bem grandes. É seu “sermão especial”, diz ele, e o recita de cor. Esse salmo tem enxugado muitas lágrimas e provido conforto para um número incontável de homens, mulheres, jovens e crianças.
Há, porém, algo que passa despercebido para a maioria de seus leitores. Observe algumas das linhas: “O Senhor é o meu pastor [...]. Ele me faz repousar [...]. [Ele] refrigera-me a alma [...]. [Ele] guia-me pelas veredas da justiça” (v. 1-3). Então, lemos: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque Tu estás comigo; o Teu bordão e o Teu cajado me consolam [...]. [Tu] unges-me a cabeça com óleo” (v. 4, 5).
Percebeu? Inicialmente, o salmista fala acerca de Deus e usa o pronome na terceira pessoa. Nesse caso, o autor sagrado fala a respeito do Senhor. Contudo, o pronome muda para a segunda pessoa, estabelecendo um tratamento direto. Em tempos difíceis, quando crises e inseguranças se tornam reais, ele fala com Deus, em diálogo, não a respeito de Deus.
Em tempos de prosperidade, tenho observado que muitos estão dispostos a afirmar suas ideias positivas a respeito de Deus. Falam sobre Ele. Quando circunstâncias difíceis surgem nas curvas da vida, contudo, eles entram em colapso, desespero e pânico. Concluem, de muitas formas, que “Deus não existe”. O autor do salmo 23 nos ensina, porém, que a verdade é precisamente o oposto. Quando as coisas vão bem, quando andamos em “pastos verdes”, Deus pode ser apenas uma noção abstrata. Deus é “Ele”, um Criador remoto, distante. Cremos nEle como cremos no Polo Norte. É algo intelectual, que nunca visitamos ou vimos. Mas quando as águas se turvam, quando nos encontramos envolvidos por ameaças e incertezas, caminhando no “vale da sombra da morte”, então é o momento em que Deus Se torna real. Não é mais uma abstração, um “Ele”. Deus então Se torna Alguém com quem conversamos, um “Tu” em diálogo íntimo.
Quem é Deus para você hoje? Apenas “Ele”, de quem você fala, ou Alguém com quem você se relaciona em confiança?
A Tirania dos SonhosMeditações Diárias 2014 – 17 de janeiro
Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador. Joel 2:25
No livro The Seasons of a Man’s Life (As Fases na Vida de um Homem), o psicólogo Daniel Levinson propõe que cada homem adulto passa por uma série de fases específicas, as quais envolvem crises pessoais que governam suas emoções e atitudes, e até mesmo modelam seu comportamento. Uma dessas fases acontece na metade da vida. Ele identifica essa crise como a fonte de muitas das infelicidades das pessoas. Levinson se refere a isso como a “tirania dos sonhos”.
Sem limitar essas fases aos homens, creio que todos iniciam sua jornada com sonhos de como a vida será – sonhos de amor, felicidade, fama, sucesso e fortuna. Esses sonhos, às vezes, significam o desejo de um futuro melhor que o presente ou simplesmente representam nossas expectativas e esperanças. O problema é que, muitas vezes, a vida não “entrega” aquilo que foi sonhado. Em determinado ponto da existência, pode-se concluir que nunca veremos a realização de nossos sonhos. Muitas vezes, isso gera um sentimento de fracasso, vazio, falta de sentido ou mesmo culpa.
De modo contrário às histórias infantis, como Branca de Neve e Cinderela, que terminam com o clássico “felizes para sempre”, a realidade tem sua forma cruel de desmentir os sonhos. O problema daquelas historinhas é que elas têm apenas um capítulo, enquanto a realidade da vida revela os desdobramentos de muitos capítulos. Tenho encontrado pessoas em “capítulos” avançados, algumas cujo casamento eu realizei ou pude presenciar como convidado. Diante de divórcios, separações e mesmo ódio entre eles, pergunto-me onde estão aquelas pessoas que deixaram a igreja com brilho nos olhos? E o que dizer de crianças e jovens promissores que cresceram para trazer desespero aos que os amam? Ou outros que andaram em círculos? Ou, ainda, pessoas que iniciaram algum projeto promissor para terminarem desiludidas e fracassadas? A realidade demonstra que “príncipes e princesas” se tornam sapos. Sonhos viram pesadelos.
Contudo, podemos nos libertar da tirania de velhos sonhos e sonhar novamente. Israel fora arrasado por pragas, resultado de sua infidelidade. Praticamente nada sobrara da antiga glória. O texto de hoje, contudo, garante que o Senhor restituiria os anos que haviam sido consumidos. Com Deus, você pode sonhar novamente!
Novas CriaturasMeditações Diárias 2014 – 18 de janeiro
Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. 2 Coríntios 5:17
Pessoas podem ser transformadas. Essa é uma verdade que atravessa as Escrituras desafiando o determinismo. Veja o exemplo de Judá, filho de Jacó, no fim de Gênesis. Judá foi um dos que maquinaram a morte de José. Embora não fosse o mais velho, ele aparece como líder entre seus irmãos. Poderia tê-los dissuadido do grande pecado que estavam para cometer, mas ele se omite. José é lançado em um poço e vendido para o Egito. Com calculada frieza, todos eles, com a aprovação de Judá, mentem para o pai, com uma túnica encharcada em sangue falso.
Considere agora Judá e seus irmãos, na presença de José, quando os fios de uma história que parecia encerrada aparecem em uma nova trama. José é uma desconhecida autoridade do Egito. Para testá-los, ele aprisiona Benjamim, seu único irmão da mesma mãe. Judá se adianta para representar os outros que estão aterrorizados. Fala de seu envelhecido pai e revela quanto ele ama o filho mais novo, cuja mãe morrera em seu nascimento. Descreve o custo emocional que fulminaria o patriarca se o filho mais jovem não voltasse. Judá usa a palavra “pai” catorze vezes, em dezesseis versos (Gn 44:19-34). A eloquência de seu apelo é comovente. Ele menciona a idade avançada do pai, mantido vivo como que por uma linha tênue. Propõe substituir o jovem (v. 33), como um tipo do próprio Messias, que viria de sua linhagem.
O que transformara sua vida? Antes insensível, agora desesperadamente tenta evitar um novo golpe sobre o pai. A ação do Espírito Santo o tornara substancialmente amadurecido, sábio e compassivo. Ele próprio sofrera a dor da perda de um filho (Gn 38:6-10). Ele entendeu o que suas ações de 20 anos antes haviam causado. Ele sabia que seu pai ainda demonstrava favoritismo, amando Benjamim mais do amava ele e os outros irmãos. Mas isso não provoca mais sua ira. Ele sabia que nunca iria mudar o pai. Ele apenas tinha poder sobre as próprias ações. Judá aprendera a perdoar e amar seu pai, colocando as necessidades dele em lugar das suas. Judá era um novo homem, e isso teve poderoso efeito sobre José, que começou a perceber como Deus estivera guiando cada detalhe de eventos confusos.
Querido leitor, não importa quem você seja hoje, você pode ser transformado em uma nova criatura, uma pessoa inteiramente nova.
Em Que Você Se Gloria?Meditações Diárias 2014 – 19 de janeiro
Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Gálatas 6:14
Nos dias em que o Novo Testamento foi escrito, três nações se destacavam: os gregos se gloriavam no conhecimento, na força do intelecto, na filosofia humana; os romanos se gloriavam no poder, na força militar e na organização; os judeus se gloriavam no mérito da origem étnica, nas tradições religiosas de sua herança e nos sinais exteriores da religião como garantia espiritual.
No texto de hoje, o apóstolo Paulo sugere outra realidade na qual se gloriar. Paulo, o brilhante rabi, já experimentara toda a lisonja com a qual a carne pode seduzir e aliciar alguém: membro do Sinédrio, fariseu dos fariseus, zeloso, irrepreensível segundo a justiça que há na lei. Mas agora, converso a Cristo, ele conclui de forma surpreendente: “Nada, a não ser a cruz”! Por que alguém no mundo da igreja primitiva haveria de querer gloriar-se na cruz? Nos dias de Paulo, a punição capital entre os gregos era o envenenamento, a cicuta; entre os romanos, a decapitação; para os judeus, o apedrejamento. A cruz era reservada para os piores, como símbolo de vergonha e opróbrio. Por que haveria o apóstolo de gloriar-se na cruz? Pelo menos por cinco razões:
A cruz expressa a largura e profundidade do pecado. Muitos têm ideias erradas sobre a salvação porque têm ideias erradas sobre o pecado, e o diagnóstico errado leva à prescrição errada.
A cruz não apenas revela quem nós somos, governados pelo pecado, mas revela também quem é Deus. Faz-nos ver Sua graça e amor ilimitados.
A cruz é a única solução para o dilema humano. Como Naamã, o leproso, gostamos de olhar para a direção errada, os nossos “rios de Damasco”.
Paulo gloriava-se na cruz por causa de seu poder transformador. “Pela cruz”, diz ele, “o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.” Conforme Gálatas 6:15, pela cruz recebemos poder para ser novas criaturas.
Finalmente, a cruz é símbolo de serviço. Na cruz, pelo amor sacrificial, Jesus estabeleceu a norma de serviço. Seus discípulos são chamados a servir, produzir frutos e não viver em ociosidade improdutiva.
Todas as razões humanas para “gloriar-se” não passam de vaidade diante da glória que provém da cruz do Salvador.
A Ironia da CompetiçãoMeditações Diárias 2014 – 20 de janeiro
Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Filipenses 2:3
“Fama” e “fortuna” são a essência do “sonho americano” difundido hoje por todas as partes. Nessa mentalidade, desenvolvemos a síndrome do individualismo, a “cultura do eu”, acompanhada do espírito de competição. Essa mentalidade, injetada em nossas veias desde a infância, ensina-nos a ver os outros como objetos, degraus para alcançar nossas fantasias de sucesso, ou como obstáculos a serem superados. Não é por acaso que milhões de pessoas se sentem solitárias.
Tratamos todos como estranhos ou, pior ainda, como inimigos. Porque não conhecemos o frentista, o vendedor, o mecânico, a mulher atrás do balcão, suspeitamos que todos eles fazem parte de uma conspiração para nos enganar e tirar proveito. Assim, somos envenenados por um permanente espírito defensivo, o que destrói a possibilidade de nos relacionarmos positivamente e testemunhar nos encontros com as pessoas. As interações são marcadas por desconfiança e suspeita.
Mais grave ainda é quando aplicamos essa mentalidade aos círculos mais íntimos. Porque queremos ser o “número 1″ em tudo, competimos com todos, às vezes até dentro da família e na igreja, inibindo o espírito de abnegação e serviço. Já observou as camisetas que as pessoas usam, representando seu time, escola, classe ou grupo? Todos querem ser os melhores. Nas viagens em família, quando as crianças eram pequenas, às vezes parávamos em um parque e elas corriam para um brinquedo para gritar: “Cheguei primeiro, ganhei.” Parece que não estamos felizes se não deixarmos alguém para trás, negando assim o espírito de Cristo.
A expressão “uns aos outros”, no texto de hoje, é o termo grego allelous, que ocorre 54 vezes no Novo Testamento, com ênfase no relacionamento fraterno. Se praticássemos apenas a metade deles veríamos uma extraordinária transformação entre nós. Observe algumas ocorrências: “Não nos julguemos mais uns aos outros” (Rm 14:13); “Não mintais uns aos outros” (Cl 3:9); “Não faleis mal uns dos outros” (Tg 4:11); “Não vos queixeis uns dos outros” (Tg 5:9); “Ameis uns aos outros” (Jo 13:34; ver 1Jo 4:7, 11); “Acolhei-vos uns aos outros” (Rm 15:7); “Sede, antes, servos uns dos outros” (Gl 5:13); “Cooperem uns com os outros” (1Co 12:25); “Levai as cargas uns dos outros” (Gl 6:2).
Prazer na MisericórdiaMeditações Diárias 2014 – 21 de janeiro
O Senhor não retém a Sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Miqueias 7:18
Deus é justiça, mas as Escrituras nunca dizem que Ele “tem prazer” na justiça. Sabedoria e poder também são atributos essenciais de Deus, mas a Bíblia nunca diz que Ele “tem prazer” na sabedoria ou no poder. Se Deus fosse apenas justiça, então não haveria esperança para ninguém. Um quadro desse contraste é pintado na parábola do filho pródigo (Lc 15). O irmão mais velho tem “prazer em justiça”, mas o pai do pródigo se alegra na misericórdia.
Se você tem qualquer dúvida da misericórdia divina, leia novamente as páginas do Antigo Testamento. Israel com frequência transitou pelo caminho da apostasia. No livro de Juízes, encontramos um repetido ciclo:
A (apostasia), B (“bordoadas”), C (conversão), seguidos por D (novos desvios), para recomeçar o ciclo novamente. Mas o elemento constante nessas narrativas é a incansável permanência da misericórdia. O mesmo se repete na vida de pessoas. Pense em Abraão, Jacó, Moisés, Davi, Jonas, Pedro e tantos outros. Jeremias 2:19 enfatiza: “A tua malícia te castigará, e as tuas iniquidades te repreenderão; sabe, e vê que mau e quão amargo é deixares o Senhor, teu Deus, e não teres temor de Mim, diz o Senhor Deus.” De fato, Deus fala por meio de nossos fracassos, indicando que mesmo aí Ele não nos perdeu de vista.
Você já ouviu que é fácil se perder? Não é bem assim que as Escrituras descrevem o caminho para baixo. A vereda do abandono de Deus é áspera e pedregosa. Inicialmente temos que desconsiderar a voz do Espírito apelando, acendendo luzes vermelhas e disparando alarmes. Então teremos que passar sobre o corpo ferido de Cristo, atravessado no caminho como grande obstáculo à perdição. Teremos que resistir aos açoites e advertências de nossas falhas e fracassos. E, em tudo isso, teremos que nos deparar com o desafio da misericórdia divina, que nos constrange com Sua graça incompreensível. Você está se sentindo distante de Deus? Enquanto você desce vales, cruza desertos e se fere em espinhos, Aquele que tem prazer na misericórdia espera você “cair em si” e voltar!
No celular de um rapaz que morreu no incêndio de uma casa noturna em Santa Maria, RS, um bombeiro encontrou mais de cem ligações vindas da mesma pessoa. “Mãe”, registrava o visor. Verifique a tela de sua consciência. As chamadas de Deus para você continuam insistindo.
O Escárnio da Vida Sem DeusMeditações Diárias 2014 – 22 de janeiro
Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração. O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria. Eclesiastes 7:2, 4
O livro de Eclesiastes é incluído na categoria da literatura bíblica de sabedoria. No hebraico, seu título significa “Palavras do Pregador”. O título em português é derivado do grego. Curiosamente o termo “eclesiastes” vem da mesma raiz da palavra para “igreja”, em referência àquele que fala a uma assembleia, um pregador. Eclesiastes representa uma visão realista, quase cruel da vida.
Francis Schaeffer, apologista cristão contemporâneo, observou que, se tivesse uma hora para falar a alguém sobre Cristo, ele falaria os primeiros 45 minutos sobre a ausência de significado da vida sem Deus. Essa é precisamente a abordagem de Eclesiastes. O livro pergunta de várias formas sobre qual é o propósito da existência humana. O que dá significado à vida? Se no fim todos morrem, qual a diferença entre justiça e impiedade? A seriedade com que esse tópico é tratado torna o livro de Eclesiastes relevante e atual. Não é por acaso que a expressão “debaixo do sol” aparece 29 vezes, indicando que afinal não existe qualquer esperança para o homem “debaixo do sol”. Nossas lutas, sonhos, trabalhos, realizações, relacionamentos e ambições são apenas exercícios de futilidade. Com a morte, aparentemente, tudo perde o significado. É tudo uma questão de tempo. Com uma agravante: a vida na Terra tem curtíssima duração.
Para nos despertar da alienação patológica, Salomão coloca valor precisamente nas coisas que tentamos evitar. O que o sábio afirma no texto de hoje é contrário ao pensamento comum. Nós gostamos de festas, risos, banquetes e carnaval porque essas coisas nos ajudam a escapar da realidade. Por que a casa do funeral é melhor? Porque ali somos forçados a refletir, o que de outra forma não faríamos.
Salomão está levando em consideração a vida como um todo. Isso não significa ser pessimista ou eliminar a alegria da vida, mas descobrir onde a verdadeira alegria e felicidade são encontradas em base permanente. Ao dizer que “debaixo do sol tudo é vaidade”, o sábio está nos relembrando de que a verdadeira satisfação é experimentada apenas nAquele que está acima do sol.
Desafio aos Fãs de JesusMeditações Diárias 2014 – 23 de janeiro
Para O conhecer, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, conformando-me com Ele na Sua morte. Filipenses 3:10
É quase impossível crer que as mãos que estão manchadas de sangue, quando as encontramos pela primeira vez, escrevessem palavras tão ternas. Podemos dizer que este é o credo de Paulo, seu “manifesto”. Não mais orientado pela confiança na carne, sua paixão consumidora agora é conhecer a Jesus Cristo intimamente, partilhar do poder de Sua ressurreição e conformar-se com Ele em Sua morte.
Se, por um lado, a compreensão da verdadeira justiça humilha a justiça farisaica de muitos, por outro lado, a determinação de Paulo envergonha a superficialidade e falta de compromisso de outros. Muitos são “fãs”, “torcedores” de Jesus, para quem Ele é apenas uma “opinião”, sem qualquer impacto essencial. O lado oposto do legalismo é a inumerável multidão daqueles cuja fé não vai além da epiderme. Eles se entusiasmam em defender a “graça” e o “perdão”, mas se afastam quando o tópico é obediência, aquilo que Calvino classificou como “a face séria do evangelho”. Liberais, em geral, gostam muito de enfatizar a justificação, mas emudecem diante da santificação, “sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14). Como Calvino ainda observa, “Deus não justifica aqueles que Ele não pode santificar”. Dizer aceitar a Cristo como Salvador, mas rejeitá-Lo como Senhor, pela falta de compromisso, representa apenas “graça barata”, nas palavras de Dietrich Bonhoeffer.
Nós temos a tendência de definir “fé” em termos de crença. Segundo Tiago, aquele que apenas “crê”, mas não chega a praticar sua fé, está no mesmo nível do demônio (Tg 2:19). As boas-novas, contudo, estão no fato de que o Senhor convida legalistas e fãs ao arrependimento. Nos evangelhos, Jesus diz “crê em Mim”, mas com frequência Ele também diz “segue-Me”. Os dois aspectos da fé verdadeira devem ser mantidos juntos, em equilíbrio. Uns dizem crer sem seguir, outros dizem seguir sem realmente crer nEle, uma vez que colocaram substitutos falsos em Seu lugar. Os legalistas devem crer em Jesus, não na lei, no “desenvolvimento do caráter” ou nas “leis de saúde”. Caráter e cuidado com a saúde são o resultado, nunca a base. Os liberais devem aprender a seguir a Jesus, e assim “conformar-se com Ele em Sua morte”; caso contrário, continuarão como “fãs”.
No Princípio Criou DeusMeditações Diárias 2014 – 24 de janeiro
No princípio, criou Deus os Céus e a Terra. Gênesis 1:1
É interessante que a Bíblia, o texto definitivo dos cristãos, nunca discute a existência de Deus nem busca apresentar provas da criação. As Escrituras apenas afirmam essas verdades. Em seu primeiro verso, “no princípio criou Deus os Céus e a Terra”, encontramos respostas para questões fundamentais: (1) Quando? “No princípio.” Isso sugere que o Universo ou a matéria não são eternos; a história não é circular. (2) Quem? “Deus”, não o acaso, conforme sugerem várias teorias hoje disponíveis no mercado.
(3) Como? “Criou”, ou seja, pelo método da criação. Não pela evolução nem pelo Big Bang ou algo semelhante. O verbo hebraico utilizado aqui para “criar” tem apenas Deus como sujeito. Significa criação do nada, por Sua palavra. (4) O quê? “Os Céus e a Terra.” A criação mencionada no Gênesis tem que ver com nosso sistema, não com o Universo como um todo.
Há, contudo, algo de sinistro no fato de que precisamente o livro da Bíblia designado a prover respostas para as questões humanas mais básicas (origem, propósito e destino) é exatamente aquele cuja credibilidade tem sido mais ferozmente atacada. Sem o Gênesis, entretanto, toda a Bíblia se torna completamente sem sentido. Não podemos, é claro, explicar a criação em termos científicos. Mas a teoria da evolução também não é ciência. É apenas uma “filosofia científica” que exige muita fé.
O que encontramos nas Escrituras são verdades reveladas inacessíveis à razão humana desajudada e inalcançáveis por seus métodos de pesquisa. A criação, como a encarnação de Jesus, a ressurreição, a ascensão e o segundo advento são objetos da revelação. Tendo por séculos resistido aos mais intensos ataques, a Bíblia continua afirmando sua mensagem fundamental: “No princípio criou Deus.” Ela pinta o quadro de um extraordinário paraíso, perdido por causa do pecado. Além de qualquer dúvida, as Escrituras esclarecem o caminho que este planeta tomou, e quanto custou esse desvio.
Então, com uma imensa seta indicadora, a Palavra de Deus aponta para o Calvário e a cruz em que Jesus morreu para corrigir a queda. Finalmente, nas mais vivas tonalidades, as Escrituras descrevem a restauração, quando se estabelecem o “novo Céu e a nova Terra”, onde viverão os santos do Altíssimo. E, o melhor, as mais gloriosas boas-novas do Universo registradas na Bíblia afirmam que quem quiser pode fazer parte dessa realidade renovada.
Brinde de PescadorMeditações Diárias 2014 – 25 de janeiro
Ele [Deus] mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Tiago 1:13, 14
Você já foi enganado alguma vez? Eu já. Comprei produtos, algumas vezes, baseado puramente em propaganda mentirosa. Só depois descobri que aquilo que adquirira era uma fraude. A propaganda, em grande parte, é feita de engano: lança a isca para que peixes abocanhem o anzol. Rubem Alves reconhece a “sabedoria psicanalítica” dos estratagemas da propaganda. Claro que não é possível pescar usando como isca um pedaço de ferro. Só é isca aquilo que as pessoas desejam. Peixe deseja minhoca, e, ao se aproximar do anzol coberto com o que deseja, se falasse, poderia exclamar: “Oh, um brinde do pescador!” E o desastre está feito… Assim é conosco. O que você deseja? Dinheiro? Poder? Sexo? Posses? Conforto? Prazer? Diversão? A base da tentação é a mesma para todos: desviar-nos da vontade de Deus. As formas variam e estão relacionadas com aquilo que desejamos. Essa é a isca no anzol.
As tentações vêm de duas direções: de dentro e de fora. As de dentro têm que ver com nossa natureza caída, naturalmente inclinada para o mal. Essas são despertadas pelas outras, as que vêm do exterior. Pela Palavra, Jesus venceu as tentações vindas de fora: “Está Escrito.” Essa continua sendo nossa fortaleza.
As tentações interiores, relacionadas com nossa natureza pecaminosa, segundo a sugestão do texto bíblico de hoje, podem ser vencidas pela poderosa ação divina, sob dois aspectos. O verso 18 fala do que Deus realiza em nós, isto é, a experiência do novo nascimento. Por meio dele, Deus implanta em nós uma segunda natureza. Agora, aquilo que estava na esquerda passa a estar na direita, e o que estava na direita passa a estar na esquerda.
O novo nascimento é ação inteiramente da graça de Deus.
A segunda estratégia aparece no verso 12: “Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança.” Isso também se realiza pela graça, mas com nossa participação: “Suportar com perseverança.” Na primeira, Deus entra com tudo; na segunda, nós também entramos com tudo. Nosso tudo é igual a zero, mas isso é a indicação de nossa determinação. E Deus honrará nossa “contribuição” fortalecendo-a contra o mal que nos assedia. Ore em sinceridade: “Senhor, quando tenho o desejo, tira a oportunidade. Quando tenho a oportunidade, remove o desejo.”
A Base do PerdãoMeditações Diárias 2014 – 26 de janeiro
Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Mateus 18:21
Em minha coleção de memórias, guardo duas fotografias que recebi de um irmão do interior de Goiás. Em uma, ele aparece de terno e gravata. Na outra… Bem, leia a história. Eu havia terminado o curso de teologia e, sem chamado, fui colportar na divisa de Goiás com o Pará. O grupo adventista ali era muito pequeno, formado talvez de 20 pessoas. Resolvi, enquanto colportava, fazer uma semana de oração. Na terça-feira, preguei sobre Romanos 12:17, 19 e 20: “Não torneis a ninguém mal por mal; [...] não vos vingueis a vós mesmos; [...] se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; [...] porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.”
Recebi, naquele fim de semana, uma mensagem via telégrafo vinda da então Missão Bahia-Sergipe. Era meu chamado. Deveria comparecer logo à sede da Missão. No sábado à noite, na pequena pensão, preparava-me para sair no domingo cedo. Então, aparece o irmão José, com as fotos. Ele explicou: numa sociedade, fora roubado pelo sócio e perdera tudo que possuía. Planejou a vingança para aquela semana. Disfarçado, como representado numa das fotos, vestido de saco, um enorme chapéu de palha e com quatro litros de gasolina, atearia fogo na casa do antigo sócio enquanto todos dormissem. Mas o Espírito de Deus falou ao seu coração naquela terça-feira.
Abandonou a ideia da vingança e veio dar-me as fotos. Uma era a representação. Quanto à outra, a de terno, disse: “Sou eu agora.”
Em seu livro Cristianismo Puro e Simples, C. S. Lewis observa que, dos ensinos de Cristo, o amor ao próximo é a virtude cristã mais impopular. Ele esclarece: “O próximo inclui o inimigo.” E assim “nos confrontamos com o terrível dever de perdoar nossos inimigos”. Os rabis, numa má interpretação de Amós 1:3, limitavam o perdão a três vezes. Pedro, conhecendo algo a respeito de Cristo, dobra o número, acrescenta mais um e pergunta: “Até sete?”
Jesus retira o perdão dos limites da matemática. Isso é possível apenas quando realmente tomamos consciência do quanto fomos perdoados por Deus. É nesse contexto que Ele conta a parábola do credor incompassível (Mt 18:2-35). A dívida maior é a sua dívida com Deus. A menor, a dívida de outros com você, em comparação, é insignificante. Se você é incapaz de perdoar, pergunte-se: “Entendi claramente aquilo pelo que fui perdoado?”
Remetente: Jesus CristoMeditações Diárias 2014 – 27 de janeiro
De longe Se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno Eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.
Jeremias 31:3
Imagine em suas mãos uma carta cujo remetente é Jesus Cristo:
Querido(a) _________________,
Primeiro, gostaria que você soubesse que Eu o conheço. Vi você nascer. Ouvi seu primeiro choro e contemplei o primeiro sorriso, já esquecidos por todos. Testemunhei seus primeiros passos, as primeiras quedas, os primeiros arranhões e a inocência inicial, que tornava tudo encantador a você. Vi as marcas da vida se acumularem enquanto você avançava. Algumas superficiais, outras mais profundas, que apenas você e Eu conhecemos. Sei de seus sonhos. Alguns castelos que se desfizeram, desilusões. Sei dos “príncipes que viraram sapos”. Algumas cicatrizes foram resultado de suas próprias escolhas, outras vieram de onde você menos esperava. De pessoas que não o amavam ou de outras que disseram amar você. Vi seu pranto, aberto ou reprimido. Coloquei suavemente minha mão em seu ombro muitas vezes. Talvez você nem tenha percebido.
Amei e amo você, porque você é único. Minha criatura especial. Capaz de coisas que só você pode realizar de forma tão exclusiva como são suas digitais. Você é singular. Sua forma de rir, chorar, pensar, agir e reagir é única. Vi você ganhar ou pensar que havia ganhado em algumas situações. Outras vezes, vi você perder ou pensar que havia perdido. No fundo, você gostaria de recomeçar tudo. Começar do marco zero. Iniciar com páginas em branco. Você pode! Isso lhe é garantido por Minha graça. Algumas marcas talvez fiquem, mas você pode tomar outra direção.
Não deixe ninguém desanimar você nem dizer que “não tem jeito”. Não deixe ninguém capturar você com filosofias, opiniões, promessas vazias e palavras que soam bonitas. Não permita que os poderes deste mundo escuro subjuguem seu coração. Lembre-se, você pode morrer para o pecado e assentar-se comigo nos lugares celestiais. Pense naqueles cravos enferrujados que Me transpassaram as mãos. Os cravos relembram o seu grande valor. Você é a razão de Meu sacrifício; é precioso o suficiente para que Eu suportasse o Calvário. Por você, Meu sangue escorreu para lhe dar nova vida. Os cravos relembram você a tomar sua cruz e seguir-Me. Lembre-se de que, afinal, não foram os cravos que Me prenderam à cruz; foi meu amor por você.
Seu amigo, Jesus.
A Batalha Pertence ao SenhorMeditações Diárias 2014 – 28 de janeiro
Chegando Faraó, os filhos de Israel levantaram os olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então, os filhos de Israel clamaram ao Senhor. Êxodo 14:10
Israel estava fora do Egito, mas a capacidade do inimigo de levar o povo de Deus de volta ainda deveria ser destruída. O próprio Faraó comanda a perseguição aos ex-escravos. Cavalos egípcios e suas carruagens formam um espetáculo terrível. Faraó provavelmente julgou que uma formidável demonstração de poder significaria uma rápida rendição. Em desespero, o povo começa a murmurar, considerando a relativa segurança do Egito melhor que a distante e talvez incerta terra prometida. Reação natural de antigos escravos. Todos nós, além de libertação externa, precisamos de libertação interna para que os vínculos com o passado sejam completamente eliminados.
Êxodo 14:13-15 registra cinco pequenas frases que constituem a mensagem divina com significado especial para os temerosos santos de todas as épocas. Primeiro: “Não temais.” Deus começou aqui porque é nesse ponto que o povo estava emocionalmente. Medo é nossa primeira reação diante do poder do inimigo. O medo nos paralisa e nos torna irracionais. Somos, contudo, chamados para descansar nAquele para quem nada é “difícil demais” (Jr 32:17, NVI). “Não temas” é uma frase comum nas manifestações de Deus. Deus é o mesmo ainda hoje, acalmando-nos em nossos espantos. Uma estatística informa que encontramos nas Escrituras a expressão “não temas” 366 vezes. Não é extraordinário? Uma para cada dia do ano, e uma adicional para os anos bissextos.
A segunda frase segue logicamente o primeiro comando: “Aquietai-vos.” A libertação do medo resulta em calma. A ordem não foi para Israel lutar. Ativismo é a idolatria da cultura moderna. Corremos afobados, em ansiedade. Tentamos resolver os problemas com a própria força, os próprios recursos e a própria sabedoria, desconsiderando que Deus existe. Estar quieto significa mais do que passividade, mas total dependência dAquele que tem todos os recursos. Significa “sair do caminho” e permitir que Deus seja Deus. Crer e esperar Sua intervenção, observando atentamente Seus sinais. Se você crê que está no lugar para onde Ele o guiou, permaneça calmo. Há fardos que podemos levar em submissão a Deus, mas há outros muito grandes e pesados para nossas forças. O Altíssimo não Se esqueceu de você.
A Libertação do SenhorMeditações Diárias 2014 – 29 de janeiro
O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis. Êxodo 14:14
O verso de hoje é a terceira frase divina no drama do êxodo. Ela envolve uma promessa. Como Israel, com frequência sofremos de “brancos” e nos esquecemos de quem é Deus. Olhe para trás, considere as intervenções divinas e espere dEle coisas maiores. Em Seu conhecimento da fragilidade humana, Deus deseja que aprendamos que “a salvação vem do Senhor”. Ele deseja que aprendamos a confiar nEle, o Alfa e o Ômega, Aquele que sustenta o mundo no espaço e que Se tornou responsável por nós. Assim, nossas batalhas se tornam Suas batalhas. Deus tem um código de honra inalterável: ninguém que confie nEle chora sozinho. Quando você chora, Ele sente o gosto do sal em Seus lábios. “Confie em Mim, confie em Mim”, Ele apela a você.
“O Senhor pelejará por vós” é o quarto comando, baseado na promessa anterior. Êxodo 13:18 sugere que Israel havia trazido armas: “Arregimentados, subiram os filhos de Israel do Egito.” Mas as armas do Egito não deveriam ser utilizadas. Nesse momento, os israelitas não precisam lutar. Essa não é a batalha deles. A quinta ordem aparece como uma instrução: “Dize aos filhos de Israel que marchem” (Êx 14:15). Aqui está a parte humana. Israel deveria cruzar o mar. O povo fora antes instruído a ficar calmo. Queixa, lamento, murmuração e desespero não trariam nenhum resultado. Israel não deveria falar nem lutar porque Deus não precisa de nossas palavras ou armas. Em silêncio, o povo veria a libertação. Como já vimos, há coisas que não podemos fazer, e Deus não espera que as façamos. Ele prometeu fazê-las por nós. Por outro lado, há aquelas coisas que podemos fazer. Deus espera que as façamos, e Ele não prometeu fazê-las em nosso lugar.
Chegou você ao seu “Mar Vermelho”, onde não há saída aparente? Deus fará por você o que Ele prometeu. No verso 19, temos o incrível desfecho da história: “Então o anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, se retirou e ia para trás deles.” Nas Escrituras, Deus é sempre descrito como líder, alguém que vai adiante. Mas aqui Ele Se coloca atrás. Talvez esse seja o único texto em que Deus Se põe na retaguarda. Por quê? Porque era lá que estava o problema. Onde está seu problema? Em seu lar, no trabalho, nas emoções, na saúde, nos hábitos, nos negócios, nos relacionamentos? Ele estará lá com você e por você.
As Primeiras Coisas em Primeiro LugarMeditações Diárias 2014 – 30 de janeiro
Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Lucas 12:20
Em janeiro de 1984, o senador Paul Tsongas, de Massachusetts, anunciou que estava deixando a política e não buscaria reeleição. Tsongas era um político em trajetória ascendente, favorito para a reeleição, e tinha sido mencionado como um candidato potencial para, no futuro, concorrer à presidência do país. Poucas semanas antes do anúncio, Tsongas descobrira que tinha uma forma de câncer linfático incurável.
A doença não o forçou a sair do Senado, mas o forçou a encarar a realidade da própria mortalidade. Ele não poderia fazer tudo o que talvez desejasse realizar. Então, o que realmente ele gostaria de fazer com o tempo que lhe restava? Concluiu que a coisa que ele mais desejava era estar com a família e ver os filhos crescerem. Isso, para ele, era mais importante do que participar na elaboração das leis da nação ou deixar seu nome em algum livro de história. Logo depois que sua decisão foi anunciada, um amigo lhe escreveu uma nota, congratulando Tsongas por definir corretamente suas prioridades. A nota dizia: “No leito de morte, ninguém jamais disse: ‘Eu gostaria de ter gasto mais tempo nos meus negócios.’”
Definir o que é prioritário na vida é um dos maiores imperativos. Coisas consideradas importantes hoje podem sofrer mudança radical quando as circunstâncias são alteradas e passamos a ver o que não víamos antes. No texto de hoje, Jesus usa a palavra “louco” ou “tolo” para descrever o homem que não incluíra Deus em seus planos. Mas o termo grego aphron não tem o sentido corriqueiro de tolice. No Antigo Testamento, a palavra “tolo” é usada para descrever aquele que rejeita o conhecimento e os conselhos divinos. É tolo aquele que planeja a vida como se Deus não existisse ou como se ele mesmo fosse eterno. A parábola envolve 11 pronomes possessivos.
Curiosamente, Jesus faz o julgamento do ponto de vista do pragmatismo materialista. Ele não menciona o reino de Deus ou as coisas eternas. Ironicamente, Ele diz: “E o que tens preparado, para quem será?” Isso redobra a tolice desse homem. O que lhe custou perda eterna seria deixado nas mãos de um herdeiro negligente. Frequentemente na vida, aprendemos muito tarde a considerar aquilo que realmente é importante. Faça uma avaliação de suas prioridades hoje mesmo.
Sabendo Uma Coisa e Fazendo OutraMeditações Diárias 2014 – 31 de janeiro
Disse mais Josafá ao rei de Israel: Consulta primeiro a palavra do Senhor. 1 Reis 22:5
Esta é uma das mais estranhas narrativas da Bíblia. O contexto é a guerra siro-efraimita, naquele momento em trégua por três anos. Ao longo do conflito, o reino do norte havia perdido várias de suas cidades para a Síria. Acabe, rei de Israel, decide então resgatar Ramote-Gileade, uma das cidades perdidas. Ele visita Josafá, rei de Judá, no sul, e o convida para participar de seu projeto.
No texto de hoje, Josafá decide que era necessário, antes, consultar o Senhor. Acabe, porém, temendo o que um profeta de Deus pudesse dizer para desencorajar a aliança, convida 400 de seus profetas, que, ele tinha certeza, seriam favoráveis à empreitada. Josafá não se impressiona muito com o circo criado pelos falsos profetas: “Não há aqui ainda algum profeta do Senhor para o consultarmos?” (v. 7). O velho profeta Micaías é levado diante dos dois monarcas.
Então toma lugar o que considero uma demonstração da extraordinária contradição da natureza humana. Josafá pergunta ao profeta do Senhor, preto no branco: Afinal, “iremos [...] à peleja ou deixaremos de ir?” (v. 15). A resposta, depois de alguns contrapontos, vem como uma clarinada fúnebre: “Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor” (v. 17). O veredito do Senhor está em clara oposição à mensagem dos profetas falsos. Acabe e seu exército tinham um encontro marcado com o desastre, onde ele próprio perderia a vida, apesar da tentativa de disfarce.
O paradoxo é que Josafá, o homem que queria ouvir a mensagem de Deus, age como se Ele não tivesse dito nada. Em palavras trágicas, o escritor sagrado registra: “Subiram o rei de Israel e Josafá, rei de Judá, a Ramote-Gileade” (v. 29). Josafá dirige-se para uma batalha que ele já sabia estar perdida. Acabe morreu por uma flecha extraviada, e seu sangue foi lambido por cães. Josafá voltou humilhado para ser repreendido por sua rebeldia (2Cr 19:2).
Qual é nosso verdadeiro problema ao perseguir veredas que já sabemos serem “caminhos de morte”? Incredulidade? Rebelião? Insegurança? Receios? Estaria você, hoje, com os sintomas da “síndrome de Josafá”, pensando em contrariar a luz que já tem sobre determinada questão e, como o rei de Judá, sabendo uma coisa, mas fazendo outra? A história não está do lado da desobediência. Ao desobedecermos voluntariamente, também colheremos os resultados.